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quarta-feira, 29 junho 2022

“Cultos virtuais”: aplicativos de fé substituem cultos presenciais

Foto: Reprodução

Com o aumento da “Adoração digital” especialistas alertam para a importância de estar atentos a saber qual aplicativo de “fé” baixamos em nosso aparelho celular 

Por Victor Rodrigues

A tecnologia alterou como a adoração deve ser, abrindo suas portas e levando o público à era da adoração digital, onde igrejas e ministérios entram em seu caminho no mundo digital para se adaptar às tendências e vir atrás de crentes que encontraram conforto praticando sua religião e crenças online.

Por exemplo, aplicativos religiosos para celulares e laptops como a Bíblia, e-books religiosos, devocionais, pregações de podcast e sermões, e orações tornaram-se populares e convenientes entre as pessoas de fé, a ponto de esses aplicativos terem substituído os reais.

O autor e supervisor de pesquisas em tecnologia e ética para a Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul, Jason Thacker, relatou pontos positivos e negativos da adoração na “era digital”. 

Ele proclamou que a tecnologia permite um alcance mais amplo para Cristo, compartilhar o Evangelho para o mundo e permanecer conectado nunca foi tão fácil e rápido. No entanto, ele também alertou que as conveniências desfrutadas pelas pessoas de fé podem vir a um custo intangível de sua privacidade, pois os hábitos digitais dos usuários criam agora uma demanda de produto e consumo, em uma relação entre cliente e mercadoria.

Livro “A Era Digital” de Jason Thacker, especialista no assunto de tecnologia e cristão. Foto: Reprodução

 

A Era Digital  

O autor de “A Era da IA” e “Seguindo Jesus em uma Era Digital”, livros sobre a ampliação da intersecção entre tecnologia e fé, prosseguiu com seu aviso declarando que realmente não existe serviços gratuitos no mundo digital.

“Você está pagando por isso transformando-o e divulgando esse tipo de dados, a fim de ter esses dados manipulados e transformados em vários produtos sendo vendidos aos anunciantes para obter seus olhos.

Então é por isso que você tem uma conta gratuita no Facebook ou TikTok ou Instagram ou Twitter”, explicou Thacker.

Orações 

Recentemente, uma questão controversa ganhou manchetes depois que o um relatório investigativo divulgou que aplicativos estavam usando orações e outras informações pessoais como ativos de negócios.

O relatório identificou a empresa Pray.com, cuja política de privacidade reconhece que compartilha informações pessoais com “terceiros” para “fins comerciais”. 

Como os usuários “expuseram angústia espiritual, Pray.com estava minerando dados”, escreveu o relatório após narrar a história de uma usuária chamada Katie, não seu verdadeiro nome, que encontrou consolo e apoio através de uma comunidade de oração do aplicativo. 

Assim como a maioria dos usuários, Katie não leu a política de privacidade de Pray.com e foi devastada quando descobriu que suas orações estavam sendo vendidas e sua vida privada divulgada e desrespeitada.

Jason Thacker serve como diretor criativo da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa. Ele é formado pela Universidade do Tennessee e pelo Southern Seminary. Foto: Reprodução

Entretanto, em entrevista o co-fundador do aplicativo e diretor de tecnologia de dinheiro da Pray.com, Ryan Beck, desmentiu o relatório e disse em uma entrevista que era falso. Ele disse que sua maior prioridade é a oração e não ganhar dinheiro com seus usuários. 

No entanto, é significativo notar que aplicativos baseados na fé como Pray.com estão atraindo uma onda de investimentos em risco, com US$ 175,3 milhões em financiamento de risco para 2021, três vezes mais do que 2020, de acordo com o Wall Street Journal.

Beck disse, em resposta, que o triplo aumento no financiamento de empreendimentos é algo mais do que ganhar dinheiro. Trata-se de deixar um legado. Os capitalistas investem porque querem deixar um legado de ajudar os outros.

Fé ou tecnologia 

Especialistas em segurança cibernética alertam o público para ser cauteloso, explicando que se é ou não baseado na fé, ainda é tecnologia. Glyn Gowing, especialista em segurança cibernética e professora de ciência da computação na Universidade de LeTourneau disse “computadores não têm almas. Eles não podem ser salvos”.

Ele também afirmou que há muita tentação para os desenvolvedores de aplicativos resistirem a que eles abusem de seu poder e coletar muito mais dados do que realmente precisam. “Como cristão, volto para a direita onde diz nas escrituras: ‘Para todos pecaram e ficaram aquém da glória de Deus'”, finalizou.

* Com informações de Christianity Daily e CBN News

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