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sexta-feira, 17 setembro 2021

Cristãos são atacados e presos no Sudão

“Os cristãos continuarão a ter dificuldade em obter licenças de construção para novas igrejas, já que o governo não quer ofender os muçulmanos locais”

Por Marlon Max

Segundo informações da missão Portas Abertas, no dia 3 de julho, o cristão Boutros Badawi viajava para casa em Cartum, capital do Sudão, quando homens armados pararam o carro, o forçaram a sair e o atacaram. Os agressores exigiam que ele parasse de falar sobre propriedades confiscadas da igreja, questões em curso em torno dos comitês da igreja, e controle dos ativos da Igreja Evangélica Presbiteriana do Sudão.

De acordo com o portal de notícias Christian Solidarity Wordwide (CSW), Badawi é conselheiro do Ministro da Orientação e Doações Religiosas e tem levantado questionamentos sobre “a demora do governo em resolver injustiças históricas vivenciadas pela comunidade cristã, inclusive a devolução de propriedades, a emissão de certificados de registro para propriedades da igreja e o reconhecimento oficial de comitês legítimos da igreja”.

No dia 28 de junho, outro líder cristão foi preso em Cartum sob a acusação de “se passar por outro”. Rafat Obid, líder da Igreja Presbiteriana Evangélica do Sudão, foi acusado de chefiar um comitê ilegítimo da igreja. As acusações vêm de uma comissão estabelecida pelo ex-presidente, Omar al-Bashir, quando a interferência dos governantes nos assuntos religiosos era algo recorrente. Na época, o Ministério da Orientação e Doações Religiosas havia dado ao comitê a autoridade para interferir nos assuntos da igreja.

Sentimento anti-cristianismo persiste

Embora o governo de transição do Sudão tenha se esforçado para melhorar os padrões de direitos humanos no país, inclusive da liberdade religiosa, a sociedade continua dominada pelo islã. Segundo Portas Abertas, por essa razão, as mudanças são lentas.

“Os cristãos continuarão a ter dificuldade em obter licenças de construção para novas igrejas, já que o governo não quer ofender os muçulmanos locais”, aponta um relatório da missão.

Em maio, um prédio da igreja, que foi reconstruído depois de ser destruído por um incêndio criminoso no ano passado, foi demolido novamente, após ameaças de moradores e autoridades locais. Três meses antes, um líder cristão foi preso e interrogado por oficiais de segurança que o advertiram para não começar uma nova igreja, pois o cristianismo era “mau”.

Segundo o parceiro da Portas Abertas, essa situação mostra que ainda existe um forte anti-cristianismo na sociedade. “A comunidade internacional deve continuar a envolver o governo sudanês nessas questões, encorajando-o a encontrar e punir os criminosos. Esse tipo de intimidação só será reduzido se ficar claro que a impunidade para esses ataques é coisa do passado”, finaliza.

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