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quarta-feira, 29 maio 2024

Cristã supera violência doméstica e faz alerta sobre saúde mental

Foto: Reprodução / Imagens Getty.

A cristã Helena Lovejoy-Knowlton decidiu ajudar outras mulheres vítimas da violência doméstica e faz um alerta para a omissão da igreja 

Por Victor Rodrigues 

Após sofrer anos de abuso em seu casamento, a cristã Helena Lovejoy-Knowlton decidiu ajudar outras mulheres vítimas da violência doméstica. Ela sobreviveu a 19 anos nessa situação.  

Em janeiro de 2020, ela iniciou o projeto ARISE Healing Community, que auxilia mulheres cristãs e que sofreram diversas formas de abuso. 

Embora ela finalmente tenha encontrado coragem para se divorciar do relacionamento tóxico, sua saúde mental já estava se deteriorando. Logo, ela passou dois anos em terapia e ficou tão doente que que quase morreu. E passou três anos em terapia de trauma.

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Assim também, ela criou um site que ajuda mulheres a detectar abusadores, intitulado Confusion to Clarity, e também um grupo no Facebook

A igreja e a violência doméstica 

Quando os cristãos sofrem abuso conjugal e procuram os líderes religiosos em busca de apoio, alguns descobrem que suas igrejas estão mal equipadas ou não têm recursos para lidar com o problema de maneira eficaz.

Assim, algumas igrejas, segundo sua tradição e teologia, definem “abuso” como um fator não legítimo para a separação ou divórcio.  “Comecei a ver que as mulheres estavam realmente lutando com seu pânico, medo, confusão, ansiedade, entorpecimento e outras reações de trauma”, disse Lovejoy-Knowlton.

“Mas elas estavam se culpando por todas essas respostas porque ninguém na comunidade cristã estava explicando que essas eram reações de sobrevivência dadas por Deus a abusos e ameaças”, completa. 

Após repetidos abusos, as vítimas permanecem em constante estado de alerta máxima o tempo todo, e as cristãs que vivenciam isso, muitas vezes se sentem fracas e culpadas, como se estivessem em pecado. 

Cristã supera violência doméstica e faz alerta sobre saúde mental
Helena Knowlton. Foto: Reprodução.

Alerta máximo

Helena buscou conhecimento em leituras e em especialistas a respeito do tema. E aprendeu com o famoso autor Bessel van der Kolk, que é psiquiatra, autor e pesquisador norte-americano, que o cérebro está intrinsecamente ligado com a saúde mental do indivíduo e do seu corpo.

Segundo o psiquiatra e especialista, “o mundo é experimentado com um sistema nervoso diferente. A energia do sobrevivente agora se concentra em suprimir o caos interior, às custas do envolvimento espontâneo em suas vidas”, pois o trauma “desliga o cérebro cognitivo”. 

Dessa forma que Lovejoy-Knowlton iniciou um programa para sobreviventes de abuso entenderem o que estava acontecendo com seus corpos, com o objetivo de ajudá-los a se curar e aprender a se reconectar emocionalmente com sua força interior que o abuso danificou.

Ela também queria fornecer um lugar para as mulheres se reconectarem com Jesus e desvendar os ensinamentos distorcidos e inverdades que eles haviam aprendido ao longo dos anos.

A igreja e o abuso 

Algumas igrejas estão contribuindo com mais traumas para vítimas já traumatizadas pelo que estão ensinando, particularmente em relação a como respondem aos sobreviventes de abuso.

Seu grupo no Facebook tem aproximadamente 4.500 membros. E 89% responderam que haviam sido diagnosticadas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), agravado quando sentiram que as comunidades de fé minimizaram seu abuso. 

“Quando somos abusados, nosso corpo fica preso em um estado de trauma e causa uma desregulação total do sistema nervoso do nosso corpo, das substâncias químicas em nosso corpo e muito mais. Estar nesse estado de trauma preso não é uma escolha, é um E assim, mesmo depois de deixarmos o abuso, esse estado continua porque nosso corpo e cérebro estão muito desregulados. É como um motor acelerando o tempo todo ou incapaz de dar partida”, disse Lovejoy-Knowlton.

“Alguns líderes da igreja estão ignorando o corpo e a conexão coração-cérebro, e eles pensam que a oração ou a renovação da mente é a solução para absolutamente tudo. Mas se você tivesse uma perna quebrada, você não tentaria curá-la apenas com oração”, completa dizendo sobre a importância das cristãs buscarem ajuda psicológica. 

Abuso, guerra espiritual e Efésios 6

Quando as esposas abusadas entendem o abuso encoberto e percebem o tormento psicológico que estão sofrendo de seu cônjuge, geralmente percebem que não são casadas com um cristão crente. A natureza do mal também se torna mais aparente.

O que muitas vezes se segue a essas percepções é outra percepção de que eles estão com raiva de Deus. Mas eles também descobrem que o sentimento de traição por Deus é realmente equivocado. Seus sentimentos ruins sobre o que aconteceu com eles devem ser direcionados para um sistema de igreja, muitas vezes disfuncional, e para o mal que estava, por qualquer motivo, operando dentro dele.

*Com informações de The Christian Post. 

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