Cristãos indígenas na América latina

Foto: Portas Abertas

Nos dois países que fazem parte da Lista Mundial da Perseguição, México e Colômbia, líderes indígenas obrigam cristãos a deixarem suas comunidades ou negar sua nova fé

O antagonismo étnico é um dos principais motores de perseguição para os cristãos indígenas da América Latina. Líderes indígenas percebem os cristãos entre seus povos como uma “ameaça” à sua cultura e tradições religiosas.

Endossados pelas autoridades locais, eles excluem os cristãos dos serviços sociais básicos, assediam ou atacam famílias cristãs. O México e a Colômbia são os dois países da América Latina que estão na Lista Mundial da Perseguição, que classifica os 50 países que mais perseguem os cristãos no mundo.

Por não concordarem em pagar taxas para festividades religiosas, famílias são proibidas de matricular seus filhos em escola mexicana. Um grupo de famílias cristãs em Huejutla, no estado mexicano de Hidalgo, está exigindo mais uma vez o acesso à educação para seus filhos. Um ano atrás, eles foram impedidos de entrar na escola local.

Em agosto de 2018, 33 crianças, todas em idade escolar e pertencentes a 25 famílias cristãs, não foram autorizadas a entrar na escola porque suas famílias não pagaram as taxas para as autoridades locais pelas festividades em sua comunidade.

Na época, a Portas Abertas no México facilitou o diálogo entre as famílias cristãs e os líderes locais, mas nenhum acordo foi alcançado. O vice-secretário do governo na região de Huasteca se ofereceu para pagar as multas impostas ao grupo de famílias, mas a oferta foi recusada pelos cristãos porque alegavam que os líderes indígenas locais não podiam forçá-los a participar de rituais católicos que eles não concordam.

Uma missionária na Colômbia caminha por 10 horas à noite para evangelizar indígenas. Evangelismo já alcançou 200 índios

Quase um ano se passou e agora o líder desse grupo de cristãos está pedindo à ONG que intervenha para tentar mais uma vez chegar a um acordo com as autoridades do Estado. Eles estão pedindo que seus filhos sejam transferidos para outra escola, pois os líderes indígenas descartaram qualquer possibilidade de tê-los de volta na escola local.

Ano passado, as crianças não tiveram uma educação formal. Um grupo de jovens voluntários cristãos as ensinaram em suas próprias casas de maneira informal.

Já na Colômbia, em julho do ano passado, as autoridades indígenas expulsaram os pastores da comunidade Emberá Katíoc, em Córdoba, no nordeste da Colômbia, porque eles não queriam que continuassem trabalhando lá.

Colômbia: maioria indígena

Cerca de 3,4% da população colombiana se considera indígena, segundo o censo geral de 2005. Cerca de 0,7% se identificam como Wounaan. Os missionários que chegaram ao Wounaam na década de 1970 foram bem recebidos.

No entanto, na década de 1990, as autoridades indígenas se opuseram fortemente à expansão do cristianismo, proibindo a presença dos missionários e expulsando os cristãos. Vários pastores de Wounaan suportaram tentativas de assassinato, expulsões e total exclusão das comunidades.

Em dezembro de 2018, um líder cristão recebeu ameaças de morte. Em janeiro, os cristãos da comunidade Wounaan foram expulsos de seus empregos e também ameaçados de morte, disseram fontes locais à Portas Abertas.

*Com informações de Portas Abertas


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