A partir da puberdade e o início da adolescência, várias transformações surgem: físicas, emocionais e mentais, o que gera um grande desafio para os pais
Por Patricia Scott
A adolescência é marcada como uma transição para a fase adulta. Sentimentos e emoções ficam em ebulição, assim como os hormônios. Diante de tantas transformações, essa etapa da vida dos filhos gera um grande desafio para os pais.
“Com o surgimento da puberdade e o início da adolescência, tudo fica diferente nos filhos. Isso vai muito além da fisionomia, altura e a voz. Até a maneira de pensar e agir muda completamente”, assevera a psicóloga Lívia Marques, que pergunta: “Como os pais podem entender essas transformações de humor e sentimentos?”.
Para responder à pergunta, a especialista exemplifica: “A adolescência é marcada por muitas cobranças e julgamentos. Geralmente, nessa fase da vida ouve-se muito: ‘Você já tem tantos anos, se comporte como uma pessoa de sua idade” ou ‘Pare de agir como adulto [ou criança]’. São as frases clássicas ditas por pais e outros adultos presentes na vida dos adolescentes.
Segundo ela, os adolescentes estão em uma fase em que as pessoas acreditam que apenas seja a problemática. “Na verdade, estão descobrindo e fortalecendo seus valores, além de estarem cheios de criatividade”.
Sendo assim, Lívia diz que a orientação sempre virá dos adultos. No entanto, além disso, “os adolescentes continuarão desenvolvendo o seu treino de habilidades socioemocionais diante de muitos desafios. Em contrapartida, muitas serão as novidades e as novas preocupações”.
Por outro lado, a psicóloga pontua que sentir emoção não é ruim. “A grande questão que se deve levar em conta é sobre como a valência de cada uma delas impacta a vida deles. E ainda, como lidamos quando uma determinada emoção está numa combinação alta ou muito baixa?”.
Outro ponto destacado por Lívia é o fator inibição emocional, que é o comportamento onde o adolescente não demonstra o que sente e muito menos se permite sentir. “A emoção é algo que todos podem acolher e sentir”. Assim, é importante levar o “adolescente pensar como serão suas ações e estratégias para lidar com cada uma delas”, observa e acrescenta: “Assim, aprenderão a lidar com o lado mais vulnerável e com os mais felizes e sérios (ou adulto)”.
Desse modo, Lívia diz que é possível conduzir os adolescentes a uma forma saudável de sentir e viver uma vida que tenha regulação emocional e humanização das vulnerabilidades. “Junto disso, fazer com que refletiam que pode, de forma coletiva e individual, buscar um caminho que não seja de julgamentos e culpas”, mas de crescimento.