As telas estão mudando a maneira como lemos as escrituras

À medida que os hábitos de leitura digital reconectam nossos cérebros, como processaremos a Bíblia? 

Você já parou para pensar no quanto a maneira como lemos as Escrituras tem mudado? e no impacto dessa mudança em nosso cérebro?

Cristianismo é uma religião da Palavra. Os cristãos são o “Povo do Livro”. Essas premissas definiram a fé cristã desde o início, mesmo antes da era da impressão. E no chamado período pós-letrado, os pastores passaram a reiterar às pessoas a essência da fé cristã. Acima de tudo, que ela está na Palavra (e nas palavras).

Explicação científica

A neurocientista norte-americana Maryanne Wolf destaca que a leitura não é programada em nossa mente da mesma forma que a linguagem.

Em seu livro Reader, Come Home: The Reading Brain in a Digital World, explica como se dá esse processo. Não apenas a plasticidade notável do cérebro humano torna a leitura possível. Da mesma forma, a atividade de leitura cria novos circuitos no cérebro.

Isso ajuda a aprender conceitos abstratos e criativos que vão além do funcionamento programado geneticamente. A leitura exige “extraordinária complexidade cerebral”, diz Wolf. Também o cérebro requer anos para que processos de leitura profunda sejam formados.

Certamente, nossos hábitos de leitura, portanto, têm o potencial de moldar nossa mente, para o bem ou para o mal.

Como lemos as escrituras

Mais da metade dos leitores da Bíblia inclui alguma forma de leitura digital, busca ou escuta no uso da Palavra. Pesquisa relatada em um artigo do Journal of Religion de 2015 aponta as impressões humanas sobre a leitura digital. Em “E-Reading and the Christian Bible” (Leitura eletrônica e a Bíblia Cristã), a maioria dos entrevistados (58%) cita a facilidade e a conveniência como grandes vantagens da leitura digital.

No entanto, muitos entrevistados da pesquisa reclamaram que o texto digital tende a isolar os versos do contexto imediato e da Bíblia como um todo. Eles observaram que o aspecto físico do texto é importante para a compreensão, a memória e a “interpretação correta”.

Além disso, a pesquisa aponta ainda que os desafios à memória e à compreensão persistiram mesmo quando a frequência da leitura aumentou. Assim relatou um dos entrevistados: “Eu provavelmente leio mais a Bíblia (com mais frequência), mas possivelmente menos profundamente”.

Amplitude do contexto

Houve também quem defendesse ser mais difícil visualizar uma Bíblia digital como algo separado de outro conteúdo exibido em suas telas. “Sinto-me mais distanciado do conteúdo (ao ler em um Kindle) e frustrado por não ter contato pessoal com o papel e a impressão”, revelou outro participante da pesquisa. “Há apenas uma conexão especial sendo perdida quando você sai do o livro tangível em si”, defendeu um terceiro entrevistado.

O Pasto Luciano Subirá faz constantes alertas para o cuidado com a essência do Evangelho

O tema desta matéria tem sido acompanhado por Comunhão. Confira o artigo “A menina, a revista e o smartphone”, escrito por Paulo Roberto Teixeira, secretário de Tradução e Publicações da Sociedade Bíblica do Brasil. E veja também a entrevista com o pastor Luciano Subirá. Nela tratamos do desafio da igreja em se adequar às novas formas de comunicação sem perder a essência da Palavra.

Da redação, com informações de Christianisty Today
* Tradução: Leitor, volte para casa: o cérebro da leitura em um mundo digital