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sexta-feira, 17 setembro 2021

Triste realidade! Jovens negros, as maiores vítimas da violência no Brasil

Relatório do IPEA/ Unicef aponta que 74,4% das vítimas de violência letal no Brasil são, principalmente jovens negros negros. “Jesus continua a clamar no sangue de cada negro executado neste país”, pastor Marco Davi, do Movimento Negro Evangélico do Brasil

Nesta sexta-feira, 20, é celebrado no Brasil o Dia da Consciência negra. Data traz um alerta preocupante. O número de mortes violentas no país tem aumentado entre meninas e meninos com menos de 18 anos. A ONG cristã, Visão Mundial, que integra uma das mais expressivas organizações de ajuda humanitária do mundo, a maioria das vítimas é homens jovens negros e moradores de periferia.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020, aponta que 74,4% das vítimas de violência letal no Brasil são negras e que 51% foram jovens de até 29 anos. A maioria das vítimas é de homens jovens negros e moradores de periferia.

“A violência é a falta de experiência com o Jesus torturado, humilhado e morto em Jerusalém. Jesus continua a clamar no sangue de cada negro executado neste país. A escravidão não acabou, mudou de modus operando e continua causando dor e desalento”, afirma o pastor Marco Davi, líder da Nossa Igreja Brasileira e Coordenador do Movimento Negro Evangélico do Brasil.

Eu sinto na pele

Para mudar esta realidade, o projeto #EuSintonaPele, do MJPOP (Monitoramento Jovem de Políticas Públicas, da ONG), tem realizado ações de conscientização pelo Brasil.

Entre 2018 e 2020, o movimento atuou em nove municípios, mobilizando mais de 1.300 jovens e adolescentes e implementando cinco projetos liderados por jovens para a redução de violência em comunidades vulneráveis.

“A maioria dos jovens e adolescentes que participam do MJPOP são negros e atuam monitorando políticas públicas nas periferias das grandes cidades. Nos últimos anos, tem aumentado muito a violência contra essa juventude. A partir dessa realidade, surgiu o projeto para monitorar políticas de segurança pública”, explica o Diretor de Advocacy da Visão Mundial, Welinton Pereira.

“Em dois anos, foram alcançados resultados importantes, além da construção de propostas de uma política pública de segurança mais efetiva e que, acima de tudo, conta com a participação popular dos jovens, que são os principais atingidos pela violência e que, portanto, precisam ser ouvidos”, completa.

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Há dois anos, adolescentes e jovens do MJPOP lideram monitoramento de políticas públicas de segurança pelo projeto #EuSintoNaPele. Foto: Gabriel Dias / Visão Mundial Brasil

Violência e o jovem negro

Os dados são alarmantes. Segundo a Visão Mundial, a necessidade de mobilização e protagonismo jovem são cruciais. Levantamento do Ipea aponta a agravante do racismo na questão da violência.

De acordo com a instituição, de 2007 a 2017, a taxa de pessoas negras vítimas de homicídio aumentou 33%, enquanto que no mesmo período, entre pessoas não negras, a taxa foi de 3%.

“Ser jovem negro no Brasil é um processo de luta constante. Aqui, se você nasce preto, você nasce com uma sentença. Passar da adolescência e chegar à juventude sem nenhuma experiência de violência é um fato a ser celebrado. Não há como ser um adolescente ou jovem negro no Brasil e não viver com medo”, afirma Gabriel Dias, 25 anos, integrante do MJPOP.

Taxa de homicídio

De 2007 a 2017, a taxa de pessoas negras vítimas de homicídio aumentou 33%, enquanto que no mesmo período, entre pessoas não negras, a taxa foi de 3%

Os jovens e adolescentes do MJPOP têm atuado de maneira local para garantir a segurança e condições dignas de sobrevivência, principalmente da população jovem afrodescendente.

Já no âmbito nacional, têm trabalhado para a formulação de políticas públicas e de modificações necessárias na legislação para que as juventudes possam usufruir de condições para viver e se desenvolver de forma plena e em igualdade de oportunidades.

“Que haja equidade e justiça no Brasil deve ser a luta, oração e objetivo de cada igreja e cada pessoa que professa a fé cristã”, concluiu o pastor Marco Davi.

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