Os cristãos norte-coreanos evitam compartilhar a fé até com os próprios familiares, porque, se descobertos, podem ser denunciados ao governo, mortos ou enviados para campos de trabalho forçado
Por Patricia Scott
Pelo terceiro ano consecutivo, a Coreia do Norte está em primeiro lugar no ranking da Lista Mundial da Perseguição 2025 (LMP25), divulgada pela Portas Abertas, nesta quarta-feira (15). Desde a primeira listagem, em 1993, o país asiático integra o relatório. Apenas em 2022, a nação ficou em 2º lugar, atrás do Afeganistão após a tomada do poder pelo Talibã.
Os cristãos norte-coreanos evitam compartilhar a fé até com os próprios familiares. Isto porque, se descobertos, eles podem ser mortos ou enviados para campos de trabalho forçado. “Por causa da paranoia ditatorial e do fechamento das fronteiras para ajuda externa, além da repressão, nossos irmãos norte-coreanos estão passando fome e extrema necessidade”, relata Marco Cruz, secretário-geral de Portas Abertas.
Segundo ele, os norte-coreanos são doutrinados para terem fidelidade aos líderes e ao Estado. Por isso, é muito comum que um cristão seja denunciado por um familiar. “Então, muitos sequer falam da conversão para familiares, mantendo-se em segredo por questão de segurança”, revela Cruz.
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Ainda na Ásia, o Mianmar subiu da 17ª para a 13ª posição no ranking da Perseguição Religiosa (LMP) de 2025. O país, que está entre os locais com perseguição extrema, vive uma guerra civil que já dura quatro anos, o que tem sido usado como justificativa para a destruição de igrejas, casas e comunidades inteiras de cristãos. “Como resultado, milhares de seguidores de Jesus foram obrigados a fugir e agora vivem como deslocados internos”, informa a organização.
Perseguição extrema
Também são apontados como países de perseguição extrema aos cristãos: Paquistão (8º), Irã (9º), Afeganistão (10º), Índia (11º), Arábia Saudita (12º). As leis de blasfêmia do Paquistão são frequentemente usadas para perseguir grupos minoritários, como os cristãos, conforme explica Portas Abertas. Aproximadamente um quarto de todas as acusações de blasfêmia são feitas contra seguidores de Jesus, que constituem apenas 1,8% da população. Essas leis estabelecem a pena de morte para aqueles acusados de ofender o islã, embora a execução rara vez ocorra. Os acusados se tornam vulneráveis a ataques ou assassinatos por multidões de extremistas islâmicos.
Já na Índia, com o pretexto de proteger o hinduísmo, a lei anticonversão assinada em dezembro de 2021 aumentou a perseguição a outras religiões, em especial ao cristianismo e ao islamismo. O simples ato de falar sobre a fé cristã, por exemplo, pode ser considerado um crime grave. O país é onde mais seguidores de Jesus foram detidos sem julgamento devido à fé em Jesus, conforme a LMP25. Foram 1.629 prisões, chegando a 45% dos casos.
Na Arábia Saudita, tornar-se cristão é extremamente arriscado. Além de ser ilegal abandonar a fé islâmica, os convertidos enfrentam grande resistência da família e da comunidade. “Em uma cultura pautada pela honra e vergonha, deixar o islã para seguir a Jesus é visto como uma transgressão grave”, explica Portas Abertas, que acrescenta: “Isso pode levar a intensa pressão psicológica, rejeição, confinamento, agressões físicas e até assassinato, como uma tentativa de restaurar a honra da família”.
Território africano
Mais uma vez, a África Subsaariana foi classificada como o lugar mais violento do mundo para os cristãos. Nessa localidade, há instabilidade crônica do governo e o conflito civil criaram uma lacuna em várias nações nessa região. Assim, esse espaço é preenchido por militantes islâmicos oportunistas. Somente nessa localidade, 16 milhões de cristãos foram obrigados a se deslocar internamente por causa da violência.
Das 10 primeiras nações no ranking do relatório, cinco estão localizadas no território africano: Somália, Iêmen , Líbia, Sudão e Eritreia. O Iêmen, por exemplo, passou do 5º lugar para o 3º. Isso ocorreu como reflexo do “aumento do poder houthi – movimento político religioso islâmico – e de maior radicalização dos muçulmanos. Dezenas de igrejas não puderam se reunir em segurança e um cristão convertido foi morto em razão da nova fé”, divulga Portas Abertas.
A Nigéria está em 7º lugar na LMP25. Essa posição reflete a violência que assola as comunidades cristãs, implacavelmente, sendo alvos de grupos jihadistas e milícias fulani.
O país ainda lidera o número de cristãos mortos por causa da fé, sendo responsável por 69% das execuções. No total, 3.100 seguidores de Jesus foram assassinados no território.


