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sábado, 27 novembro 2021

Cristianismo e Política: o papel da liderança

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Como pastores e lideres cristãos, temos a enorme responsabilidade de conduzir um rebanho que não nos pertence (1Pedro 5.1-4)

Por Carlos Marcelo A. Souza

O momento político no Brasil é desafiador. O tema que no passado não atraia o interesse agora desperta paixões e acirra opiniões a ponto de cancelar amizades e dividir famílias. As manifestações que ocorreram em torno do dia 7 de setembro evidenciaram que vivemos um período tanto complexo quanto conturbado de nossa história. Mais que isso, a polarização ideológica tem se agigantado de tal modo que até mesmo as igrejas evangélicas e seus líderes tem sido chamados a um posicionamento político partidário explícito, quando não extremo. Nesse contexto de radicalismo e intolerância, como devem atuar os pastores e demais líderes de organizações cristãs? Como podem cumprir com excelência sua missão de apascentar o rebanho de Deus?

Tendo a Bíblia como nossa regra de fé e pratica, e Jesus Cristo nosso referencial absoluto, proponho um breve olhar sobre passagens que podem servir de bússola para a atuação pastoral nesse campo. Duas delas servem como ponto de partida para nossa reflexão:

“Vocês são o sal da terra… Vocês são a luz do mundo.” Em Mateus 5.13-16 Jesus mostra que seus seguidores devem ter participação ativa e exercer influência no mundo. Não devem fugir a sua responsabilidade de iluminar a todas as esferas da vida, inclusive a política. Com palavras e ações, devem trabalhar pelo bom tempero das relações e pela preservação das virtudes. É importante notar também que tais iniciativas não visam promoções ou vantagens pessoais, mas o benefício de outros e a glória de Deus: “para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês que está no céu.”

À luz desse texto podemos perguntar: Qual o nosso posicionamento enquanto líderes cristãos diante das mazelas e misérias que ocorrem no mundo? Estamos agindo para transformar ou nos omitindo? Nossa ação objetiva o bem-estar da coletividade ou interesses pessoais? Visa a glória de Deus ou a promoção da nossa imagem junto ao rebanho e sociedade?

“O meu reino não é deste mundo…”. Em João 18.36 Jesus explica a Pilatos, e também a nós, que o Reino de Deus está muito acima e além dos governos desse mundo, superando-os em autoridade e poder. Desse modo, não é de “esquerda” ou de “direita”, mas “do alto”. Está acima de preferências pessoais e caracteriza-se por virtudes eternas e universais como justiça, paz e alegria (Romanos 14.17). Por isso não devemos confundir o Reino de Deus com nenhum reino desse mundo, nem com qualquer projeto político-partidário como se fosse a única e perfeita manifestação de sua vontade. Muito menos devemos identificar qualquer líder político ou autoridade humana como legitimo representante desse Reino. O Messias “ungido de Deus” veio ao mundo há dois mil anos, morreu numa cruz, ressuscitou, e agora está a direita de Deus (Atos 2.22-36). Depois dele, todos os seus discípulos são seus embaixadores (2 Cor 5.20) e nenhum ocupa lugar especial nessa missão.

A declaração feita pelo Filho de Deus nos impõe algumas reflexões: temos distinguido o Reino de Deus dos governos desse mundo? Estamos lutando por seus valores universais ou por ideologias terrenas e personalistas? Nossa postura política é crítica, ou temos no tornado reféns do messianismo político-religioso que causou tantos danos ao longo da história?

Como pastores e lideres cristãos, temos a enorme responsabilidade de conduzir um rebanho que não nos pertence (1Pedro 5.1-4) e sobre o qual teremos de prestar contas. Que sejamos humildes para buscar em Deus e em sua palavra a sabedoria de que necessitamos para cumprirmos dignamente o nosso papel.

Carlos Marcelo A. Souza é pastor auxiliar na PIB em Jardim Camburi e autor do livro “Marcas que Transformam”.

 

 

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