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quarta-feira, 6 julho 2022

Cristãos iranianos são obrigados a fazer aulas de reeducação islâmica

Foto: Reprodução

Apesar de inocentados das acusações, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica exige que os homens passem por sessões com líderes islâmicos 

Por Patricia Scott 

Após serem absolvidos pela justiça, no final do ano passado, oito cristãos iranianos foram informados de que precisam frequentar aulas de “reeducação” com líderes islâmicos. A obrigatoriedade é exigida pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, um ramo de segurança originalmente fundado em 1979 para proteger o regime islâmico no país. O Irã aparece em 9º lugar na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2022, de Portas Abertas, entre os 50 países que mais perseguem cristãos o mundo.

Eles foram presos, na cidade de Dezful, no oeste do Irã, sob a acusação de “propaganda contra a República Islâmica do Irã”, em abril, segundo Portas Abertas. No entanto, o promotor do Tribunal Civil e Revolucionário de Dezful, em novembro, sentenciou a inocência deles. A justificativa apresentada pelo magistrado é que os homens “meramente se converteram a uma religião diferente” e “não realizaram nenhuma propaganda contra outros grupos”. O promotor ressaltou ainda que, embora a “apostasia” [pregar outra religião que não seja o islamismo] possa gerar punição sob a lei islâmica, não é uma ofensa criminal sob as leis do país.

‘Crenças desviantes’
Os cristãos convertidos do islamismo permanecem sendo levados ao tribunal por causa da fé, diz Portas Abertas. Três homens da cidade de Rasht, no norte, Ayoob Poor-Rezazadeh, Ahmad Sarparast e Morteza Mashoodkari, enfrentam 10 anos de prisão por “envolver-se em propaganda e atividades educacionais relacionadas a crenças desviantes contrárias à sagrada Sharia” e “conexões com estrangeiros líderes”. Como o Cristianismo é considerado uma religião ocidental, fere as leis e práticas do islamismo vigente no país. É importante salientar que a Sharia (significa lei) é um conjunto de leis e normas com base no Alcorão e na prática islâmica.

As acusações contra os três cristãos têm como base legal as mudanças no código penal que vigoram desde o ano passado. Ele que inclui “as ‘atividades educacionais desviantes contrárias ao islã’ vagamente definidas, que já foram usadas contra vários outros cristãos”.

Quatro dos oito cristãos inocentados pela justiça – Foto: Portas Abertas

Em contrapartida, a Suprema Corte do Irã revisará a sentença de 10 anos de prisão do cristão convertido Nasser Navard Gol-Tapeh. Ele foi preso por ser membro de uma igreja doméstica e condenado por “agir contra a segurança nacional” em julho de 2017. Até o momento, segundo Portas Abertas, todos os pedidos de novo julgamento foram rejeitados. Durante os últimos quatro anos de prisão, Nasser se posicionou. Na última carta aberta da prisão de Evin, ele escreveu: “Eles querem acabar conosco [cristãos de língua persa] e fazer parecer que nunca existimos… não desistimos”.

A falta de uma posição oficial sobre a apostasia, informa Portas Abertas, continua a levar a decisões inconsistentes nos tribunais, como, por exemplo, neste último caso em Dezful, onde um promotor individual optou pela clemência. Entretanto, de acordo com Portas Abertas, os cristãos têm medo de que, até que uma linha oficial seja traçada, o próximo juiz tenha uma opinião diferente, o que afetará nas sentenças.

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