Se Cristo não for o centro de convergência do que se realiza em nossas celebrações há fogo estranho no altar
Por Clovis Rosa Nery
À luz da Palavra de Deus, o momento da sua leitura e exposição é o mais importante nos cultos. Ainda que haja lindos discursos recheados de belas retóricas, se a Bíblia e o nome de Jesus forem preteridos os efeitos espirituais serão nulos, porque, se Cristo não for o centro de convergência do que se realiza em nossas celebrações há fogo estranho no altar.
Se textos bíblicos forem usados como pretextos para dizer algo que o homem quer falar a outros homens, heresias perpetuarão sob a tutela do sensus plenior (“Recurso adotado pelos escritores originais, em algumas passagens neotestamentárias, obviamente por inspiração Divina”), apropriado indevidamente em nossos dias, numa espécie de psicanalismo.
Fee & Stuart (2019, p. 151), no livro Entendes o que lês?, afirmam:
“Ninguém entre nós, porém, tem autoridade de Deus para reproduzir o tipo de exegese e análises analógicas que os autores do Novo Testamento ocasionalmente aplicavam ao Antigo Testamento. Especialmente em casos em que o precedente justifica uma ação presente, deve-se observar que o precedente não estabelece uma norma para uma ação específica” (FEE & STUART, 2019, p. 151, sic).
No meio religioso, ainda que eventualmente, realizam-se palestras de autoajuda recheadas de propostas miraculosas. Quando se tributa a coisa criada, em vez de o Criador dá nisso. Não é prudente esse comportamento de valer-se de pseudociência, porque até na ciência há um dinamismo que permite o seu contínuo desenvolvimento. A cada dia surgem ao redor do mundo novas pesquisas. Quando não desacreditam teorias consistentes, alteram ou fazem brotar novas frestas de luz sobre achados anteriores. A ciência passa (I Coríntios 13:8), mas a Palavra de Deus permanece (Isaías 40:8).
Todas as vezes que homens invocaram Deus para justificar suas idiossincrasias, quase sempre, coisas boas não vieram à tona. Mas alguns desses desvios não decorrem exclusivamente de falhas humanas. O inimigo de Deus, com maestria em seu ofício macabro, engana até mesmo alguns bem intencionados, quando inadvertidos (Daniel 8: 11 e 12).
Outro dia, estive num evento daqueles que se chama de “maravilhoso”. Estavam ali dois bons cantores e um orador entusiasmado. Na mesma linha das músicas, a preleção embasou-se na tese de que a salvação na Bíblia versa sobre o livramento de uma situação difícil nesta vida (É claro que, eventualmente pode ser ─ Por exemplo: Mateus 14:30 ─, mas com a generalização foi forjado um reducionismo). E meia-verdade, principalmente tomando exceções como regra, é um equívoco. As pessoas aplaudiram: “Oh Glória!”, disseram. Na hora do apelo, elas foram receptivas. Na época de Cristo, a comida era a atração principal. E Jesus censurou esse comportamento (João 6: 26).
Modismos fascinam; porém, somente o evangelho transforma vidas. Cada coisa deve ficar no seu devido lugar. Evangelho é muito mais do que uma solução existencial. É ajuda do auto, de Deus que, por meio da via dolorosa do Calvário, apresenta-nos uma proposta de redenção sobrenatural que cura o corpo, limpa a alma e salva o espírito, restaurando o ser completamente, cuja salvação ultrapassa os umbrais eternos.
É Graça, mas não é Graça barata. Isso não deve ser esquecido jamais, porque a orientação bíblica é clara: “Prega a Palavra” (II Timóteo 4:2), toda a Palavra, e não parte dela. Pregue só a Escritura Sagrada, e isso inclui só o Cristo, só o Espírito Santo. Tudo para a Glória e Honra de Deus, Amém!



