Dia da Esposa de Pastor – Companheiras fiéis

Seja em tempos tranquilos ou de profunda dificuldade, elas estão lá, firmes. São as esposas de pastor, que auxiliam as suas companheiros na vida e no ministério, além de seguirem seus próprios passos

Celebrado no primeiro domingo de março, o Dia da Esposa do Pastor foi criado para homenagear essas mulheres que têm sido submissas à vontade de Deus e incansáveis na execução de suas tarefas juntamente com seu esposo.

Em Gênesis 2, no verso 18, Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. Desde a criação, a mulher é uma auxiliadora do marido, o que significa disponibilizar-lhe todas as suas qualidades: apoiar, exortar, capacitá-lo a liderar, ajudá-lo a desenvolver a vocação para a qual foi chamado e trazer-lhe o conforto quando necessário.

É evidente que no caminho há percalços, que podem ser superados com sabedoria e direcionamento divino. Nessa jornada, elas relatam solidão e reclamam por se sentirem sufocadas com tantas cobranças. A sensação que têm é de estarem expostas em uma vitrine 24 horas por dia, como se não fossem normais, com conflitos, medos, perdas e toda a dinâmica da vida de uma mulher. Por outro lado, nenhuma igreja gosta de ter uma “primeira-dama” que não participe de nada. E aí começa o dilema: como equilibrar as tarefas de modo a se fazer presente na vida da comunidade, mas sem se sentir sobrecarregada?

Rozangela Maria Coutinho Carvalho, líder dos ministérios da Mulher e da Criança e do Adolescente e responsável pela Área Feminina da Associação Ministerial (Afam) da Igreja Adventista do Sétimo Dia, está entre as que se consideram privilegiadas mesmo diante das tarefas. Ser esposa de pastor, avalia, é uma honra.

“Fui chamada e escolhida por Deus para uma missão especial: cuidar do ungido do Senhor e trabalhar ao lado dele na conquista de almas e na preparação do povo para a volta de Jesus. Além de ser maravilhoso ajudar ao próximo, que é plano do Todo-Poderoso, tenho consciência desse chamado. Nada do que eu venha a enfrentar nessa caminhada é visto como um peso, mas como um grande privilégio.

A mulher foi dada por Deus ao homem para ser-lhe uma auxiliadora. Eu poderia ser escolhida por Ele para me casar com um médico ou um engenheiro, por exemplo, e nem por isso teria a obrigação de saber clinicar ou construir prédios. Fui escolhida para ser esposa de um pastor. E ocupar essa posição é diferente do que ocorre com todas as demais esposas de homens que tenham outras profissões. Nenhuma mulher está tão ligada ao trabalho do seu esposo como a do pastor. Quando o Pai chamou o meu marido, também me convocou para estar ao lado dele em todos os momentos, auxiliando em tudo e principalmente cuidando dele. Como? Criando um ambiente favorável no nosso lar, que lhe dê condições de exercer seu ministério de forma produtiva”, disse Rozangela, que é casada com o Pr. Moisés Carvalho Júnior.

Para Wanda Scherrer de Araújo, líder estadual do Pastoreio de Mulheres do Ministério de Apoio a Pastores e Igrejas (Mapi) e mulher do Pr. Gedimar de Araújo, o que se espera de uma companheira de ministro eclesiástico é, acima de tudo, a fidelidade a Cristo.

“Jesus precisa ser o centro de nossas vidas, nada pode tirar esse lugar de destaque. Outro papel importante é de ser uma auxiliadora idônea do marido, honrando-o, respeitando-o, investindo em tempo com qualidade na sua família, para que seja emocionalmente saudável. Hoje, minha posição na igreja é estar ao lado do meu esposo nas diversas áreas, como rede de casais, aconselhamentos, visitas e apoio no ministério com crianças e no berçário. Além disso, precisamos servir ao Corpo de Cristo, exercendo os dons que o Espírito Santo concedeu para a edificação da Igreja. E buscar esses dons é muito importante, pois precisamos servir naquilo que Deus quer. Não devemos assumir muitas atividades, sobrecarregando-nos com coisas que Deus preparou para outros fazerem”, comentou.

Maria Cristina Pires Nunes tem cinco filhos e serve ao Senhor há 35 anos. E as muitas tarefas do dia-a-dia nao a impedem de  seguir atuante no ministério pastoral ao lado do marido Pr. Sidnei de Mello Nunes, à frente da Igreja do Evangelho Quadrangular em São Leopoldo (RS). Juntos, já apascentaram mais de dez igrejas em cinco estados diferentes.

“Os maiores  atributos necessários para esse papel é ter muito amor, compaixão, paciência, persistência e submissão. Deve saber se posicionar, pois ela é a esposa do pastor e não o pastor, mas também tem o seu papel, seu ministério a desempenhar que é de extrema importância”, ressalta.

Ela reforça que a responsabilidade da esposa de pastor, é o que cada mulher deve fazer na vida profissional de um homem. “Deve se casar com a profissão dele também, ou seja, somar, agregar, contribuir e interceder. Por ele e com Ele!”, pontua.

“Um pastor, com uma mulher com liderança, soma muito ao ministério do marido. Já os que não têm esse apoio feminino, as consequências da falta são nítidas”, conclui.

Para a missionária Marta de Azevedo, que auxilia o marido Pr. Josiel Azevedo na Assembleia de Deus Ministério Vida, em Vitória (ES), a esposa é fundamental para o sucesso ou insucesso da carreira ministerial do homem.

“A Bíblia está recheada de orientação para a mulher que deseja ser, ao lado de seu companheiro, um vaso de honra. Afinal, o que a Palavra do Senhor nos afirma categoricamente é que a mulher tanto pode edificar como destruir. Isso nos leva a entender que, se desejamos ver os ministérios de nossos esposos bem sucedidos e se queremos ter a alegria de ver o chamado de Deus se concretizando em nossas vidas e das nossas famílias, devemos agir de forma a impulsionar e potencializar os nossos companheiros, encorajando-os a prosseguir na carreira proposta pelo Senhor da seara.”, explica.

“Porém, como filha e esposa de pastor, como irmã, sobrinha e prima de muitos pastores, sou convicta de que não podemos ser felizes nessa missão se acreditarmos que “a chamada é dele”, do marido. Precisamos entender que Deus não erra. Quando Ele chama, Ele convoca os dois, marido e mulher, para a sua gloriosa obra. Diferente disso, seria um jugo desigual, que pode produzir infelicidade e destruição na vida da família”, ressalta.

Esposa de pastor há 38 anos, a missionária Marta aponta as características essenciais inerentes à esposa de pastor, movido pelo amor de Deus pela humanidade, traduzido em João 3.16:

  •  Sabedoria – a mulher sábia tem a palavra certa na hora certa, o conselho preciso e a sobriedade necessária para viver as alegrias e os desafios do ministério (Pv 25.11; 18.21);
  • Cabeça ungida – a unção significa: proteção, capacitação, triunfo em situações adversas, etc. (Ec 9.8);
  • Temor ao Senhor (Pv 9.10), que será a baliza para o nosso modo de ser e de agir;
  • Fé e Graça – são necessárias para vencermos as lutas e agruras, as calúnias e as difamações, as incompreensões e as pressões que nos cercam;
  • Tratamento de caráter – essencial para quem se lança numa missão que, antes de tudo diz respeito à eternidade de todos aqueles que nos seguem (Pv 13.3).

Outra que está à frente de atividades eclesiásticas é a Pra. Mirna Otoni de Araújo, da Missão Família (Vila Velha/ES), mulher do presidente da denominação, Simonton Araújo, há mais de 30 anos. Ela avalia que o Mestre nos capacita quando estamos cumprindo os Seus propósitos. “Se tem peso, Ele faz ficar leve. A função feminina foi estabelecida desde o Gênesis, ou seja, no princípio Deus deixou bem claro que a mulher seria uma auxiliadora idônea.

A mulher de Provérbios 31 desempenha lindamente esse papel e conseguiu porque temia a Deus e dependia dEle o tempo todo. A Bíblia diz que o ‘temor ao Senhor é o princípio da sabedoria’. Antes de ser esposa de pastor, a mulher precisa ter em mente sua posição de filha de Deus acima de tudo. E isso faz toda a diferença na administração eclesiástica. É comum que a parceira do sacerdote seja uma encarregada, uma ‘faz-tudo’. Não vejo isso como problema, mas quem a comissiona, chama-a e capacita-a é o próprio Deus. E quando ela desempenha suas funções para Ele e não para agradar às pessoas ou às denominações, tudo dá certo. Elas devem fazer aquilo o que Deus a chamou e para Ele, conforme o dom que lhes confiou; simples assim!!!”, explicou.

O outro lado

Igrejas têm colocado expectativas irreais em relação às esposas dos pastores, cobrando-as demais. Observa-se um número elevado de mulheres frustradas por trabalhar tanto e não ser reconhecidas. Há aquelas que até adoecem, sofrendo de males como depressão e gastrite.

Segundo Rozangela Carvalho, algumas congregações ainda exercem essa pressão, mas o cenário tem mudado. “A membresia é orientada em relação ao papel primordial da mulher do pastor, que é dar suporte emocional e espiritual a ele, cuidar do lar, dos filhos e dele, deixando-o livre e estabilizado para seu trabalho. Quando a igreja entende isso, valoriza o papel da esposa”, frisou, lembrando que no início do seu ministério, quando tudo era muito novo, já passou por dificuldades. “Todos os seres humanos sentem medo do novo. Ficamos inseguros nessas situações, ainda mais quando pensamos que temos de superar todas as expectativas das pessoas em relação a nós. Com o tempo, entendi que precisava atender às expectativas de Deus, sendo íntima dEle, e que meu primeiro campo missionário como uma cristã genuína seria minha casa, sendo uma auxiliadora do meu marido, amando-o, cuidando-lhe e respeitando-o. Sendo uma excelente mãe para os meus filhos, colocando-os na posição que o Espírito Santo de Deus os alcançasse. Então, tudo ficou mais leve e mais prazeroso. Mas até que esse amadurecimento acontecesse, muitas vezes tive sentimentos de incapacidade, de medo, de inutilidade, e isso com certeza gerou muitos prejuízos emocionais e físicos, como depressão e gastrites. A vida da esposa do pastor pode ser bem solitária.”

Wanda concorda com Rozangela na questão da solidão, revelando que também ficou doente por conta das exigências excessivas. “Nestes 30 anos, já passei por muitas dificuldades ao lado de Gedimar. Nós, esposas de pastores, nos sentimos sós, em meio às crises, sem encontrar ouvidos e corações para compartilhar nossos problemas. Somos cercadas de pessoas, mas que não podemos dividir com elas nossas lutas e sonhos. Busco apoio no grupo de Pastoreio de Mulheres do Mapi, que trabalha com esposas de pastores, pastoras e mulheres em liderança. Ali, experimentamos o pastoreio mútuo, falando de nossas vulnerabilidades e abrindo nosso coração. Identificamo-nos umas com as outras, num ambiente de graça e aceitação.”

Para o psicólogo David Hoffman Alencastre, trata-se de uma posição difícil de se ocupar. “Infelizmente, em nossa cultura, espera-se que ela exerça o ministério pastoral juntamente com seu esposo. Querem que tenha uma postura irrepreensível e que quase beira a perfeição. Mas se esquecem muitas vezes de que a mulher do líder é igual às demais, que enfrenta as mesmas dificuldades e provações e tem fraquezas como as outras. O que se deve esperar de uma esposa de pastor é o mesmo que se espera de uma mulher que serve a Deus (I Timóteo 2:9). Que ela seja moderada, descente e discreta. Que cuide bem de seu marido e de seus filhos em parceria com seu esposo.”

O especialista menciona ainda que há muitas com problemas de saúde de ordem física e psicológica. “Entre tantos motivos possíveis, encontramos a pressão sofrida por parte de pessoas que têm uma expectativa errada da função. Uma boa dica é que ela seja autêntica, não tentando atender às expectativas das pessoas, mas ser aquilo que Deus deseja para ela. Exercer apenas o ministério que Deus lhe confiou, e não o ministério de seu marido ou segundo as vontades da igreja”, ensinou.

Parceria

E os pastores, como estão atuando? Gedimar de Araújo, por exemplo, diz procurar agir com Wanda como esposo, encorajando-a a sonhar seus próprios sonhos. “Não a obrigo a participar de nada só porque estou envolvido. Respeito as escolhas que ela faz, mesmo que sejam contrárias às minhas. Ela é uma pessoa e precisa ser respeitada na sua individualidade. Procuramos caminhar em interdependência. Eu busco a opinião dela para tomar decisões, e ela busca a minha para tomar as dela.”

Moisés Carvalho segue a mesma linha, preservando a cumplicidade com Rozangela. “Meu ministério depende de Deus e da ajuda dela. Somos conselheiros um do outro. Sempre compartilhamos decisões juntos. Trabalhar com pessoas depende do poder de Deus e da sabedoria dos nossos amigos, e ela é minha melhor amiga e conselheira”, disse.

Ler muito, em especial a Bíblia, buscar amizade com outras esposas de pastores e sempre ter um diálogo franco com o cônjuge ajuda na superação das dificuldades. Para Rozangela, que também é terapeuta familiar, nunca se deve guardar os problemas, pois “é possível ser extremamente espiritual e estar doente física e emocionalmente. E quando encontramos resistência, falta de apoio e compreensão por parte da igreja em relação ao trabalho que desenvolvemos na igreja, essa situação é ainda mais agravada se não tivermos estruturadas”, ensina.


Leia mais

Mulheres na liderança
Mulheres, pilares na Igreja

Aproveite as promoções especiais na Loja da Comunhão!