20.7 C
Vitória
quarta-feira, 25 maio 2022

De perseguidor a perseguido: ex-guerrilheiro lidera comunidade cristã

Imagem Ilustrativa - Foto: Portas Abertas

No Brasil, Jasar tem visitado igrejas para contar a transformação que Deus fez em sua vida, desde o dia em que um cristão o enfrentou

Por Patricia Scott 

Até o próximo dia 7 de fevereiro, Jasar (nome fictício por questões de segurança) estará visitando as igrejas brasileiras, segundo Portas Abertas. A intenção é que ele compartilhe o seu testemunho de perseguidor dos cristãos a perseguido.

Durante quase toda a sua vida, Jasar viveu dentro da guerrilha colombiana. Aos oito anos, foi aliciado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), principal grupo guerrilheiro do país. 

Aos 17 anos, Jasar já liderava mais de três mil homens. “Acreditávamos que o ser humano nascia, crescia e morria, por isso não havia espaço para mais nada que não fosse a nossa filosofia. Não existia qualquer outra ideologia, espiritualidade ou crença. Quando saíamos nas ruas era para perseguir e matar”, revela.

Como todo guerrilheiro, diz ele, “detestei os cristãos e acreditava que eram todos espiões, além disso, também achava que não serviam para nada: não nos davam informações, não deixavam que levássemos seus filhos, não nos obedeciam e ainda serviam a um Deus que eu não acreditava. É por tudo isso que os cristãos são vistos como inimigos dos guerrilheiros, por isso eles são perseguidos e mortos”.

Jasar testemunha que, um dia, um cristão o ameaçou com a Bíblia, a arma dele. “O homem, mesmo com metralhadoras em sua cabeça, teve coragem de dizer ‘se você me matar, saiba que Jesus Cristo vai continuar vivendo’. Foi uma discussão entre um homem material e um homem espiritual”.

Jovens recrutados pela guerrilha – Foto: Portas Abertas

Jasar respondeu ao cristão: “Deixe de ser mentiroso, Deus não existe. Mas o homem continuou a ‘atirar’ em mim com aquela ‘arma’. Ele disse ‘se você me matar, terá que pregar em meu lugar, porque Deus tem um grande plano para sua vida, do qual você não poderá escapar’. E aquela foi a minha primeira experiência com Deus”.

O encontro com Deus
Ele mandou o homem ir embora, e os guerrilheiros ficaram sem entender. “Eu disse a eles que não matei, porque me faltou vontade, mas a verdade é que eu tinha sentido muito medo e uma força de Deus que vinha daquele homem”.

Depois disso, Jasar passou a ser perseguido pela voz do cristão em sua mente, o tempo todo. Então, seus planos nunca mais deram certo. Ele ficou tão perturbado que acabou sendo preso, torturado e ameaçado pelo comando das FARC.

Tempos depois, Jasar se converteu, largou a guerrilha e passou a ser fortemente perseguido por seus antigos companheiros. Não só ele, como toda sua família. Ele não deixou seus ideais sociais. Ele continua apoiando a comunidade que sempre perseguiu na selva. Jasar é muito crítico quando fala sobre a transformação da guerrilha, de crítica ferrenha ao governo e ferramenta para a transformação ideológica comunista, para ferramenta de uso de narcotraficantes.

Atualmente, Jasar exerce liderança espiritual na selva. Ele ajuda os cristãos que tanto perseguia no passado. Sob forte ameaça, procura apoio em organizações cristãs, como Portas Abertas que mantém um centro de apoio infantil, recebendo crianças e adolescentes vítimas de perseguição religiosa na Colômbia, inclusive sua filha, Lorena (nome fictício por questões de segurança).

Colômbia
Apesar do tratado de paz assinado pelas FARC e o governo da Colômbia, no final de 2016, o que teoricamente transformou o grupo em um partido político após um pacto com o governo colombiano, dissidentes das FARC e da ELN – Exército de Libertação Nacional – continuam agindo no país. Eles estão fortemente armados, organizados e ainda perseguem comunidades que vivem e sobrevivem da selva e, principalmente, crianças.

Um estudo realizado entre setembro de 2016 e novembro de 2017 (anos que seguiram o tratado de paz) revela que mais de 18 mil crianças foram recrutadas por esses grupos guerrilheiros que ainda subsistem na Colômbia. As guerrilhas continuam aliciando crianças e, em um ano, foram mais de cinco mil crianças, com menos de 16 anos, alistadas pelos grupos guerrilheiros, segundo relatório da ONU de 2021.

- Publicidade -

Matérias relacionadas

Comunhão Digital

- Publicidade -

Fique Por Dentro

- Publicidade -

Plugue-se