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domingo, 24 outubro 2021

Confrontando o evangelho de mercado (Parte 02)

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“Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!” (Gálatas 1.9)

Por Joarês Mendes de Freitas

Pelas leis que regem o mercado, os produtos devem ser adaptados ao que mais agrada ao consumidor. Essa prática é bem conhecida. Ocorre que, hoje em dia, alguns estão tentando fazer algo semelhante com o evangelho, adaptando a mensagem ao público. Isso é inaceitável porque, embora o modo de apresentação dependa do contexto, o seu conteúdo não pode ser alterado.

Na carta aos Gálatas, Paulo denuncia a ação de alguns que estavam deturpando o evangelho que lhes fora anunciado, pregando algo diferente. Essa é uma advertência relevante para o tempo que vivemos, em função das tentativas de adaptar o ensino bíblico às conveniências das pessoas.

No artigo anterior apontei como uma das características do evangelho de mercado a confusão que se faz entre forma e conteúdo. Prossigo aqui com outros dois indicadores.

As expressões emocionais não podem sublimar a reflexão

Em alguns meios evangélicos parece que o pensar, o refletir, se tornaram heresia. Assim, qualquer coisa tida como cristã não comporta questionamento. Esse evangelho acrítico enfatiza mais o sentir do que o crer. Ele é pomposo, espetacular e facilmente aceito pelo público consumidor de eventos.

Em João 6:60-71 Jesus está pregando e a multidão se dispersa dizendo “dura é essa palavra”, ficam apenas os 12 e Jesus diz: “vocês também não querem ir?” Pedro diz: “para quem? Tu tens as palavras da vida eterna e nós temos crido…”; verbo CRER, e não SENTIR. Ficaram ali só os doze, mas eles revolucionaram o mundo poucos dias depois. O evangelho é para o coração, mas é também para a mente.

A graça de Deus não nos torna isentos do compromisso

O evangelho de mercado não forma discípulos, ele atrai expectadores e estes esperam que o culto seja um show, conduzido por animadores de auditório, num clima de muita adrenalina. Ao final, cada um vai para sua vida “particular”.

Não há comunidade e nem prestação de contas, apenas um ajuntamento sem compromisso. Faltam exigências éticas no dia a dia, até porque isso nunca é checado. Por outro lado, esse tipo de evangelho não requer serviço. Afinal, as pessoas vão à igreja para buscar a benção, não para ser a benção. Em Lucas 9:23 Jesus fala sobre “negar-se a si mesmo, tomar a cruz cada dia e acompanhá-lo”. O falso evangelho fez da cruz objeto de adorno, deixando de exigir compromisso de seus adeptos.

Todos nós precisamos ter cuidado para não sermos enganados pelo marketing agressivo desse tipo de evangelho e levados pelas suas ideias não bíblicas. Para isso é necessário conhecimento da Palavra de Deus e vida de comunhão com ele.

Joarês Mendes de Freitas é pastor emérito da Primeira Igreja Batista em Jardim Camburi, Vitória, ES.

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