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terça-feira, 18 janeiro 2022

Crise política se agrava no Sudão e ameaça igrejas

A igreja está de alguma forma presa no meio de tudo isso, incerta do que o futuro pode trazer

Por Marlon Max

Dezenas de milhares de sudaneses protestaram nas ruas da capital Cartum e outras cidades na última quinta-feira (25 de novembro), conforme informou a agência de notícias Reuters. As manifestações visam pressionar os líderes militares, depois que eles fecharam um acordo para trazer de volta o primeiro-ministro civil, deposto no golpe de 25 de outubro.

Partidos políticos proeminentes e o movimento de protesto do Sudão se opuseram à decisão do primeiro-ministro Abdalla Hamdok de assinar o acordo com os militares, com alguns chamando-o de traidor ou dizendo que ele fornece cobertura política para o golpe.

Fontes do campo relataram sentimentos semelhantes entre os sudaneses. Muitos veem o primeiro-ministro Hamdok como um traidor porque ele não mencionou nada sobre as mais de 40 pessoas mortas e muitas outras feridas nas semanas desde o golpe. “Como é que você está colocando sua mão na mão ensanguentada (dos militares) antes que eles a limpem?”, perguntavam os manifestantes.

Embora o novo acordo de divisão de poder permita que presos políticos sejam libertados, muitos jovens, professores e outros continuam desaparecidos. A Associação de Profissionais do Sudão, que nomeou Hamdok como primeiro-ministro há dois anos, recusou-se a reconhecer o acordo, descrevendo-o como “uma traição e suicídio político”.

A reação da igreja no Sudão

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Protestos no Sudão. Foto: Reprodução

Os cristãos esperam que o novo governo implemente os acordos constitucionais alcançados antes do golpe de maneira plena e eficaz. Se o fizerem, isso pode significar mais liberdade para a igreja. Mas muitos temem que não seja esse o caso.

“Os próximos dias determinarão o futuro e mostrarão claramente como o ambiente político permitirá o direito à liberdade de crença e associação”, comentou uma fonte de campo, que permanece anônima por motivos de segurança.

Preocupações semelhantes foram expressas por um pastor local, cujo nome é omitido por segurança). Em uma mensagem de áudio, ele diz:

“A situação até agora podemos dizer que é desconhecida, mesmo que haja um primeiro-ministro que traga um acordo. Com certeza a população não está concordando com ele. Muitos políticos e os maiores partidos não estão de acordo. Então, há muitas questões, porque eles acham que esse acordo ajuda os militares a estarem no poder por mais tempo.”

“Acham que isso não ajuda em nada, apenas dá mais espaço para os militares controlarem o povo ou o país. Esperamos ver uma diferença no futuro. As pessoas não têm nenhuma esperança sobre o que aconteceu, por isso fazem manifestação, saem em passeata novamente na rua e tentam fazer protestos recusando e rejeitando o que o primeiro-ministro fez.”

“Então, sim, o assunto ainda é muito difícil, e não se sabe bem. Esperamos que tudo dê certo, mas achamos que ainda assim a situação ficará cada vez mais difícil porque ninguém concorda com o primeiro-ministro. Mas esperamos ver algo novo. Esperamos, esperamos.”

“Depois do acordo, Hamdok não falou nada, ele só disse que assinou para interromper o derramamento de sangue no país. É por isso que ele fez isso, mas não sabemos quais são as próximas etapas. Ninguém faz ideia. Como eu disse a vocês, a situação é desconhecida.”

“O povo continua se manifestando e protestando. Eles estão recusando os militares no governo. Os políticos também recusam essa questão. Mas esperamos ver algo em alguns dias. As pessoas querem um governo sem o regime militar neste tempo. Não sabemos o que vai acontecer, mas vamos ver… esperamos para ver.”

Com informações Portas Abertas

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