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domingo, 18 DE janeiro DE 2026

Cristãos aguardam o Natal com otimismo um ano pós queda de Assad

A milícia islâmica prometeu respeitar os direitos das diferentes religiões e etnias do país - Foto: Reprodução

Depois de um período marcado por violência e medo, líder religioso relata sinais de convivência e esperança, apesar das ameaças persistentes contra minorias

Por Patricia Scott

Um ano após o colapso do regime de Bashar al-Assad, os cristãos da Síria se preparam para o Natal em um clima que mistura alívio e prudência. Após meses de instabilidade e ataques contra minorias religiosas, líderes cristãos afirmam perceber uma mudança gradual no ambiente do país, ainda que os riscos não tenham desaparecido durante o governo  do líder do Hayaat Tahrir al-Sham (HTS), Ahmad al-Sharaa. 

O reverendo Nadim Nassar avalia que a situação apresenta sinais de melhora. Recém-chegado da Síria, ele participou do acendimento da árvore de Natal em Latakia, sua cidade natal, ao lado do bispo local, de um imã e do prefeito — um muçulmano.

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“Todos destacaram a importância de convivermos juntos e de manter a Síria unida”, relatou. “Falou-se muito sobre como superar o ódio e as frustrações do passado.”

Segundo o reverendo, o ambiente tem sido mais acolhedor para os cristãos. “Não quero exagerar no otimismo, mas há sinais encorajadores. A reconstrução da confiança leva tempo”, ponderou.

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O atual governo sírio sob a liderado pelo Hayaat Tahrir al-Sham (HTS), grupo que assumiu o poder em 8 de dezembro de 2024, encerrando oficialmente a guerra civil e a autocracia de Assad. A milícia islâmica prometeu respeitar os direitos das diferentes religiões e etnias do país.

Apesar disso, Nassar demonstra preocupação com o avanço do fanatismo islâmico em setores do Estado, a presença contínua de mercenários armados e a sucessão de ataques contra minorias. Em março, cristãos estiveram entre as vítimas dos massacres contra alauítas — grupo ao qual pertencia Assad. Em junho, um bombardeio contra uma igreja deixou 25 mortos.

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“Quando uma minoria é massacrada, as outras inevitavelmente se perguntam: ‘quando será a nossa vez?’”, disse. “Recebemos ameaças diretas. Somos chamados de ‘adoradores da cruz’. A pressão é constante.”

Fundador da Fundação de Conscientização para a Construção da Paz, Nassar tem defendido a justiça restaurativa como alternativa à violência movida por vingança. Sua atuação em diálogos inter-religiosos despertou o interesse de líderes políticos regionais, curiosos sobre os caminhos da reconciliação nacional.

“O governo ainda vê qualquer admissão de erros como sinal de fraqueza”, afirmou. “Eu digo exatamente o contrário: reconhecer a verdade exige força. Só assim se tem coragem para pedir desculpas e também para perdoar.”

A iniciativa também chamou atenção para os chamados Embaixadores da Paz, jovens envolvidos com a fundação que defendem um futuro baseado no pluralismo religioso e cultural, em um Estado que garanta liberdades, valorize as mulheres e proteja as crianças.

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Para ele, o caminho da Síria passa pela reconstrução moral e espiritual do país. “Precisamos orar juntos por união, conscientização, amor e justiça fundamentada na verdade”, concluiu. “E, sobretudo, pedir coragem para perdoar — reconhecendo que todos erramos e que todos precisamos de reconciliação.”

Na véspera do Natal de 2024, uma árvore natalina foi incendiada na cidade de Suqaylabiyah. Dias antes, homens armados dispararam contra uma igreja ortodoxa grega em Hama. Em todo o país, as celebrações religiosas ocorreram sob forte aparato de segurança, reflexo do clima de tensão generalizada.

“O Natal passado foi extremamente difícil para os cristãos sírios. O medo era real, no nível mais alto, de que poderíamos ser massacrados”, pontuou Nassar. Com informações Christian News

 

 

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