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segunda-feira, 1 junho, 2020

O coronavírus vai mudar nossas vidas para sempre?

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Muitos estão se questionando se, depois da pandemia, o mundo voltará a ser como era antes. Será? As pessoas voltarão a se abraçar sem medo? Os cultos voltarão a acontecer normalmente ou as igrejas serão mais tecnológicas?

Por Cris Beloni

Tudo “corria bem” até o fim de dezembro de 2019. Talvez “não tão bem assim”, mas pelo menos tudo parecia previsível. De repente, um vírus começou a se espalhar pelo mundo, transmitindo não só uma doença respiratória, mas também o medo, o caos e a incerteza de um futuro promissor.

Foi assim que o ano de 2020 começou e agora ninguém consegue prever mais nada. Por onde a Covid-19 passou, provocou mudanças drásticas. O mundo parou. As pessoas se isolaram, e a sensação que temos é que “um novo tempo começou”. O maior desafio agora é descobrir “que tempo é este” e como devemos nos comportar diante dele.

Período de isolamento

Segundo especialistas da área da saúde, o período da quarentena serve para a contenção de doenças altamente infecciosas, como é o caso do novo coronavírus. O termo foi utilizado pela primeira vez na Idade Média. Em Veneza, na Itália, os navios vindos de países afetados pela peste negra [bubônica] eram obrigados a esperar durante 40 dias antes de atracar no porto. Os italianos chamavam esse processo de quaranta giorni, que evoluiu para quarantino.

“Manter as coisas ‘na forma antiga’ não garante a unção. A unção não está na mídia, mas no conteúdo, na Palavra e na revelação” – Jorge Monteiro, pastor da Nova Igreja (RJ)

Na atualidade, a quarentena, porém, corresponde ao período máximo de incubação, dependendo da doença. A pandemia que pegou o mundo todo desprevenido, por exemplo, tem obrigado várias nações a manter uma quarentena de alguns meses. A Itália vive a realidade do isolamento desde fevereiro e, provavelmente, ficará assim até maio. Os brasileiros iniciaram a quarentena no dia 24 de março e ainda não sabem por quanto tempo permanecerão assim. Até o momento, já aconteceram três prorrogações e a mais recente vai se estender até 31 de maio.

Quanto tempo mais?

Só Deus sabe realmente, mas um estudo da Universidade de Harvard, publicado na revista Science, apontou que o isolamento pode ser estendido “até meados de 2021, com avanço para alternativas intermitentes, que durariam até 2022”. Isso quer dizer que, para o fim do distanciamento social, será necessária antes a realização de testes para a Covid-19. Os pesquisadores acrescentam ainda que “caso o isolamento seja feito de forma pouco efetiva ou por pouco tempo, poderá impactar o sistema de saúde em proporções catastróficas”.

A OMS (Organização Mundial da Saúde), por sua vez, diz que todos os países devem adotar uma estratégia completa para combater a pandemia “isolando, testando e rastreando o maior número possível de casos”, conforme disse o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista à imprensa. Diretor da entidade e doutor em saúde comunitária, ele tem sido duramente criticado pela mídia internacional por demonstrar protecionismo exagerado à China e por destacar o aborto como procedimento essencial durante a pandemia.

“Se as pessoas ficarem ‘frias’, será por precaução, e não por falta de sentimentos. Os mais íntimos vão continuar se abraçando” – Marisa Lobo, psicóloga

Analisando as consequências do isolamento

Estamos isolados, seremos testados e ainda rastreados, segundo a OMS. O que realmente isso significa na prática? O isolamento já mudou muitos aspectos da sociedade, e as pessoas estão ansiosas, indecisas e amedrontadas. Não é para menos, afinal de contas, cada grupo envolvido diz uma coisa.

Médicos infectologistas e epidemiologistas defendem a quarentena e querem que a população fique em casa. Empresários e investidores alegam que esse “remédio” para combater o vírus pode ser pior que a própria doença, já que pode gerar um abalo econômico. São muitas as opiniões e é possível que todos estejam certos e errados ao mesmo tempo, dependendo do ponto de vista analisado.

As pessoas voltarão a se abraçar?

Uma das primeiras consequências do isolamento social está na forma de relacionamento das pessoas. Muitos questionam se vai haver certo tipo de frieza quando a quarentena terminar. Ninguém mais se abraça, não tem mais aperto de mão ou cumprimentos calorosos.

Aniversários e casamentos não estão mais sendo comemorados. Não há mais encontros, festas e churrascos. Já podemos ver alguma consequência pela falta de tudo isso? Psicólogos dizem que sim.

O professor de Psicologia Marcelo Santos, da Universidade Mackenzie, em entrevista à revista Brasil (rádio EBC), disse que muitas pessoas não estão conseguindo decodificar o excesso de informações. “Elas podem entrar em desespero ou mesmo angústia pessoal”, alertou. Ele também comenta que a reclusão pode causar transtornos de ansiedade, já que a rotina foi interrompida abruptamente.

“As igrejas entenderam que podem criar novos conteúdos e novos públicos a partir dessa experiência” – Maurício Soares, diretor da Sony Music Gospel

A psicóloga Marisa Lobo aponta também a “epidemia silenciosa”, que já existia antes da pandemia explícita do coronavírus: “o mal do século, que são a depressão e as ideações suicidas”. Estima-se que, atualmente, haja 322 milhões de pessoas depressivas no mundo. “É grave e, como psicóloga, temo que esses números aumentem ainda mais em decorrência do terror causado pelo coronavírus. E as mídias, infelizmente, têm ajudado a aumentar este terror, gerando pânico”, mencionou.

“Se as pessoas ficarem ‘frias’, será por precaução, e não por falta de sentimentos. Os mais íntimos vão continuar se abraçando. Talvez a gente não abrace mais os ‘estranhos’ como fazíamos em festas ou nas igrejas”, observou. Mas a psicóloga é otimista.

“O brasileiro tem o poder de se reinventar e está fazendo isso mesmo com o isolamento. No momento, o ideal é se afastar das notícias negativas e buscar a esperança. Meu conselho é que todos sigam em frente com responsabilidade, esse é apenas um treino. Outras epidemias virão e passarão, mas o amor entre nós ficará. Tenha fé, tudo está no controle de Deus”, aconselhou.

Vida social online

O impacto do isolamento social depende da decisão e condições de cada país. No caso do Brasil, que é uma sociedade “mais aberta” e que valoriza beijos, abraços, toques e reuniões presenciais, pode-se destacar que, no momento, estamos praticando a distância física, mas não a social. Isso porque existe mais de uma forma de socializar.

A vida online já é uma realidade entre os brasileiros. Temos a possibilidade de contato por mensagens de voz e de vídeo, principalmente com pessoas que estão distantes fisicamente. Mas as mudanças não vão ocorrer somente na vida das pessoas comuns. Maurício Soares, diretor da Sony Music Gospel, aposta também nas mudanças corporativas.

“A quarentena certamente vai mudar muitos hábitos. Há um claro aumento no número de novos assinantes dos apps de áudio e de vídeo streaming. Cada vez mais as pessoas usarão a web para consumir, decidir e resolver questões que antes eram físicas”, observa.

O pastor André Valadão, que atualmente dirige a Orlando Church (EUA), ligada à Igreja Batista da Lagoinha, defende que a vida online está no mesmo nível da vida real. “Hoje em dia, as reuniões acontecem online, as pessoas fazem compras e transações bancárias online e até as aulas são online. Mas a gente não pode substituir a vida real”, enfatiza, acrescentando que “a vida online é uma extensão da vida real”.

Para Jorge Monteiro, que é pastor da Nova Igreja (RJ) e executivo na área de tecnologia e comunicações, a solução online tem sido muito importante e abençoadora durante o contexto da pandemia. “Estamos vendo as pessoas migrando para relacionamentos online para fugir desse isolamento. O número de lives em conjunto está crescendo. Mas ainda existe a necessidade de conexão pessoal. Acredito que a ansiedade pelos encontros pessoais vai crescer a cada dia”, destacou.

Para ele, a vida online não pode ser comparada com a vida real. “Eu diria que ‘faz parte’ da vida real. Vivemos o presencial e o online ao mesmo tempo, e estes dois se complementam”, simplificou. Monteiro lembra o tempo em que as famílias faziam ligações telefônicas. “Antigamente, era muito comum uma família ligar para outra.

Hoje, falamos por WhatsApp, trocamos mensagens gravadas, nos vemos numa live, num Skype. E tudo isso passou a ser parte da nossa vida”, disse. O pastor alerta, porém, que deve haver um equilíbrio – uma coisa não substitui a outra.

Igrejas reinventadas

A mudança será drástica para as igrejas? Cultos online poderiam substituir as reuniões presenciais? “Não creio nisso, mas acredito que haverá um novo público a partir deste momento, não somente local”, aponta o diretor da Sony. Talvez surja uma nova modalidade de culto. “As igrejas entenderam que podem criar novos conteúdos e novos públicos a partir dessa experiência, embora nada substitua o contato físico”, disse.

Valadão acredita que as conferências virtuais, por vídeo, são até mais eficazes que as presenciais. “Muitas pessoas se abrem mais quando assistem a um vídeo do que quando estão dentro de uma igreja”, aponta. Ao falar da adoração a Deus, o pastor comenta que “é claro que emociona muito mais quando estamos em contato com outras centenas de pessoas”, porém, há um outro lado.

“Eu tenho recebido dezenas de testemunhos de pessoas tímidas e claustrofóbicas que preferem um ambiente de culto dentro de casa. Elas fecham as cortinas, aumentam o volume da TV e adoram a Deus livremente”, conta. “A Igreja vai ser mais tecnológica do que nunca, mas, ao se reinventar, ela não pode perder uma coisa: a mensagem! Podemos transformar, podemos mudar a forma sempre, mas nunca perder a essência da Igreja”, alerta Valadão.

Cartas de Paulo “tecnológicas”

“Existem algumas resistências sendo quebradas e preconceitos sendo tirados. Há pequenas igrejas formando grupos através de videoconferências e que estão amando fazer isso”,
relata Monteiro. Ele cita as cartas de Paulo no Novo Testamento como “o meio de comunicação mais eficiente daquela época”.

“Se Paulo estivesse entre nós, ele certamente colocaria todos em frente ao Zoom, ao YouTube ou em uma videoconferência e anunciaria: ‘Gente, avise que vou fazer uma live, hoje, para dar um direcionamento a todos’. Acredito que o apóstolo usaria o meio de comunicação mais moderno deste momento”, exemplificou.

“Aonde é que eu quero chegar com isso? Se eu acredito que as cartas de Paulo, que foram escritas há muitos séculos, continuam carregadas de unção e da Palavra de Deus, por que eu não vou acreditar que uma mensagem transmitida pela internet, seja vídeo, seja podcast, tenha a mesma unção? Porque, afinal, a unção não está na mídia, mas no conteúdo, na Palavra e na revelação”, frisa.

Monteiro conta que são inúmeros os casos de pessoas que receberam milagres, curas e palavras de direção através de uma mensagem online. “Em termos de proliferação e propagação da Palavra, é tão eficaz quanto um culto presencial. Eu não preciso estar no meio das pessoas para que o Espírito Santo me toque”, afirmou.

A Igreja de hoje necessita ser inovadora, contextualizada e conectada. “E isso não quer dizer ‘ser virtual’, porque estamos lidando com pessoas de verdade. Os meios digitais são apenas um canal através do qual a gente se conecta com essas pessoas”, esclareceu.

Resumindo, “ser Igreja”, como era a Igreja primitiva, não impede de sermos também modernos e atualizados. As facilidades podem e devem ser usadas para o bem de todos. “A tecnologia nos permite ter uma Bíblia no celular, e até uma biblioteca inteira, com livros e dicionários bíblicos”, lembrou Monteiro.

CULTOS | ainda serão proibidos por algum tempo os cultos presenciais, para evitar aglomeração

“Manter as coisas ‘na forma antiga’ não garante a unção. Jesus foi um revolucionário na forma de levar a mensagem. Ele fez coisas inesperadas para os religiosos. Ele tornava a comunicação acessível e compreensível a todos, de forma clara e eficaz. É disso que precisamos hoje em dia também”, disse.

Diante deste contexto pandêmico, é fácil perceber que “o mundo nunca mais será como antes” e a Igreja de Cristo viverá um novo tempo. Haverá muitas mudanças, em diversos aspectos, mas a fonte para a edificação da fé será sempre a mesma – a Palavra de Deus.

“A glória do Senhor será revelada, e, juntos, todos a verão. Pois é o Senhor quem fala. Uma voz ordena: ‘Clame’. E eu pergunto: ‘O que clamarei?’ Que toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória como as flores do campo. A relva murcha e cai a sua flor, quando o vento do Senhor sopra sobre eles; o povo não passa de relva. A relva murcha, e as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre” (Isaías 40:5-8).


A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita.

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