Os pais devem ficar atentos quanto aos potenciais motivos por trás disso
Por Marlon Max
Quem é pai sabe, chega uma fase que os filhos descobrem que, com algumas mentirinhas, podem sair de problemas ou ocultá-los. Entretanto a mentira, além de ser biblicamente reprovada, é uma mancha no caráter de diversos adultos. Tudo isso começa na infância, como explica a psicóloga Marisa Lobo.
De acordo com a especialista, mentira é mentira, não importa a idade. Ela ressalta que não deve ser encarado como um comportamento aceitável em nenhuma fase. A criança que cresce mentindo vira um adulto ‘viciado’ a ludibriar pessoas para seu favorecimento.
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“Muitos pais também se perguntam se é normal uma criança mentir. Em primeiro lugar, devemos deixar claro que toda criança aprende principalmente por imitação. Então, antes de qualquer coisa, a pergunta que devemos fazer é: estamos falando a verdade para os nossos filhos nas inúmeras situações do dia-a-dia?”, questiona.
O exemplo que os filhos têm dos pais modula a forma que eles irão reagir diante da mentira. Ou seja, se os pais mentem com constância e irrestritamente, as crianças irão segui-lo, afinal, as palavras falam, mas as atitudes gritam, como diz o dito popular.
“Mentira é mentira, mesmo que considerada “inocente”. Se você é o tipo de pai ou mãe que pede a seu filho para dizer ao vizinho que não está em casa, mesmo estando, saiba que você é o responsável por ensinar a criança a mentir, e de forma maliciosa”, explica Lobo.
Ao perceber que uma criança está mentindo, os pais dificilmente fazem essa auto análise sobre seu próprio comportamento. Um filho que mente a pedido dos pais, cedo ou tarde irá criar suas próprias mentiras. A psicologia também destaca que, em situações extremas na fase da infância, muitas crianças mentem para fugir dos estigmas de inferioridade, por exemplo.
“Mentir para os coleguinhas por se achar “inferior” a eles, querendo parecer mais forte, esperta e capaz. Os pais devem ficar atentos quanto aos potenciais motivos por trás disso”, alerta.
Marisa Lobo ainda deixa uma instrução aos pais. “Muito embora seja, no segundo caso, uma mentira pontual e de caráter exploratório, os pais também devem reagir de forma corretiva, explicando que esse não é o tipo de atitude correta de quem deseja adquirir algo ou convencer sobre alguma coisa. Aliás, a criança depende desse tipo de correção para que possa saber diferenciar o certo e o errado, a malícia da esperteza, a verdade da mentira”.
Marisa Lobo é escritora, psicóloga, teóloga, especialista em direitos humanos, pós graduada em saúde mental. Com 12 livros publicados, sobre família, infância, sexualidade e saúde mental.

