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segunda-feira, 15 DE dezembro DE 2025

Cristãos devem respeitar a sua nação, não idolatrá-la, alerta pastor

O movimento foi liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca (de barba branca, em pé ao centro), comandante militar respeitado e que se tornaria o primeiro presidente do país. Aqui na foto, durante exercícios Militares na Praia Vermelha, em 1885. Foto: Marc Ferrez/ Arquivo

O dia 15 de novembro marca o fim da monarquia no Brasil e o início do regime republicano. Bíblia dá orientações sobre como lidar com a pátria 

Por Cristiano Stefenoni

Apesar de muitos brasileiros só se importarem com o feriado do dia 15 de novembro, a data, que este ano cai no sábado, celebra a Proclamação da República. Ela marca o fim da monarquia no Brasil e o início do regime republicano. O fato ocorreu em 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, então capital do país, quando um movimento político-militar depôs o imperador Dom Pedro II. Em tempos de polarização política no país, onde muitos trocaram o patriotismo pelo fanatismo, fica a pergunta: afinal, como cristão deve lidar com a sua nação?

O pastor e professor Luciano Estevam Gomes, assessor da Direção Geral da Rede de Educação Batista explica que, apesar da Bíblia ensinar que os cristãos são “peregrinos e forasteiros” neste mundo (1 Pedro 2:11), pertencentes a uma pátria celestial (Filipenses 3:20), não significa que devemos desprezar a terra onde vivemos.

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“Jeremias 29:7 orienta o povo de Deus, mesmo em exílio, a buscar o bem da cidade. Assim, o cristão é chamado a exercer uma cidadania responsável, contribuindo para o bem comum, respeitando as autoridades (Romanos 13:1-7) e sendo exemplo de honestidade, amor ao próximo e justiça”, ressalta Gomes.

O pastor lembra ainda que a Palavra de Deus orienta o cristão a orar pela nação mesmo quando não estamos felizes com ela. Ele cita 1 Timóteo 2:1-2, quando Paulo instruí Timóteo a exortar os crentes a orarem por todos os que exercem autoridade, para que haja paz e piedade.

“Orar pela pátria não significa concordar com tudo o que acontece nela e através dela, mas interceder para que Deus traga arrependimento, justiça e direção aos governantes e ao povo, através da pregação do evangelho. A oração é também um antídoto contra o ressentimento e a desesperança, porque ela transforma o coração do intercessor e o mantém sensível à voz de Deus”, enfatiza.

Contudo, o pastor afirma que há diferença entre patriotismo e fanatismo. “O amor pela pátria deve nascer do reconhecimento da graça de Deus sobre o lugar onde vivemos e do desejo de ver o propósito de Deus se cumprindo próximo. Contudo, esse amor se torna idolatria quando se substitui a lealdade a Cristo por fidelidade cega a ideologias, partidos ou líderes. O equilíbrio está em servir à nação como expressão do amor cristão, mas manter o coração firmado no Reino eterno”, alerta.

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Além disso, quando o assunto é patriotismo, o pastor lembra que a igreja deve ser voz profética, mas com presença pacificadora. “Isso significa denunciar o pecado e a injustiça, mas também promover reconciliação, esperança e serviço. A missão da igreja não é político-partidária, mas espiritual e social, refletindo o caráter de Cristo na esfera pública. O testemunho da igreja é mais poderoso quando ela age com humildade, verdade e amor”, afirma.

O pastor completa dizendo que a igreja tem o dever de ensinar ao povo, que ainda não teve uma experiência transformadora com Deus, valores éticos, incentivar a participação cidadã responsável na sociedade, principalmente nos conselhos municipais, e interceder pela nação, sem se deixar cooptar por polarizações que só afastam ao contrário de testemunhar.

“Em resumo, o cristão é chamado a amar sua pátria sem idolatrá-la, a orar por ela mesmo em tempos difíceis e a agir como sal e luz, lembrando sempre que sua verdadeira cidadania está no Reino de Deus”, finaliza.

Sobre a Proclamação da República

O que foi

A Proclamação da República marcou o fim da monarquia no Brasil e o início do regime republicano. O fato ocorreu em 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, então capital do país, quando um movimento político-militar depôs o imperador Dom Pedro II.

Por que aconteceu — As principais causas

1. Crise do Segundo Reinado

– A monarquia vivia desgaste político, econômico e social:

– Dom Pedro II estava debilitado e desmotivado em relação ao governo.

– O Império tinha dificuldades em modernizar o país em ritmo adequado.

2. Ruptura com grupos de poder

– Vários setores influentes romperam com o Império:

– Militares: sentiam-se desvalorizados, sem autonomia e sem aumento salarial. Eram influenciados por ideias positivistas, que pregavam o progresso via república.

– Café-com-leite / Elite agrária: sentiam perda de poder após a abolição da escravidão, feita sem indenização aos proprietários em 1888.

– Igreja Católica: conflitos com o governo após a chamada Questão Religiosa, quando o Império puniu bispos que seguiram ordens do Vaticano sem autorização estatal.

3. Abolicionismo e consequências

– A abolição da escravatura (Lei Áurea, 1888) fez fazendeiros escravistas se afastarem do imperador. A monarquia perdeu um dos seus últimos pilares sociais.

4. Ideias republicanas

O republicanismo crescia, especialmente entre:

– Intelectuais

– Jornalistas

– Militares

– Fazendeiros do Oeste paulista

– O lema “Ordem e Progresso”, da bandeira atual, nasce do positivismo de Auguste Comte, muito influente no Exército.

Como ocorreu o Dia 15 de Novembro

– O movimento foi liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, comandante militar respeitado.

– Militares marcharam até o quartel-general e exigiram a queda do gabinete ministerial.

– O Imperador foi informado da deposição e não reagiu.

– Um governo provisório foi instalado imediatamente.

– A família imperial foi posta em navio rumo à Europa na madrugada do dia 17 de novembro.

Por que 15 de Novembro virou feriado

A data marcou o rompimento oficial com o regime monárquico e passou a simbolizar:

– O início da república presidencialista no Brasil,

– A adoção de novos símbolos, como bandeira e hino,

– A reorganização institucional do país.

– O feriado foi oficialmente instituído na virada do século XIX para XX e reafirmado pela legislação republicana posterior.

Consequências imediatas

– Fim da monarquia e criação da Primeira República (1889–1930).

– Nova Constituição em 1891, estabelecendo:

– Voto direto (mas não universal — mulheres, analfabetos e pobres eram excluídos);

– Separação entre Igreja e Estado;

– Federalismo.

– Ascensão política das oligarquias regionais, especialmente SP e MG.

Curiosidades históricas

– Não houve combate: foi um golpe militar sem confronto armado.

– Dom Pedro II aceitou quietamente e não quis provocar guerra civil.

– Boa parte da população sequer compreendeu o que estava acontecendo no dia.

– O primeiro presidente do Brasil, Marechal Deodoro, não era republicano convicto – ele defendia a monarquia até pouco tempo antes do golpe.

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