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segunda-feira, 3 agosto, 2020

Continue em casa, ou melhor, você nunca deveria ter saído de casa

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O que foi chamado de isolamento social não era para incentivar a vida em família, mas para evitar a contaminação

Por Erní Walter Seibert

Durante a pandemia, virou slogan para muita gente e para muitas instituições a frase: “Fique em casa.” Ficar em casa era sinônimo de isolamento e distanciamento social. Isso até pode ser compreendido dentro do contexto de uma pandemia. Mas está longe do ensinamento bíblico do que é ficar em casa. Ficar em casa, biblicamente, é sinônimo de ficar em família, em contato com o que há de mais importante e mais fundamental em termos de relacionamento social.

A parábola do Filho Pródigo, em Lucas 15.11-32, conta a história de um pai que tinha dois filhos. Um deles pede parte de sua herança e sai de casa. O outro fica em casa ajudando o pai. A história põe primeiro o foco no filho que sai de casa. Longe de casa, ele gasta tudo o que tem numa vida devassa e cheia de pecados. Ficando na miséria, ele se dá de conta do que havia feito. Envergonhado, decide voltar e pedir perdão. O pai o recebe de volta e celebra que ele voltou para casa. Aliás, ele nunca deveria ter saído de casa.

Aí o foco da história recai sobre o segundo filho, o que havia ficado em casa. Mostra que ele não queria o irmão de volta. Não via justiça na atitude do pai. Para o filho mais velho, receber o irmão gastador e devasso em casa era uma atitude repreensível. O pai explica seu ponto de vista. O perdido foi achado. O morto reviveu. Isso era motivo de alegria. Agora todos deveriam ficar novamente em casa, em paz, com alegria, num lugar que é reservado para isso.

Evidente que o “fique em casa” das campanhas da pandemia não tem nada a ver com esse contexto. O que foi chamado de isolamento social não era para incentivar a vida em família, mas para evitar a contaminação. Se partia do princípio de que todos tinham uma casa, que todos tinham um lugar para ficar, ou que deveriam ter um lugar para ficar. Até quem nunca deu ensinamentos sobre família, agora precisou pensar que havia algum sentido em manter as pessoas em casa.

A Bíblia sempre falou em uma família e uma casa

Na carta do apóstolo Paulo aos Efésios 3.14-15 diz: “Por esse motivo, eu me ajoelho diante do Pai, de quem todas as famílias no céu e na terra recebem o seu verdadeiro nome.” O texto bíblico diz que há uma ligação, uma relação, entre o que se entende por família aqui na terra com a figura paterna de Deus. Qualquer criança, mesmo que não conheça quem são, sabe que tem um pai e uma mãe. E isso cria um vínculo familiar. O vínculo afetivo pode ser transferido para outras pessoas, mas o vínculo de paternidade e maternidade nunca deixará de existir. Paternidade e maternidade estão intimamente ligadas ao conceito de família. Evidente que as rupturas humanas causadas pelo que a Bíblia chama de pecado também afetaram a família. Mas o convite do apóstolo Paulo para voltarmos a Deus como Pai e aprender dali o sentido da família é algo que ajuda a reestruturar os conceitos e a vida.

O que o apóstolo Paulo lembra na carta aos Efésios é que temos um Deus que é Pai, porque ele é o criador de todos os seres humanos e de todos os seres que existem. E Deus criou tudo para que sejamos sua família. Dessa figura de Deus Pai que as famílias na terra recebem seu verdadeiro nome. Aí se liga também a figura da casa. A família vive num lugar comum, chamado de casa. Assim também a família de Deus, os que buscam a Deus, se reúnem em lugares que estabelecem para se reunir e, até de forma simbólica, chamam de Casa de Deus. Se uma família humana recebe seu nome da família divina, então ninguém deveria realmente sair de casa. A casa não é um lugar para distanciamento social. Antes, ao contrário, é um lugar para viver na maior comunhão imaginável. Voltar para casa e ficar em casa é um exercício da mais importante socialização, porque nesta casa há amor, há perdão, há reconciliação.

Durante a pandemia, muito se falou em Deus. Para os cristãos, nada foge do controle de Deus, nem mesmo uma pandemia. Mas cristãos não culpam a Deus pelas mazelas humanas. Eles reconhecem que as dificuldades que o ser humano enfrenta se devem ao seu próprio comportamento. Em outras palavras, as dificuldades que o ser humano enfrenta existem porque ele saiu da casa que ele nunca deveria ter saído. Quando, a exemplo do filho pródigo, voltamos para casa, é porque sabemos que ali encontramos um pai amoroso que nos recebe e acolhe com todos os nossos problemas e dificuldades. Na casa do Pai, com “p” maiúsculo, sempre estamos bem. E a nossa casa humana, que deve ser um reflexo da casa do Pai celestial, sempre será um bom lugar para ficar, para viver em sociedade.

Infelizmente, para muitos, ficar em casa foi difícil, porque sua casa não era exatamente um lugar onde encontraram amor e perdão. Mesmo dentro de casa, estavam distantes socialmente. A casa que estavam não refletia o modelo de casa que o Pai celestial estabeleceu. Aí é importante que, como o filho pródigo, a pessoa, mesmo estando em casa, volte para o modelo de casa que ela sempre deveria ter tido. Aquele modelo que Deus dá o seu próprio nome de Pai. Que nossas casas sejam um lugar onde a palavra do Pai celestial seja ouvida e praticada.

Erní Walter Seibert é Diretor executivo da Sociedade Bíblica do Brasil

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