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Conversão Na Bíblia

• Atualizado em 10/08/2022
4 min de leitura

São muitas as perguntas que nos fazemos. A conversão pode acontecer, mas para isso, precisamos estar atentos ao convite de Deus

Por Mário Rost

No diálogo entre Jesus e o professor Nicodemos em João 3, a questão crucial examinada é: “como é que alguém pode ver o reino de Deus e entrar nele?” Por metáfora, o Rabi ajuda o professor a colocar em ordem as peças: “… ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”. – “Mas como isso pode acontecer?” É bastante comum que uma pessoa no ‘olho do furacão’ de um evento não compreenda exatamente o que aconteceu ou está acontecendo com ela. Só com a ajuda de terceiros a pessoa vai formando o quadro completo. Não somos as testemunhas mais qualificadas quando se trata do que aconteceu ou está acontecendo conosco. Dizemos: “como isso pode acontecer?” Reflexões sobre a própria conversão, tomada como mudança completa de direção, da morte para a vida, podem não ser conclusivas.

É a pessoa que se converte ou é Deus quem converte a pessoa? Existe participação humana na conversão? Só existe uma forma de falar da conversão ou há outras maneiras válidas de se referir ao evento?

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São muitas as perguntas que nos fazemos. Tomemos alguns textos na perspectiva de observarmos como a Bíblia se refere ao conceito de “conversão”, de se voltar para Deus, de se converter a Cristo.

  • “Eu não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Portanto, convertam-se e vivam.” (Ezequiel 18.22)
  • Após a terrível praga de gafanhotos, seguida de seca prolongada (450-350 a.C), Judá ouve: “Convertam-se a mim de todo o coração; com jejuns, com choro e com pranto. Rasguem o coração, e não as suas roupas. Convertam-se ao Senhor, seu Deus, porque ele é bondoso e compassivo, tardio em irar-se e grande em misericórdia, e muda de ideia quanto ao mal que havia anunciado” (Joel 2.13).
  • “Já perdoei as suas maldades e os seus pecados; eles desapareceram como desaparece a cerração. Volte para mim, pois eu sou o seu Salvador.” (Isaías 44.22) No mesmo sentido vale considerar também Isaías 55.7; Marcos 1.15; Lucas 5.32; 2 Pedro 3.9).

Neste conjunto de textos aparecem vários sinônimos para conversão, como “voltar para Deus”, “arrependimento”, “receber o perdão”. O que há em comum é que a conversão pode acontecer e tem um pressuposto: o convite de Deus. Ele convida. A pessoa vai à festa ou não, para ficarmos na linguagem de Mateus 22 – em ‘A festa de casamento’.

Consideremos outro conjunto de textos da Bíblia:

  • “… ele nos salvou porque teve compaixão de nós, e não porque nós tivéssemos feito alguma coisa boa. Ele nos salvou por meio do Espírito Santo, que nos lavou, fazendo com que nascêssemos de novo e dando-nos uma nova vida.”  (Tito 3.5)
  • “Pela sua própria vontade ele fez com que nós nascêssemos, por meio da palavra da verdade, a fim de ocuparmos o primeiro lugar entre todas as suas criaturas.” (Tiago 1.18)
  • “Mas a misericórdia de Deus é muito grande, e o seu amor por nós é tanto, que, quando estávamos espiritualmente mortos por causa da nossa desobediência, ele nos trouxe para a vida que temos em união com Cristo. Pela graça de Deus vocês são salvos.” (Efésios 2.5)

Aqui a ênfase recai sobre a ação de Deus – a conversão como obra de Deus. Deus traz para a vida; faz com que nasçamos outra vez.

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Elencamos textos que representam a fundamentação bíblica das duas posições mais comuns sobre a conversão. De fato, há passagens mais que suficientes para embasá-las. Ou, há textos suficientes, claros demais, para ignorarmos simplesmente qualquer uma das alternativas. Todo o processo de renascimento acontece pelo chamamento e obra de Deus, sendo perfeito. Não cabe ressalva. Por outro lado, quando escolho ressaltar o envolvimento da própria pessoa, sou levado a apor alguma adjetivação, como arrependimento “sincero”, conversão “genuína”, volta “verdadeira”, fé “real”.

E é isso que a Bíblia diz sobre conversão. Ela não cria o conceito. Apresenta a realidade completa pela qual o pecador muda seu destino e modo de viver, lutando com a força que Deus lhe dá para evitar o pecado e crescer em consagração a Deus.

A SBB

Desde 1948, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) tem a missão de “semear a Palavra que transforma vidas”. Trata-se de uma organização beneficente, sem fins lucrativos, assistencial, educativa e cultural. Sua finalidade é divulgar a Bíblia e a sua mensagem, tornando-a relevante para todas as pessoas. Para isso, traduz, produz e distribui a Bíblia — além de incentivar sua leitura e estudo — e desenvolve programas sociais que atendem a populações em situação de risco e vulnerabilidade social.

Mário-Rost_Comunhão
SOBRE O AUTOR
Mário Rost
é graduado em Teologia pelo Seminário Concórdia, de Porto Alegre-RS e Letras pela Universidade de São Paulo (USP), é pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) e Gerente de Desenvolvimento Institucional da Sociedade Bíblica do Brasil (“Engajamento com a Bíblia”).

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