Depoimento de Lula tem início em São Paulo

Detido na manhã desta sexta-feira (04), o ex-presidente Lula foi levado ao escritório da PF no Aeroporto de Congonhas, onde depõe desde as 8 horas.  

Delegados da Polícia Federal envolvidos diretamente nas investigações da Operação Lava Jato deram início ao depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhado na manhã desta sexta-feira, por agentes da PF, ao escritório da instituição localizado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Lula, foi alvo de detenção coercitiva, como consequência das ações da 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Aletheia (busca da verdade, no grego), apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. Manifestante tumultuam o saguão do Aeroporto

São investigados crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros, relacionados à Petrobras. A determinação da busca e apreensão é do juiz Moro, de Curitiba. Nos estados de São Paulo (nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarujá, Diadema, Santo André, Manduri e Atibaia), Rio de Janeiro (capital) e Bahia (Salvador)

O ex-presidente não será levado para Curitiba. Além do ex-presidente, seu filho Fábio Luíz Lula da Silva –também conhecido como Lulinha esta´entre os mandatos expeditos para esta manhã. Essa fase da operação, batizada de Aletheia, apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. O ex­-presidente, que já teve a residência vasculhada pela PF nesta manhã, nega as acusações.

Os carros da PF chegaram às 6h à sua casa, em São Bernardo. Quatro carros entraram na garagem do prédio e cerca de dez agentes ficaram na portaria. A mulher de Lula, dona Marisa, não está na condução coercitiva. Cerca de 200 agentes da PF e 30 auditores da Receita Federal cumprem, ao todo, 44 mandados judiciais, sendo 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia.

Em coletiva na sede da Polícia Federal neste momento, o delegado da PF, Igor Romário, informou que em alguns locais estão ocorrendo problemas com a tentativa de prejuízo às diligências, por meio de manifestantes pró Lula.

O auditor da Receita Federal, Roberto Lima, explicou que as investigações da Lava Jato, em conjunto com o Ministério Público Federal, Receita Federal e PF, apontam que o ex-presidente Lula, seus filhos e pessoas ligadas a empresas registram aumento patrimonial. “O relacionamento das entradas de recursos na Lils Paelstras e no Instituto Lula, no linguajar fiscal configura uma confusão operacional e financeira. Toda a atividade operacional da Lils é feita por empregados e pessoas ligadas ao Instituto Lula. Ambas as entidades recebendo recursos expressivos entre 2011 e 2014, vindas de mais de duas dezenas de grandes empresas e empreiteiras. As cinco maiores empresas que pagaram palestras nesse período, são as mesmas que doaram os maiores valores ao Instituto Lula”, explicou Lima. O quadro societário da Lils Palestras é de 98% de propriedade do ex-presidente Lula e 2% de Paulo Okamotto, que preside o Instituto Lula. O presidente teria recebido um montante aproximado de R$ 10 milhões para palestras.

Na mesma coletiva, o Procurador Geral da República, Carlos Fernando de Souza, falou sobre o andamento das apurações. “Estamos falando de uma organização criminosa infiltrada no governo federal que se utilizava da Petrobras, e que tem um comando, com participação já apurada do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT, Vacarri, mas essa organização criminosa continua a existir e precisamos apurar essa cadeia de comando. Estamos investigando evidências de que o ex-presidente e sua família receberam vantagens para execução de atos dentro do governo. Existem evidências de pagamento de vantagens, 60% de todas as doações feitas ao Instituto Lula pelas cinco maiores empreiteiras envolvidas na Operação Lava jato”. O Procurador disse ainda que o vazamento de informação é prejudicial ás investigações. “Não há nenhum interesse do Ministério Público, da Polícia Federal ou da receita Federal de que informações sejam antecipadas, porque o vazamentos das investigações favorecem a destruição de provas”, alegou.

O delegado da PF Paulo Lima destacou que o vazamento das informações na fase Acarajé prejudicaram demais as investigações e que todos aqueles que tiveram ação de obstrução serão presos. Segundo ele, todos foram pegos de surpresa com esse vazamento ocorrido ao final do dia de ontem.

E o mercado financeiro sente o reflexo dos desdobramentos da Lava Jato nesta manhã. A bolsa de valores já sobe em mais de 5% nesta manhã e o dólar continua em queda.