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quinta-feira, 11 agosto 2022

A crise e os impactos na igreja: como ter uma gestão equilibrada?

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Foto: Reprodução

O cenário político brasileiro não está nada bem. Os reflexos da crise política e econômica e o desafio de manter a gestão da igreja equilibrada. É preciso confiar na provisão de Deus

Por Ivy Coutinho e Syria Luppi 

Além da crise política, o Brasil também passa por uma crise econômica. Esse mês a inflação surpreendeu a todos. Não havia expectativa para essa escalda tão forte nos preços. Ela atingiu 8,99% no acumulado de 12 meses, contra aproximados 2,5% no ano anterior e enquanto a meta para este ano era de 3,75%.

O número de pessoas sem trabalho também cresceu por conta do aumento do contingente que estava fora do mercado e que agora está à procura de uma nova colocação, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitas famílias estão endividadas. A população precisou mudar hábitos de consumo para sobreviver às turbulências, conforme dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

E como estão as igrejas evangélicas diante desse cenário? Segundo o pastor presidente da Igreja Evangélica Batista de Vitória, João Brito, a crise provoca uma alteração nas ofertas espontâneas e no dízimo.

“Com os altos níveis de desemprego, surge a necessidade de se prestar ajuda a quem precisa. As igrejas têm a vocação de dar assistência aos irmãos que estão em situação econômica frágil, o que traz um certo crescimento da receita com projetos de apoio financeiro”, analisou.

Na Primeira Igreja em Vista da Serra, o Pr. Francisco José de Oliveira Castro, o Xicão, concorda que a recessão está afetando a membresia, pois muitos irmãos estão perdendo o emprego. “A arrecadação cai, mas não deixamos de realizar projetos, pois no começo da crise elaboramos um orçamento no qual presumia-se a diminuição desses recursos. Criamos um fundo de reserva que tem sido importante para nós hoje”, falou.

Para o Pr. João Brito, a crise não chegou de surpresa. “Ela foi anunciada! Já esperávamos isso da atual administração. Por isso, nossa igreja se preparou para enfrentá-la. Diminuímos a quantidade de colaboradores e o ritmo das obras. Também temos muita cautela na hora de assumir novos compromissos. A igreja vive de acordo com quem a frequenta. Se o emprego e as condições estão reduzidas, o reflexo chega às igrejas, é fato!”.

Como agir na crise

“É muito importante que os pastores ensinem a igreja a caminhar nesse período adverso e a continuar confiando nas promessas de Deus” – Pastor Ivonildo Teixeira. Foto: Reprodução

A recomendação mais comum dos economistas também vale para a igreja: nunca gastar mais do que se ganha. Especialista em finanças bíblicas, o Pr. Ivonildo Teixeira afirma que não se pode ignorar o tempo de crise.

“Nessas horas, deve-se reorganizar o orçamento de acordo com a nova realidade financeira! É muito importante que os pastores ensinem a igreja a caminhar nesse período adverso e a continuar confiando nas promessas de Deus. Nessas horas temos nossa fé provada. Deus nos diz: ‘Não te deixarei e nem te desampararei’. Basta crer”.

No aperto para manter as atividades e os compromissos em dia, pode-se buscar outra forma de arrecadação? O Pr. Ivonildo recomenda que a igreja fique firme e não desvie do que dizem as Escrituras.

“Só consigo enxergar dois únicos meios na Palavra de Deus para o sustento da igreja com todas as suas necessidades gerais, como projetos de construção, manutenção do templo, evangelismo, missões e obras sociais. São os dízimos e as ofertas. O que passar disso é carnal, vem do homem! Há igrejas organizando eventos, rifando bens, contando com apresentações de artistas gospel. Isso não é correto. Lembro que Jesus se revoltou com o comércio dentro do templo e chicoteou os mercadores da fé”.

Para a jornalista e autora do livro “Bolsa Blindada”, Patrícia Lages, a igreja precisa ser sustentada por seus membros, portanto, é dela a obrigação de levar a eles a prosperidade, e não se deve buscar outras fontes.

“Se os membros não estão tendo condições de sustentar a igreja em que congregam é por não estarem recebendo dela o alimento necessário. De que adiantaria a igreja manter o padrão dos templos com outras fontes e receber em suas boas instalações membros que estão passando por privações em casa? O maior tesouro de uma igreja são seus membros, portanto, é com o padrão de vida deles que elas devem se preocupar. O padrão dos templos será consequência do padrão de vida de seus membros”.

Como ser bem-sucedido financeiramente
Patricia Lages é jornalista e escritora best-seller especialista em finanças

Patrícia chama os pastores ao compromisso com suas ovelhas neste cenário de crise. “Segundo a Palavra de Deus, o pastor é responsável não só em orientá-las, mas também em conduzi-las aos pastos verdejantes, e é isso que deve fazer em qualquer época. Em todas as passagens bíblicas que o povo passou por dificuldades, quer economicamente, quer com qualquer outro tipo de necessidade, obteve resposta quando clamou a Deus e confiou n’Ele”.

“O segredo está em dependermos de Deus em tudo, dando sinceramente 100% do que somos a Ele. A Bíblia diz que aquele que dá recebe; portanto, esta é a maneira de aplicar a Palavra: entregar a Ele tudo o que somos e vivermos 100% em Sua dependência. Havendo submissão total de nossa parte, como Deus nos deixaria na escassez? Sendo Ele justo, obviamente cumprirá Sua Palavra”, adverte Patricia.

Tempos de crise. Tempos de viver milagres

Os profissionais do mundo capitalista oferecem muitos ensinamentos, formas, metodologias e correntes filosóficas para se enfrentar crises financeiras. Mas o pastor Pedro Noia, da Comunidade Batista Cristã, em Vila Velha, alerta que na economia de Deus, dar é sempre melhor do que receber, e o justo nunca vê sua descendência mendigar o pão. “O Senhor é quem edificou e continuará edificando Sua Igreja, provendo o alimento para Seus filhos em tempos de fartura ou escassez. Como escreveu o apóstolo Paulo em Filipenses 4:13, ainda podemos todas as coisas, pois Ele nos fortalece”.

Ivonildo lembra que Jesus, em meio à fome do povo, multiplicou pães e peixes. “O povo estava faminto, e a intervenção de Jesus chegou quando em meio àquele desespero um ilustre personagem quebra aquele quadro preocupante com a doação, uma oferta! Ele faz uma oferta ao estilo da necessidade, uma oferta sacrificial, dá tudo o que Ele tinha, provavelmente, seu lanche: cinco pães e dois peixinhos. A provisão chegou, e a crise se foi”.

O pastor ressalta que, “quando a nossa fé está em Jesus e temos a certeza que Ele está conosco, venha a crise que vier, soprem ventos que quiserem soprar, uma oferta generosa e sacrificial fará com que toda e qualquer ameaça de turbulência econômica bata em retirada. Os pastores devem continuar pregando e ensinando com muito gozo na alma e fé de maneira especial em tempos adversos, sobre a fidelidade nos dízimos e a generosidade nas ofertas! Mostrando à igreja que, se existe algo que jamais pode ser ignorado ou cortado da receita do nosso orçamento e da nossa relação com o Eterno, são os dízimos e as ofertas sagradas! As joias dos dízimos e as pérolas das ofertas têm dono, pertencem ao Senhor”.

Patrícia Lages concorda e destaca. “Tudo é possível àquele que crê. A dica é praticar a Palavra e clamar a Deus pela mudança, depender d’Ele e fazer propósitos que levem os membros a viverem a fé na prática e não alimentá-los apenas com teoria. É hora de viver o exercício da Palavra de Deus e fazer a diferença”.

Administrando a crise financeira no lar

  • Conversar aberta e francamente com toda a família sobre a situação difícil pela qual o país e o lar atravessam.
  • Ensinar os filhos a economizarem nas pequenas coisas.
  • Contar com a ajuda de membros da família nas despesas de casa.
  • Controlar saídas como comer fora de casa e passeios.
  • Enxugar ao máximo despesas com água, luz, telefone.
  • Fazer uma avaliação apurada do uso dos cartões de crédito e de débito.
  • Não entrar no cheque especial nem pagar o mínimo do cartão de crédito.
  • Não fazer empréstimos. Se tiver dívidas, renegocie
  • Desenvolver novas habilidades para ampliar a renda.
  • Monitorar as compras de mantimentos. Prefirir os atacadistas e pesquisar preços.
  • Continuar sendo dizimista e ofertante.

 

Esta matéria é uma republicação exibida na Revista Comunhão – Outubro/2015, produzida pelas jornalistas Ivy Coutinho e Syria Luppi e atualizada em 2021 (Priscilla Cerqueira). Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi originalmente escrita.

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