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terça-feira, 18 janeiro 2022

Cristãos de países da Ásia Central sofrem com o reflexo do Talibã

São 2,2 milhões de refugiados afegãos que estão em outras regiões. O Afeganistão é o segundo no ranking da Lista Mundial da Perseguição 2021 elaborada por Portas Abertas

Por Patricia Scott

O Afeganistão foi tomado pelo Talibã – grupo radical islâmico com ligações com a rede terrorista Al-Qaeda – no último dia 15 de agosto. Com a saída das tropas dos Estados Unidos, depois de 20 anos em terras afegãs, milhares de pessoas fugiram do país com medo do estabelecimento do novo governo político e religioso.

São 2,2 milhões de refugiados afegãos que estão em outras regiões. O Afeganistão é o segundo no ranking da Lista Mundial da Perseguição 2021 elaborada por Portas Abertas.

Conheça relatos de cristãos que tiveram seus países afetados na Ásia Central a partir dos acontecimentos recentes no Afeganistão. O nome dos países foi suprimido por motivos de segurança.

Basim*
“A situação no Afeganistão causa muitas preocupações em nosso país. A maioria das pessoas tem medo, mas também há aquelas que querem que o islã radical seja a ideologia dominante aqui. Não há informações oficiais, por isso há muitos rumores. Disseram que o presidente organizou secretamente conversas com o Talibã e até enviou algum apoio humanitário, apesar da situação difícil com comida em nosso país.”

“Sobre os refugiados — sabemos que nossas autoridades não os deixam entrar, mas há alguns que entram e permanecem ilegalmente. Organizamos uma corrente de oração para as situações no Afeganistão e em nosso país também. Pedimos a proteção de Deus.”

Em muitos países vizinhos, sequer há água – Foto: Portas Abertas

Hamad*
“Infelizmente, a situação perto da fronteira com o Afeganistão está piorando. O número de pessoas cruzando ilegalmente para o nosso país é enorme. Alguns foram pegos pelos guardas da fronteira e enviados de volta. Outros se escondem. Como cristãos, devemos estar abertos a aceitar pessoas que sofrem, mas e se os radicais vierem entre eles? Precisamos de sabedoria de Deus. Como cristãos, não rejeitamos os refugiados, mas os aceitamos e servimos.”

“Além disso, a situação econômica do nosso país é muito ruim. Muitas pessoas são extremamente pobres e famintas. A situação no Afeganistão piora as coisas. Não há uma posição oficial clara do nosso governo sobre isso e nem informações suficientes, apenas rumores, o que deixa as pessoas com medo e preocupação.”

Nazim*
“Recentemente, traficantes de drogas afegãos, que cruzaram a fronteira ilegalmente, mataram um guarda de fronteira. Nosso governo não deixa os refugiados do Afeganistão entrarem, incluindo cristãos. Eles são enviados de volta para seu país, o que significa morte para eles porque o Talibã mata os que tentam fugir, especialmente os cristãos.”

“Meu amigo mora nessa parte do país. É pastor. Ele compartilha que todos os dias as pessoas do Afeganistão nadam pelo rio e se escondem em campos. Os guardas de fronteira procuram por essas pessoas naquela área, as encontram e enviam de volta. E sabemos que há refugiados afegãos em nossa capital e outras cidades. Não temos ideia de como eles chegaram até aqui. Estão se escondendo para que não sejam descobertos pela polícia e enviados de volta.”

“Também apoiamos outras famílias cristãs e não cristãs nessa área com alguns pacotes de alimentos e água, pois quase não há água limpa lá há cerca de três anos. Os rios estão secando e estão fortemente poluídos ao ponto das pessoas tirarem água de valas sujas e de rios residuais.”

Ammin*
“A situação no Afeganistão é motivo de crescente preocupação para nosso povo. Sabemos que oficialmente nosso governo apenas permite um número limitado de pessoas em um campo especial de refugiados, mas também podemos ver o crescente número de refugiados nas cidades. Como líder da igreja e missionário, viajo muito e realmente vejo isso.”

“Há rumores de que o Talibã quer aumentar a influência para todos os países vizinhos da Ásia Central, por isso é possível que eles enviem agentes entre os refugiados para realizar as atividades. É tão triste que o alto nível de corrupção em nosso país seja a razão pela qual tais planos terríveis do Talibã poderiam se tornar possíveis.”

“Sabemos que nossa resposta cristã a tais mudanças tristes é a oração. Fazemos deste tema um dos principais em nossa igreja e reuniões domiciliares. Por favor, interceda conosco por essa situação.”

*Nomes alterados por segurança.

Com informações Portas Abertas 

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