Organização denuncia que as autoridades estão usando a minoria cristã “como bode expiatório” em meio à crise política e econômica
Por Patricia Scott
Pelo menos dez cristãos foram presos nas últimas semanas durante a repressão a protestos contra o regime islâmico no Irã, país que ocupa a 10ª posição na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026, elaborada pela Missão Portas Abertas. As detenções ocorreram em meio a uma onda de manifestações populares que se espalhou por todas as 31 províncias do país e vem sendo duramente reprimida pelas autoridades. Milhares já morreram, e o governo tem imposto pena de morte aos manifestantes.
Segundo informações repassadas por fontes locais à organização Barnabas Aid, que atua no apoio a cristãos perseguidos, os detidos foram acusados de liderar atos contra o governo e de ameaçar a segurança nacional. As prisões começaram em 4 de janeiro e se concentraram em três cidades da província de Fars, uma das áreas mais impactadas pelos protestos iniciados em Teerã no fim de dezembro e que rapidamente ganharam dimensão nacional.
Líderes ligados à Barnabas Aid alertam que os cristãos, historicamente tratados com desconfiança pelo regime, passaram a sofrer pressão ainda maior durante o atual período de instabilidade. De acordo com a organização, há indícios de que as autoridades estejam usando a minoria cristã “como bode expiatório”, atribuindo aos fiéis a organização ou o estímulo às manifestações populares, apesar da ausência de provas concretas.
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Relatos de cristãos no país apontam para um clima generalizado de medo. Igrejas domésticas estariam sendo monitoradas, residências invadidas e fiéis interrogados com base em suspeitas frágeis, como conversas em espaços públicos. Um pastor de uma comunidade clandestina afirmou que o governo busca associar os protestos a uma suposta interferência estrangeira, utilizando os cristãos como alvo por suas conexões internacionais.
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Pastor é condenado por improbidade administrativa - Wilton Melo Acosta usou recursos da CredQuali para fins particulares, incluindo compra de veículos e custeio de evento A repressão aos protestos tem sido marcada por violência extrema. Autoridades iranianas afirmaram à agência Reuters que cerca de duas mil pessoas morreram nos confrontos, enquanto a organização Iran Human Rights, sediada na Noruega, contabiliza ao menos 648 manifestantes mortos e mais de 10 mil presos.
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Em paralelo, organizações de direitos humanos lembram que, apesar da perseguição sistemática — que inclui a proibição de igrejas, Bíblias e evangelismo. No entanto, a igreja cristã clandestina segue crescendo no Irã, conforme apontam relatórios independentes como o do grupo Article 18.
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