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sábado, 15 maio 2021

A decisão do STF e os tempos sombrios para as igrejas

A decisão do Supremo Tribunal Federal em manter as igrejas fechadas no país repercutiu entre a liderança evangélica no Brasil

Por Priscilla Cerqueira 

O Supremo Tribunal Federal (STF) bateu o martelo e decidiu, nesta quinta-feira, 8, que governadores e prefeitos podem emitir decretos para fechar igrejas e templos religiosos no Brasil. No entanto, a decisão gerou repercussão entre a liderança evangélica do país.

Magistrados entenderam que o momento que o país passa exige atenção e cuidado redobrado. O Brasil registrou mais de 4 mil mortes nesta quinta-feira, 8. A medida pretende preservar vidas diante do agravamento da pandemia. Porém o presidente Bolsonaro continuou a defender a abertura de igrejas e templos no país.

O pastor Alcemir Pantaleão, presidente da Associação de Pastores de Vila Velha (ES), Apevive, disse que a igreja não vai fechar, mesmo com na decisão, os magistrados, dêem a prerrogativa aos prefeitos e governadores de estabelecerem regras com a possibilidade de fechamento dos templos.

“Somos templos do Espírito Santo e aonde estivermos estaremos abertos. Entretanto, é importante nós nos unirmos contra todo e qualquer preceito que venha ferir o nosso direito constitucional de nos congregarmos como igreja, pois ela cumpre um papel social. E a legislação não pode ferir o nosso direito adquirido. Então é preciso que nós, líderes nos unamos contra todo e qualquer princípio que quer ferir o nosso direito de congregarmos com as portas abertas”, declarou.

O bispo Abner Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira disse que “a decisão será respeitada, mas o Evangelho continuará a ser pregado, independente se os templos estiverem fechados”.

Bom senso

Para o pastor Paulo Eduardo, da Primeira Igreja Batista de São Paulo, a decisão dos ministros do Supremo desacatou a constituição, que fala do direito a prática, a fé e da religião, sendo uma cláusula pétria da carta magna. Para o pastor, faltou bom senso.

“Foi um desacato à constituição. Não vejo bom senso na decisão. Imensa maioria das igrejas seguindo com rigor os protocolos sanitários. Apenas um ou outro caso que essa normas não são cumpridas. Em contrapartida os meios de transportes públicos estão lotados. Não faz sentido. é uma discrepância muito grande”, explicou.

“O Supremo desconsiderou o que a constituição diz sobre a liberdade religiosa e a liberdade de culto, que é um direito fundamental. O Supremo passou por cima da cláusula pétria. Acredito que o STF não está exercendo o seu papel de guardião da constituição, pois daqui a pouco teremos outras situações que estarão sendo colocadas em prática justificadas pela pandemia, como o toque de recolher, por exemplo. As pessoas estão exacerbando na sua competência de decisão. O Supremo, dessa forma, invalidou o que diz a constituição, o livre exercício de culto e a proteção dos locais de culto e suas liturgias”, afirma o pastor Evaldo dos Santos.

“, afirma o pastor Evaldo dos Santos.

Porém, pastor Paulo Eduardo reforça que, sendo uma decisão do Supremo, como igreja, cumprindo uma determinação bíblica, “temos que obedecer”.

O que dizem as denominações brasileiras

Algumas das denominações, consideradas grandes, entre tradicionais e pentecostais no país como Igreja Presbiteriana do Brasil, Convenção das Assembleias de Deus do Brasil (CGAD) e Convenção Batista do Brasileira (CBB), preferiram não se pronunciar sobre o assunto.

Pastor Sócrates de Oliveira, diretor executivo da CBB justificou o não posicionamento afirmando que “seria incoerente com a orientação que fizemos a todas as Igrejas para seguirem as recomendações das autoridades locais em cada cidade”.

Em diversas denominações do país, os cultos presenciais continuam suspensos desde que os governos estaduais decretaram fechamento dos templos por conta da disseminação da covid-19 e do aumento do número de mortes pela doença. É o caso da Igreja Cristã Maranata e Igrejas Batistas. A maioria está realizando os cultos online.

O que fazer?

Diante da decisão, qual o próximo passo que a liderança da igreja deve dar? Alguns pastores acreditam que a melhor estratégia é o diálogo entre conselhos de pastores, vereadores e deputados.  Seria somar esforços para combater a pandemia.

Mas o pastor Paulo Eduardo vai mais além. Ele defende a ideia da realização de um amplo manifesto de descontentamento e indignação. “Acho que podemos fazer esse manifesto no Brasil todo, incluindo o bloco de evangélicos e de católicos, com assinatura de milhões de brasileiros para defendermos a ampla liberdade prática religiosa”.

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