27.1 C
Vitória
sexta-feira, 28 janeiro 2022

Cristianismo e Política: o papel da liderança – parte 2

Mais Artigos

Agora vamos refletir sobre outro de seus ensinos, que pode orientar tanto o posicionamento quanto a atuação política de líderes e demais cristãos

Por Carlos Marcelo A. Souza

No artigo anterior iniciamos uma reflexão sobre o papel da liderança cristã em meio ao conturbado contexto político brasileiro, especialmente num momento de polarização ideológica. Ao longo da história, a relação entre cristianismo e política tem se mostrado complexa, com períodos difíceis e alguns episódios lamentáveis.

Desse modo, o passado e o presente reforçam a necessidade de um posicionamento bíblico, consciente e crítico por parte dos pastores e líderes. Afinal, mesmo diante de tantas pressões e desafios que o momento histórico impõe, não devemos nos desviar da missão que recebemos. Pois nossa liderança deve cooperar para que o povo de Deus cumpra o seu papel de “… proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. (1 Pedro 2.9a)

No primeiro texto, tomamos como base duas declarações de Jesus Cristo que tem implicações quanto ao nosso tema. Agora vamos refletir sobre outro de seus ensinos, que pode orientar tanto o posicionamento quanto a atuação política de líderes e demais cristãos.

“Deem a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus”. Em Mateus 22.15-22, Jesus dá essa resposta aos fariseus e herodianos que tentavam induzi-lo ao erro, perguntando-lhe se era correto pagar o imposto romano. Se respondesse que não, ficaria mal com o governo e poderia ser preso por desobediência civil; se respondesse que sim, ficaria mal com o povo, e poderia ser desacreditado em seu ministério. Em sua sábia resposta podemos perceber pelo menos dois ensinos: a cidadania cristã e a separação entre igreja e estado.

Embora o Reino de Deus não seja deste mundo (João 18.36), está presente e ativo nele.  Os cristãos, enquanto embaixadores desse Reino participam do mundo (Mateus 5.13-16) e, portanto, são responsáveis pelo cumprimento de deveres civis e obediência às leis como qualquer outra pessoa. Ou seja, a cidadania espiritual se dá também pelo exercício da cidadania terrena. Pensando nisso podemos perguntar: os cristãos e igrejas devem buscar vantagens junto aos governos? Devem esperar tratamento privilegiado por parte das autoridades? Se atentarmos para o alerta feito pelo Salvador (João 15.18-16.4) bem como para a experiência da igreja primitiva no livro de Atos, logo perceberemos que o cristão não deve almejar tratamento diferenciado.

Isso não significa que os cristãos devam confundir e misturar as duas esferas de governo. Na época de Jesus o imperador romano era reverenciado como uma divindade, alguém infalível cujas palavras e atos não podiam ser questionados. Tal equivoco tem sido cometido em muitos períodos da história, e tem trazido terríveis consequências para povos e nações. Os “césares” desse mundo são autoridades temporárias, cheias de limitações e sujeitas a falhas. Não podem sequer ser comparados quanto mais confundidos com o Rei dos Reis, e Senhor dos Senhores (Apocalipse 19.11-16)

Cabe aos discípulos de Cristo, especialmente aos seus líderes, fazer a devida separação entre o Reino de Deus e os poderes desse mundo, sob pena da Igreja perder sua independência e autoridade profética. Por isso, é fundamental submetermos todos os governos e governantes humanos ao crivo do Evangelho. Algumas perguntas podem nos ajudar: as autoridades desse mundo estão praticando o bem e promovendo a justiça, como é o seu dever (Romanos 13.4)? Estão trabalhando pela paz, em resposta a nossas orações (1Timóteo 2.20)?

Que cumpramos a nossa missão de orientar a Igreja de Cristo não apenas com humildade, mas também com coragem e fidelidade. Devemos exercer nossa liderança com o coração puro e cheio de misericórdia pelos que sofrem e choram, como ele mesmo ensinou! Afinal, como revelou Daniel ao rei Nabucodonozor (2.44): “…o Deus do céu levantará um reino que jamais será destruído e que não passará a outro povo. Esse reino despedaçará e consumirá todos esses outros reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre”

Carlos Marcelo A. Souza é Pastor auxiliar na PIB em Jardim Camburi e autor do livro “Marcas que Transformam”.

- Publicidade -

Comunhão Digital

- Continua após a publicidade -

Fique Por Dentro

Entrevistas