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sexta-feira, 19 agosto 2022

Controvérsias assustadoras II

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“[…] O cristianismo é superior à religião”

Por Clovis Rosa Nery

A série de artigos intitulada “Controvérsias assustadoras” são sinopses de capítulos do livros “Desvios”, no prelo. O autor alerta o povo de Deus quanto a alguns procedimentos que se constituem em trilhas sedutoras de grande perigo.

Deus é encontrado na relação eu e Ele. Se a experiência com Deus não for genuína, Ele jamais será real na vida. Ou Deus, por meio de Seu Espírito, vive dentro de mim, ou não vive (I Coríntios 3:16). Veja: Judas tinha Jesus ao seu lado, mas deixando-O de fora de seu ser protagonizou uma tragédia.

O Reino de Deus manifesta-se ao mundo por meio de nossa fé e de nosso testemunho. O verdadeiro cristão é um peregrino que busca o espiritual. Ele não é um turista que se enche de coisas materiais. É o comportamento diferenciado que, de forma visível, mostra o Reino invisível de Deus.

A religiosidade sem amor e sem fé não tem significado especial. No coração que anseia posições terrenas e não se importa com a espiritualidade ela é uma máscara.

Na realidade, desde o primeiro século, entre Jesus e religião, às vezes, é possível ver dissonância na comunicação, porque Jesus ensinava uma nova forma de viver. Entrementes, os seus maiores opositores eram grandes religiosos, cujas vidas estavam temperadas pelo orgulho espiritual e pela hipocrisia. Espiritualmente cegos, eles O rejeitaram e abonaram a Sua morte.

Para Deus, o mais importante são os motivos de nossas ações, as intenções do coração. Ele deseja adoradores que nasceram da água e do espírito (João 3:5), e que, por isso, dão frutos (João 15:16).

Podem existir casos em que entre religiosidade e espiritualidade tenha nada a ver, porque o cristianismo é superior à religião. A mera religiosidade é motivada por medo. A espiritualidade é a voz da alma livre por amar a Deus. Aquela é humana, respaldada na lei; esta é Divina, amparada na Graça. Naquela, o homem procura por Deus; nesta é Deus quem busca o homem perdido para salvá-lo (Ezequiel 34:11 e Lucas 19:10).

Aliás, atualmente, em muitos lugares, a religião vive tateando nas fendas da “ruptura entre o homem e Deus”, mas não consegue encontrar, plenamente, nem um, nem outro (BUBER, 2006), porque, a meu ver, trocaram o evangelho da salvação pelo evangelho social. Depois, tiraram a cruz do cristianismo e deturparam a Palavra com psicologismos, reduzindo-a a uma espécie de técnica de autoajuda, protagonizando, assim, um cristianismo adocicado com mensagens a gosto do ouvinte.

Algumas correntes religiosas, ainda bem que são exceções, constituem-se num atalho perigoso com promessas de vitória fácil. Com suas incongruências hermenêuticas, alicerçadas em textos fora dos seus contextos, sustenta-se em ideias controversas que criam o risco de se confundir igreja com casas de jogos. Desperta nas pessoas desejos de bens materiais em vez de fome e sede de justiça. Se o seguidor obtém sucesso material está na bênção.

Se, porém, fica pobre ou doente sequer cogita-se ser uma provação. Apressa-se em estigmatizá-lo, ignorando que a Graça de Deus nos basta, e Seu “poder se aperfeiçoa na fraqueza” (II Coríntios 12:9) e, ainda, contrapondo Apocalipse 1:9, onde o apóstolo João apresenta-se como companheiro das aflições dos justificados pela fé em Jesus.

O profeta é claro ao ensinar que Deus espera de nós a prática da justiça, o amor à benevolência, e um caminhar humilde com fidelidade ao Senhor (Miquéias 6:8). Este é sinal do servo fiel que vive pela fé. Afinal, a verdadeira religião é “visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento das corrupções do mundo” (Tiago 1:27), e os mandamentos resumem-se em amarmos a Deus sobre todas as coisas, e amarmos ao próximo como a nós mesmos (Mateus 22:37 e 39).

Esta série de artigos são sinopses do livro (DESVIOS) no prelo.

Clovis Rosa Nery é psicólogo, pesquisador e escritor.

 

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