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segunda-feira, 15 DE julho DE 2024

Como lidar com geração que busca apenas bem-estar imediato?

Foto: Reprodução

Jovens ancorados nas redes sociais refletem a educação permissiva, que acarreta fragilidade mental e emocional 

Por Patricia Scott

Relatório do Reuters Institute Digital News indica que um em cada cinco jovens entre 18 e 24 anos busca informações apenas pelo TikTok. Eles são atraídos pelos vídeos curtinhos, além da possibilidade de personalizar a busca de assuntos de interesse pessoal. Mas o que essa agilidade e essa instantaneidade estão gerando nesses jovens? E como lidar com a atual juventude imediatista? Comunhão ouviu duas especialistas para analisar essas questões. 

“Estamos falando da Geração Z, que é inserida na revolução tecnológica e nem teve que fazer curso para aprender informática”, observa a psicóloga Cíntia Piccinini. Isso porque esses jovens nasceram nesse contexto, onde informática, computador, internet já eram algo comum, um hábito. Assim, toda essa “acessibilidade do mundo aberto à informação, sendo autodidata, com informação rápida, alterou a relação desse indivíduo com o ambiente e modificou o seu comportamento”.

A especialista destaca como pontos positivos desses jovens  a facilidade de comunicação e proatividade. Eles confundem, entretanto, a realidade com o mundo virtual, acreditando que a vida real funciona como a virtual, no apertar de um clique. Por isso “a dificuldade de lidar com a espera, não sabem viver o processo”.

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Isso ocorre, de acordo com Cíntia, porque o cérebro deles foi estimulado de tal forma, que sentem dificuldades quando as coisas são demoradas. Como reflexo, “não conseguem lidar com a frustração, irritam-se com facilidade e são intolerantes, quando o outro pensa diferente”.

Cíntia explica que a Geração Z não aceita o que é absoluto, limites, regras, leis, disciplinas. “Como consequência, sente dificuldade no mercado de trabalho”, expõe, acrescentando que “todo esse perfil é porque esses jovens não foram treinados pelos pais para suportarem pressão e frustração. Receberam poucos ‘nãos’”. Isso ocorreu devido à ausência dos pais, ocasionada pelas tarefas profissionais. Assim, “para compensar, eles foram permissivos”.

Na opinião de Cíntia, é preciso fazer com que esses jovens voltem para os ensinamentos bíblicos, que destacam a obediência, a disciplina, o respeito, tão essenciais para a saúde emocional, mental e espiritual. Caso contrário, ficarão suscetíveis à depressão e à ansiedade. “Os pais precisam desempenhar, corretamente os papéis estabelecidos para cada um na Palavra de Deus. Caso contrário, haverá disfuncionalidade na família”, diz.

Educação protetiva

“Essa geração de jovens está sendo educada para não sofrer. Isso porque os pais tentam a todo custo evitar que os filhos passem pelo sofrimento. No entanto, a felicidade não gera aprendizado, mas o sofrimento, sim”, analisa a terapeuta Renata Soares, que faz parte do Instituto Casa. Ela pondera, ainda, que o sofrimento traz uma necessidade de adaptação, de vivenciar as frustrações.  

De acordo com Renata, a fragilidade emocional dos jovens está relacionada à dificuldade de amadurecer e crescer, devido ao excesso de proteção dos pais, firmados na crença dessa geração que eles devem agir para evitar todo e qualquer sofrimento dos filhos. No entanto, “para haver uma evolução emocional, a frustração é necessária para traçar uma nova rota com adaptações, o que é algo essencial na vida de uma pessoa que está em amadurecimento”. 

Ela diz ainda que a evolução espiritual dos jovens vai demandar do investimento dos pais no desenvolvimento da fé deles. “Um dos maiores parceiros dos pais é a igreja, que é um ambiente de formação. Todo jovem nutrido na sua espiritualidade cria um ambiente de gratidão,  de pertencimento, o que gera saúde mental”. Isto porque ele se sente parte de um todo maior, ancorado por Deus, o que gera, por exemplo, esperança. 

Quanto aos relacionamentos líquidos, Renata expõe que são gerados justamente pelas redes sociais, que desencadeia uma geração imediatista, consumista, que não pensa na construção de longo prazo. “A internet trouxe o isolamento social, o distanciamento, prejudicando as relações, que, atualmente, estão frágeis, o que ocasiona o vazio, abrindo espaço para drogas, álcool, sexo”.  

Princípios e valores

Dentro desse contexto, Renata considera importante que a família reforce os princípios e as virtudes, como coragem, lealdade, empatia e ética. “É preciso construir a identidade do jovem com palavras de afirmação, apoiando as habilidades. Não focar nas críticas, mas elogiar, destacando as qualidades”. 

Renata pontua que muitas críticas acarretam insegurança, fazendo com que o jovem sinta dificuldade de fazer escolhas. Por isso, a importância da construção da autoestima ancorada em uma espiritualidade saudável, que proporciona fé e dissipa o sentimento de solidão. Assim, serão “preparados para voar, mas com raízes para voltar à família, quando preciso para receber nutrição”. 

Para finalizar, a terapeuta lembra que os pais têm uma missão: educar os filhos para que se despeça da família de origem e possam ir para vida. Dentro dela, criar neles identidade, para que tenham pensamentos e decisões assertivas. Para isso, Renata indica a leitura da Palavra de Deus. “A Bíblia é um livro de sabedoria, que modela o pensamento e, consequente, o comportamento. Aquele que a lê é fortalecido em princípios e valores essenciais para a vida”, ressalta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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