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quinta-feira, 18 agosto 2022

Como superar os traumas e ressignificar a trajetória de vida?

Foto: Arquvo Pessoal

A psicóloga Karine Rizzardi afirma que as feridas que geram dores, causadas nos relacionamentos, não são desperdiçadas por Deus

Por Patricia Scott 

Os traumas fazem parte da vida. É impossível viver sem enfrentá-los. Eles geram feridas que acarretam em dores, por vezes profundas. “É um sentimento intacto que não respeita classes e não escolhe vítimas. Todos nós seremos afetados por ela, e sair dessa dor é uma maratona que exige tempo e muita elaboração”, ressalta a psicóloga Karine Rizzardi, especialista em casais e aconselhamento familiar.

Ela explica que, se as dores não forem tratadas, as emoções não são organizadas. Como consequência, pode surgir a depressão, ansiedade, vícios e uma série de outros problemas. E a partir dos atendimentos no consultório, Karine percebeu que os jovens não estão sabendo encerrar ciclos e dores”. 

“Gentileza tem porta de entrada em qualquer relacionamento. Se agíssemos dessa forma, causaríamos muito menos traumas às pessoas”. Em entrevista à Comunhão, Karine, que autora do livro “Foguete Não Tem Ré, pela Mundo Cristão, e idealizadora do “Mulheres à Moda Antiga” [visite o projeto] , dá esclarecimentos acerca dos traumas, além de falar sobre a superação das dores e também como abandonar o passado e seguir em frente.

O que caracteriza o trauma?

É caracterizado por algum tipo de acontecimento, que gera alguma carga afetiva emocional muito negativa. Fica uma marca no registro cerebral de forma tão intensa, que coloca o indivíduo em uma situação de buscar proteção, todas as vezes em que a pessoa passa por alguma situação parecida da vivenciada.

Como ser curado de um trauma relacional?

Só Deus pode nos curar verdadeiramente de um trauma relacional. Ele transforma em jardim nossas dores e reprocessa todas nossas limitações. Além disso, Ele não desperdiça feridas, apenas aproveita as nossas para que possamos consolar aqueles que também passam ou passaram pelas mesmas coisas.

O que leva uma pessoa a ter trauma afetivo ou dependência emocional?

O trauma afetivo é provocado por outra pessoa da qual o indivíduo se relaciona. Ocorre contra a vontade do indivíduo, a ponto de afetar a identidade, como, por exemplo, abuso sexual ou moral, traição, negligência. Já a dependência emocional é um estado, no qual o indivíduo pensa que só sobrevive, se tiver a força da outra pessoa, que pode ou não, ser alimentada pelo relacionamento. Isso ocorre, por exemplo, em relacionamentos com pessoas viciadas em algo, namoros abusivos ou doentios.

Foto: Arquvo Pessoal

O que os traumas geram nas pessoas?

O trauma faz a pessoa acreditar em mentiras fantasiosas a respeito de si mesmo ou sobre os relacionamentos. Por exemplo, acreditam que os homens são todos iguais, que os relacionamentos ocorrem apenas para sofrer. Ou pensam: “Eu sou feia, gorda e desinteressante”. Ele também rouba a originalidade da pessoa, tirando algo que ela tem de mais belo. Paralisa as áreas de desenvolvimento dessa pessoa, como relação de amizade, afetiva ou profissional. Se a pessoa não resolve emocionalmente, ela estagna sua evolução.

Como os traumas interferem no percurso da vida?

Eles fazem as pessoas generalizarem as relações, como se não apenas um relacionamento deu errado, mas a pessoa acredita erroneamente, que todos os relacionamentos podem gerar frustrações e isso faz com que o indivíduo não se lance para outras oportunidades.

Como se libertar das dores causadas pelos traumas?

Fazer uma revisão das mentiras acreditadas. Repassar a história mil vezes na mente é outra forma de elaboração, pedir auxílio, evitar isolamento e entender que isso leva tempo. Curas não ocorrem de forma veloz, o que é precisa ser respeitado.

Por que as pessoas têm tantas dificuldades em abandonar o passado?

Porque elas criam vínculos e memórias. Essas características são lindas de serem apreciadas. Quando você emprega força nos relacionamentos, decepcionando-se, porque acreditou no outro, isso gera na pessoa a sensação ser boba, enganada, desvalorizando todo o passado já vivido.

Como caminhar para frente, independente das circunstâncias?

Não desejando ter pressa para “ficar bem”, indo até o final para entender as reais motivações que levaram ao fim da relação. Esse exercício pode ser doido, mas ajuda a pessoa estruturar suas culpas e falhas, para que após essa estruturação, possa se autorizar a seguir. Olhe para dentro, olhe para frente e olhe para cima. Sonhe com algo muito superior àquilo que a sua mente imagina sozinha, mesmo quando nada ao seu redor sustente suas expectativas. 

 

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