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terça-feira, 4 agosto, 2020

Culpada é a igreja!

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Creio que esse episódio servirá (mais uma vez) para que a comunidade evangélica repense um dos mais importantes temas ligados ao cristianismo: QUEM É PASTOR?

Sabemos que o Artigo 5º Inciso VI da nossa Constituição assegura o “livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.  O problema é: será que ao assegurar o livre exercício dos cultos religiosos, permite que QUALQUER pessoa abra uma porta, invente o nome de uma “igreja” e se autodenomina pastor, bispo, apóstolo, ou sei lá o quê, para dirigir aquela igreja? É isso que nossa Constituição quis definir? A resposta é clara: NÃO!

Contudo, da mesma forma que nossa Constituição não define quem pode ser médico, advogado, professor, etc., não pode definir quem é ou não pastor, mas uma vez que uma organização define quem é médico, engenheiro, … pastor, ela se torna responsável pelos atos desta pessoa.

Normalmente quem define quem pode exercer um determinado oficio é a própria classe, ou seja, são os advogados quem estabelecem quem pode ser advogado (OAB), os engenheiros quem pode exercer a profissão de engenheiro (CREA), etc., mas não tem sido assim com o pastorado.

Quem sabe se não é por isso que vemos a profusão de pessoas completamente desqualificadas se autodenominando de pastores. Sabemos que pastor não é (ou não deveria ser) uma profissão. Ainda não se exige que depois de formado ou mesmo sem nenhuma formação teológica uma pessoa faça uma prova para habilitar alguém a ser um pastor. Mas, toda essa liberdade tem proporcionado um grande mal-estar junto aqueles que, tendo passado por um seminário, um período de licenciatura e experiência, depois por um Concílio com direito a sermão de prova e julgamento por outros pastores – sobre sua vocação, capacidade e base bíblica – para finalmente se tornar um pastor, ver alguém ser ordenado sem saber sequer ler ou escrever.

No caso do “pastor” Georges, creio que várias questões precisam ser levantadas, Mas a primeira é o fato de ser irresponsável uma denominação que ordena alguém pastor com apenas seis meses de convertido. Há várias referências bíblicas sobre a responsabilidade do pastoreio. Entretanto, o mínimo que se exige (1 Tm 3:1ss) é que ele seja “irrepreensível, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não violento, inimigo das contendas, não avarento, que governe bem sua casa e não seja neófito, tenha bom testemunho dos de fora …”

O Apóstolo Pedro (1 Pe 5:2) alerta que os pastores devem “pastorear … não por constrangimento (obrigado), mas espontaneamente, como Deus quer”, mas é na Epístola de Judas (v.12) que encontramos o alerta para aqueles pastores “que a si mesmo se apascentam”, eles são como “nuvens sem água impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas”, com todas essas admoestações bíblicas, não resta dúvidas de que a ordenação de um pastor precisa de critérios.

Em outras palavras, cada denominação tem a obrigação bíblica de fazer escolhas diligentes daqueles que irão pastorear o rebanho de Deus. Isso é o mínimo que a Bíblia exige e uma denominação não tem o direito de desprezar o ensino bíblico.

Já está passando da hora das diversas denominações, serem mais criteriosas e conscientes na escolha de seus pastores e quando alguma denominação ignorar essa norma, ela deve ser responsabilizada pelos atos deste pastor. O que estamos afirmando é que a Igreja Batista Vida e Paz deveria ser responsabilizada civil e criminalmente por ordenar o George, uma pessoa monstruosa e desqualificada para exercer qualquer cargo eclesiástico. Ela (a denominação) assumiu o risco de ordenar uma pessoa despreparada para a função. Se ela fosse responsabilizada, assim como um hospital também é responsabilizado pelo erro de um médico, ou uma empresa de engenharia é responsabilizada pelo erro de um cálculo em uma construção, tenho certeza de que as denominações teriam mais cuidado em ordenar qualquer um para pastor.

Por isso defendo que além do Georges ser condenado pelos crimes que cometeu, a denominação deveria ser responsabilizada perante a sociedade, principalmente perante a comunidade cristã. Não aquento mais ficar com vergonha de ser pastor.


José Ernesto Conti é pastor e presidente do Conselho das Igrejas Evangélicas do Espírito Santo

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