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sexta-feira, 23 DE janeiro DE 2026

Crise climática: 40 milhões de crianças e adolescentes terão a vida afetada, segundo UNICEF

Foto: Reprodução

No Brasil, 40 milhões de meninas e meninos estão expostos a mais de um risco climático ou ambiental (60% do total) e as mudanças climáticas tem efeito direto na aprendizagem

Em cada 5 crianças e adolescentes, 3 estão expostos a overdose de poluição, segundo relatório da UNICEF que indica maior vulnerabilidade de brasileiros nessa faixa etária, em um contexto de mudanças climáticas. Indígenas, negros e meninas estão entre os mais afetados. É o que revela o relatório Crianças, Adolescentes e Mudanças Climáticas no Brasil, lançado pelo UNICEF. 

O número equivale a 60% do total de meninos e meninas brasileiras. De acordo com o relatório “Crianças, Adolescentes e Mudanças Climáticas no Brasil“, lançado em novembro pela UNICEF, esses milhões de crianças estão expostas a mais de um risco ambiental. Nessa categoria, são incluídos eventos como enchentes costeiras, falta de água e ondas de calor, todos associados às mudanças climáticas.

“A crise climática é uma crise dos direitos das crianças e dos adolescentes”, afirma Danilo Moura, oficial de monitoramento e avaliação do UNICEF no Brasil. No meio disso tudo, as crianças aparecem como as que menos contribuem – em termos de emissão de poluentes, por exemplo – e as que mais são afetadas. Essa condição se dá pelo fato de que são as crianças e adolescentes do presente que vão viver por mais tempo os desastres do futuro. Além disso, são eles que mais dependem de equipamentos públicos, como educação e saúde, alvos da destruição causada por eventos extremos, como enchentes.

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Crise climática: 40 milhões de crianças e adolescentes terão a vida afetada, segundo UNICEF
Foto Divulgação: UNICEF

Em cada 5 crianças e adolescentes, 3 estão expostos a overdose de poluição. Segundo Danilo Moura, “a poluição do ar é especialmente nociva para a saúde das crianças. Ela tem efeitos sobre o desenvolvimento tanto físico quanto psicológico delas”. É olhando os detalhes que se descobre que, de fato, os mais novos sofrem mais: se entre adultos, 2 em cada 5 brasileiros estão expostos a essa overdose de poluição, a taxa vai para 3 em cada 5 no caso de crianças e adolescentes.

Impacto na aprendizagem

O relatório de 2022 também mostra que mudanças climáticas podem ter um efeito direto no direito de aprender de crianças e adolescentes. Isso porque 721 escolas estão em áreas de risco hidrológico, das quais 525 são escolas públicas. Além disto, outras 1.714 estão em áreas de risco geológico, sendo que 1.265 também são públicas.

Somado a isto, especialistas destacam particularidades do cenário brasileiro com situação mais crítica. As regiões da Amazônia e do Nordeste têm as suas alterações no sistema ambiental destacadas. Enquanto a primeira sofre com a má qualidade do ar decorrente de queimadas e do desmatamento – que já atingiu seu recorde anual no Brasil já em outubro de 2022 – a segunda se vê diante de um processo de transição entre semiárido e totalmente árido, que tem a seca como componente.

Vale lembrar que o Brasil já tem 4,2 milhões de crianças (11% do total) expostas a temperaturas extremas, isto é, mais de 80 dias no ano com temperaturas acima de 35 graus. A falta de chuvas tem como efeito o prejuízo na captação e fornecimento de água. Ambos os problemas, porém, já são realidades no Brasil.

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Censo Escolar

Segundo o Censo Escolar de 2019 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 26% das escolas da rede não têm acesso ao abastecimento público de água, e quase 50% não têm acesso à rede de esgoto.

E o cenário desperta a preocupação de especialistas, principalmente quando se consideraque 40% das crianças e adolescentes brasileiros já viviam na pobreza monetária no início de 2020, segundo outro estudo do UNICEF. Entre os adultos, o índice era de 20%.

COP 27

Iniciativas que buscam debater e encontrar soluções para a crise climática que o mundo vive já existem. É onde aparece a 27ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 27. O evento, que reuniu chefes de Estado, diplomatas e cientistas, contou também com a participação inédita de crianças e adolescentes cujo intuito é contribuir na discussão. Especialistas destacam iniciativas como essa, principalmente depois de comprovada a maior vulnerabilidade dos jovens na exposição às mudanças climáticas.

Neste ano, a 27ª edição da COP contou, pela primeira vez, com o Pavilhão da Infância e Juventude. A expectativa da presença foi dar visibilidade e reconhecimento à participação de crianças e adolescentes nos debates e na construção de soluções para a crise do clima. Maria Eduarda, Victor e Tainara foram os três jovens que o UNICEF e a organização da sociedade civil Viração Educomunicação levaram à conferência. 

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