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terça-feira, 27 julho 2021

Como lidar com as pressões do ministério

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Quando o esgotamento bate à porta do líder

Por Gedimar de Araújo

Muitos pastores e líderes estão sendo afetados em suas vidas e em seus ministé-rios nesse tempo que estamos vivendo. A pandemia agravou ainda mais esta situ-ação, que já estava caótica. Muitos estão abandonando o ministério ou estão ca-minhando sem sonhos ou motivação.

Elias, um dos maiores profetas do Antigo Testamento viveu um tempo assim. ELE DESITIU do ministério. A passagem desse episódio encontra-se em I Reis 19.1-18. Esse é um episódio muito conhecido de todos nós.

Elias tinha todas as credenciais que um líder precisa. Ele era respeitado e tinha uma larga experiência com o poder de Deus. No capítulo anterior ele havia acabado de ganhar uma grande batalha contra os profetas de Baal e os havia humilhado. E agora ele se vê completamente desanimado e esgotado.

Eu mesmo enfrentei um forte período de desânimo que começou em 2005 e durou por mais de dois anos. Eu estava vivendo um dos melhores tempos do meu minis-tério, a igreja vivia um crescimento acelerado e muitas coisas maravilhosas esta-vam acontecendo. Porém, eu havia chegado no meu limite.

Como saber se você chegou no esgotamento? Os principais sinais são:

1. Desgaste – Esse desgaste se manifesta no esgotamento físico, mental e espiri-tual. Você se vê cheio de feridas e amarguras. É nessa fase que muitos desenvol-vem esgotamento ou bournout.

2. Desespero – Queremos fugir, sumir de tudo e de todos. Ficamos com medo de enfrentar os problemas. É nessa fase que muitos abandonam o ministério.

3. Desconfiança – Elias deixa seu ajudante e passa a caminhar sozinho. Não queremos ajuda ou não aceitamos ajuda de ninguém. Todos são suspeitos. Geral-mente pastor não consegue confiar em outro pastor. Em 2007 o MAPI fez uma pesquisa com 108 líderes denominacionais. Uma das questões era: “Indique as três maiores dificuldades para experimentar o pastoreio de pastores”. A primeira difi-culdade apontada foi DIFICULDADE DE CONFIAR NOS OUTROS (62%). É nessa fase que muitos se afastam e se isolam.

4. Depressão – Muitos pastores têm entrado em depressão. Aparece uma inex-plicável vontade de morrer. Eu quero falar de dois tipos de suicida. SUICIDA ATIVO E O SUICIDA PASSIVSO. O suicida passivo não se mata, pede para morrer. Ele não se mata, deixa os outros o matarem. São como ovelhas mudas indo para o mata-douro. É nessa fase que muitos dão fim a sua vida.

5. Desgosto – O pastor passa a ser crítico e amargo. Nos versos 10 e 14 Elias está falando com Deus e só tem “desgosto”. Pastores tem a tendência à reclamação. É nessa fase que entram as falas repetitivas, falamos sempre a mesma ladainha.

6. Desilusão – A decepção é um fator de risco para o SUICÍDIO. É quando per-demos os sonhos. O líder passa a viver de manutenção e não de motivação. É nes-sa fase que muitos se tornam profissionais do ministério.

7. Desproteção – Você se torna vulnerável, facilmente atacado pelo inimigo. Você passa a andar na corda bamba. É nessa fase que muitos se entregam aos ví-cios ou cedem ao pecado moral.

Pergunta: Quais são os sinais em sua vida que estão indicando que você está esgotado?

O que fazer para superar o esgotamento? As principais ações são:

1. Desmistifique – É preciso desmitificar o ministério. Muitos acreditam que por ser pastor não vai enfrentar crises. Isso é um MITO. Você vai enfrentar problemas. E lembre-se que depois de grandes vitórias virão grandes batalhas.

2. Desacelere – Minha amiga Laudicena Moraes, que é psicanalista indicou: “Pa-re de fugir de si mesmo. Reserve um tempo em sua agenda para cuidar de você. Cuidar de você é prioridade”. É hora de pisar no freio, de rever as prioridades.

3. Desapareça – Deus tirou Elias de cena por quase três meses (40 dias e 40 noi-tes). Até o mundo secular tem aprendido o valor de períodos sabáticos. Você não é insubstituível. Saia de cena e deixe outros aparecerem.

4. Delegue –  Deus manda Elias levantar novos líderes. Fala para Elias começar um processo de transição. A maioria dos pastores parece achar que vão ficar para se-mente. Pastores tem a tendência a centralização.

5. Determine – Tenha determinação, resistência, RESILIÊNCIA. Se auto renove, se redescubra, se reinvente. Tenha a capacidade de voltar melhor e mais forte de-pois de uma pancada. Na verdade, as pancadas da vida podem te deformar ou te transformar, você é quem escolhe.

Pergunta: O que você precisa fazer nesse tempo do seu ministério para se reinventar?

Certa vez ouvi o Max Gehringer, comentarista da CBN, dizer: “Quando você não domina o problema é o problema que vai dominar você”. Eu concordo com ele e entendo que o melhor para o Reino de Deus é que você como Pastor ou líder cuide do seu coração e da sua saúde emocional, pois só assim você estará apto para cui-dar dos outros.

Gedimar de Araújo é pastor há 35 anos. Pastoreia a Igreja Ágape em Vitória. E supervisiona outras oito igrejas. Lidera o ministério de Pastoreio de Pastores do MAPI (Ministério de Apoio a Pastores e Igrejas).

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