Alta no consumo desses produtos no país reacende a discussão entre aquilo que é para a saúde ou para alimentar a vaidade.
Por Cristiano Stefenoni
Com o aumento da atividade física nas academias após a pandemia e a corrida por um estilo de vida mais saudável, muitos “marombeiros”, ou seja, a turma dos malhadores que se dedicam aos treinos e exercícios, tem apelado para uma série de suplementos e até anabolizantes, em busca do corpo perfeito. Mas como o evangélico deve agir nesses casos? Até que ponto cuidar da saúde pode prejudicar o corpo e o espírito?
O mercado de suplementos alimentares é gigantesco. Só aqui no Brasil, 2,5 milhões de pessoas consomem esses produtos, o que gera um faturamento anual em torno de R$ 2,6 bilhões, com previsão de crescimento e ampla expansão, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri) e da Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos Para Fins Especiais (Brasnutri).
O aumento no consumo de anabolizantes no país também teve um aumento assustador. Só no primeiro semestre do passado, o número de embalagens comercializadas dos três derivados mais populares de testosterona (hormônios que atuam nos receptores androgênicos das células), superou a marca de 1,4 milhões, o equivalente a 73% de todo o ano de 2021, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso sem contar a venda ilegal pela internet, no chamado mercado “underground”.
Para a gestora do Conselho Regional de Educação Física (CREF) no Espírito Santo, a educadora física, Débora Gobbo, que também faz parte da Comunidade Batista Cristã (Combc), tudo aquilo que é utilizado para fins estéticos, mas que visam a exaltação própria e a vaidade, pode ser uma maçã, vira idolatria e é pecado.
“Quando nós começamos a gastar mais do que podemos ou devemos para alcançar um nível do corpo que não é mais saudável, aí vira uma idolatria”, alerta a educadora física. Sobre o uso do anabolizante, ela explica que há casos em que a reposição de testosterona é recomendada pelo médico e apenas ele pode fazer essa indicação, mesmo assim, após uma bateria de exames.
“O uso é para saúde ou fins estéticos? Deus deu sabedoria aos homens e capacidade aos médicos para que faça a indicação ao paciente, caso seja necessária a reposição hormonal. Serão feitos exames e uma avaliação se há necessidade ou não. Agora, quando a pessoa faz a compra pela internet por meios ilegais, já sabemos que Deus não aprova esse negócio”, explica Gobbo.
A gestora ressalta que quando a pessoa toma suplementos ou qualquer outro produto para melhorar a sua saúde, ela está cuidando do seu corpo, ou seja, o Templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19), então, não há problemas. O pecado seria quando o foco é a vaidade.
“Quando é para glorificar a mim mesmo, fazer uso de qualquer produto para receber elogios e exaltar a minha alma, aí começa o culto ao corpo, a idolatria. Fugiu do propósito de glorificar a Deus”, alerta.
Quer saber mais sobre o assunto?
Assista ao Comunhão Entrevista, com o tema “Corpo sarado no altar da idolatria”. Basta clicar aqui.

