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quinta-feira, 15 DE janeiro DE 2026

Cresce número de latinos que creem em Deus sem frequentar a igreja, aponta estudo

Mesmo com o afastamento da igreja, a fé individual permanece elevada - Foto: FreePik

Religiosidade pessoal permanece forte, enquanto vínculo institucional apresenta queda na América Latina

Por Patricia Scott

Um levantamento conduzido pelo pesquisador Matthew Blanton, da Universidade do Texas, revelou uma mudança significativa no comportamento religioso da América Latina. O estudo indica que cresce o número de pessoas que afirmam acreditar em Deus, mas que não participam regularmente de cultos ou não mantêm vínculo com uma igreja.

O relatório, publicado em setembro, analisou duas décadas de dados coletados em 17 países latino-americanos, com base em entrevistas realizadas com 220 mil pessoas. A pesquisa mostra que, apesar do histórico predomínio católico na região, o cenário está se transformando. O número de protestantes e pentecostais, por exemplo, saltou de 4% da população em 1970 para quase 20% em 2014.

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Ao mesmo tempo, há uma queda no engajamento institucional. Entre 2008 e 2023, a frequência a cultos pelo menos uma vez ao mês recuou de 67% para 60%. Já o percentual dos que nunca vão à igreja passou de 18% para 25%. O grupo sem filiação religiosa também teve crescimento expressivo: de 7% em 2004 para mais de 18% em 2023. Uruguai, Chile e Argentina aparecem entre os países menos religiosos, enquanto Guatemala, Peru e Paraguai lideram o índice oposto.

Mesmo com o afastamento das instituições, a fé individual permanece elevada. De acordo com o estudo, 64% dos entrevistados afirmam que a religião tem grande importância em sua vida — um aumento em relação aos 60% registrados em 2010. Entre os que não frequentam igrejas, 86% ainda dizem crer em Deus ou em uma força superior, além de manifestarem crença em milagres, anjos e na segunda vinda de Jesus.

Para Blanton, essa desconexão entre prática institucional e espiritualidade pessoal é uma característica particular do continente. “A autoridade das instituições religiosas está enfraquecendo, mas a fé permanece. A religiosidade pessoal se mantém estável, em alguns casos até cresce”, afirma. O pesquisador observa que o fenômeno contrasta com Europa e Estados Unidos, onde queda na participação religiosa costuma acompanhar o declínio da crença.

O estudo atribui o fenômeno, em parte, ao sincretismo presente na cultura latino-americana, que mescla elementos indígenas, tradições católicas e práticas protestantes. Segundo Blanton, essa combinação resulta em expressões de fé mais individuais, nem sempre vinculadas a uma denominação. “Para muitos latino-americanos, deixar a igreja não significa abandonar a crença”, conclui.

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