Cristãos na África enfrentam constantes ataques

Foto: Divulgação
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A violência e a intolerância contra os cristãos na África está cada vez maior, atingindo altos níveis de perseguição religiosa

De acordo com o líder da igreja na República Centro-Africana, Dieudonne Nzapalainga, na Nigéria, Burkina Faso e Moçambique, houve um aumento de ataques a cristãos, incluindo líderes e igrejas nas últimas semanas.

Burkina Faso, país da África Ocidental, em particular, viu um forte aumento nos ataques este ano, como parte de uma insurgência islâmica no país.

“Os imãs que se opõem à agenda islâmica também estão ameaçados”, acrescentou Marco Mörschbacher, consultor africano da organização de ajuda a missionários cristãos. Ele disse que as causas da violência variam de país para país, envolvendo religião, acesso a recursos naturais e outros motivos.

A instabilidade política global tornou o mundo em geral um lugar mais volátil, disse Nzapalainga, alertando que as pessoas não devem cair na armadilha de responder à violência usando a violência.

Um analista de perseguição da Portas Abertas relata que “Burkina Faso e Mali viram um aumento nos conflitos étnicos alimentados por militantes. Grupos islâmicos ligados à al-Qaeda e ao Estado Islâmico vêm realizando ataques em países da África Ocidental há anos, principalmente na região norte da fronteira”.

Um documento produzido anualmente pela Missão Portas Abertas, e que classifica os 50 países que mais perseguem cristãos no mundo, mostrou que 18 dos 23 países com ‘altos’ níveis de perseguição aos cristãos podem ser encontrados na África Subsaariana, onde a governança é fraca, a pobreza e o islã radical crescem a cada dia. Além dos 50 países, existe outra lista de países em observação, em que Burkina Faso está em 61º lugar.

PRESENÇA CRISTÃ EM BURKINA FASO

O aumento do extremismo islâmico tem tirado a paz dos cristãos em Burkina Faso. Os deslocamentos forçados, a fome e o medo fazem parte do dia a dia de irmãos e irmãs, e os líderes cristãos do país estão clamando por ajuda para enfrentarem os resultados da violência física e emocional. Apesar da Constituição de 2012 prever a liberdade religiosa, os jihadistas têm ignorado as leis.

“Os valores da tolerância, perdão e amor, que têm sempre guiado o país, foram agredidos. A liberdade de adorar, consagrada em nossas leis, também foi desafiada”, afirma o pastor Henri Ye, líder da Federação de Igrejas e Missões Evangélicas (FEME).

Com 60% da população professando a fé islâmica, Burkina Faso tem 25% de cristãos e o restante segue as religiões tradicionais africanas. A maioria dos muçulmanos vive ao norte do país, já os cristãos ficam localizados no centro e no sul. O cristianismo chegou no país no início do século 20 com a presença de missionários franceses. Porém, as práticas das religiões tradicionais africanas têm encontrado lugar entre muitos muçulmanos e cristãos, resultando em um sincretismo religioso.

DISCRIMINAÇÃO

A violência contra cristãos está se intensificando mesmo com o apoio das Forças de Segurança Nacional. Nesse momento, o líder cristão Laurent Birfuoré Dabiré pede ajuda internacional: “Se o mundo continuar a não fazer nada, o resultado será a eliminação da presença cristã”.

De acordo com dados do governo de Burkina Faso, divulgados em 4 de abril, no mínimo, 30 civis foram mortos em violência entre comunidades no norte de Burkina Faso e mais 32 mortes foram contabilizadas em ataques de militantes islâmicos no país.

Os atos ocorreram entre os dias 31 de março e 2 de abril de 2019 na província de Soum, na região da fronteira com Mali.

Além desses ataques, outros foram orquestrados no país neste ano. Na semana do dia 25 de outro, mais 19 pessoas foram vítimas de grupos jihadistas no norte do país.


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