No documento divulgado, não está claro se os “direitos fundamentais” incluem o aborto, a união homoafetiva ou a identificação como sexo oposto
Por Patricia Scott
No Reino Unido, os cristãos correm o risco de serem considerados “extremistas”. Isto porque o governo elaborou uma nova definição para o termo.
“Extremismo é a promoção ou avanço de uma ideologia baseada na violência, no ódio ou na intolerância, que visa: negar ou destruir os direitos e liberdades fundamentais de terceiros; ou minar, derrubar ou substituir o sistema de democracia parlamentar liberal e de direitos democráticos do Reino Unido; ou criar intencionalmente um ambiente permissivo para que outros alcancem os resultados em (1) ou (2)”, anunciou as autoridades, nesta quinta-feira (14).
A Christian Concern, instituição que defende a liberdade religiosa, pediu que o governo esclareça quais são os direitos considerados fundamentais na nova definição de extremismo. “É preciso deixar claro que os ‘direitos fundamentais’ não incluem o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a identificação como sexo oposto”, afirmou Andrea Williams, diretora-executiva da organização.
Ela destacou que “sem este esclarecimento, os cristãos que expressam a crença legítima de que o casamento é entre um homem e uma mulher correrem o risco de serem considerados ‘extremistas’ pelo governo”. Andrea analisou ainda que a nova definição de extremismo não é adequada ao seu propósito. “É absurdo que os cristãos possam ser considerados ‘extremistas’ por acreditarem no casamento real ou por serem pró-vida”.
Argumento governamental
Segundo o governo, a nova definição mais restrita é uma resposta ao aumento da ameaça extremista a partir dos ataques terroristas sofridos por Israel, em 7 de outubro. No entanto, a Christian Concern, , advertiu que a atualização poderá considerar extremistas os cristãos contrários a “direitos fundamentais”.
Desse modo, os seguidores de Cristo que não concordam com o aborto, que são opositores ao casamento gay e críticos à ideologia de gênero poderão ser enxergados como opositores ao “direito fundamento ao aborto” e ao “direito de identificação”. Assim, classificados como “intolerantes”, que negam “direitos e liberdades fundamentais”.
De acordo com a Christian Concern, a Prevent (Programa Anti-terrorismo do Reino Unido) colocou a bandeira pró-vida na lista de ideologias com potenciais sinais de extremismo. Cabe lembrar que cristãos já foram denunciados ao programa por expressarem crenças religiosas.
Um deles é o reverendo Bernard Randall, um capelão escolar. Ele foi denunciado à Prevent por pregar que os alunos são livres para discordarem da ideologia LGBT. E a professora cristã Svetlana Powell por afirmar “Deus te ama” para uma aluna lésbica. Com informações Christian Concern

