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segunda-feira, 6 dezembro 2021

Falta amor e empatia? Comentários radicais sobre Paulo Gustavo chocam cristãos

Para justificar a morte do ator, alguns evangélicos trouxeram à tona cena de filme em que acreditam ter havido zombaria contra Deus.

Por Geila Salomão

Desde que foi internado com a covid-19, no dia 13 de março, o ator Paulo Gustavo, um dos comediantes mais populares do país, foi alvo de opiniões infelizes de alguns cristãos nas redes sociais, que defendem que ele foi “castigado por Deus” por ser homossexual e por supostamente ter zombado dele.

Com a morte do ator na noite de ontem (4), por complicações da covid-19, algumas pessoas trouxeram à tona uma cena do filme “Minha Vida em Marte” (2018) para tentar justificar o acontecimento. Durante um casamento na igreja, o ator, que fazia o papel de noivo, dizia que a Bíblia estava desatualizada e que “se Jesus Cristo estivesse aqui estaria em um show do Pablo Vittar”.

Mas será mesmo que Deus teria permitido a morte de Paulo Gustavo por brincar com a Bíblia e com Jesus? A resposta, obviamente, é não. O livro sagrado ensina que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23), então como é possível julgar a conduta de alguém e dizer se vai ou não para o céu?

O apóstolo Marcos Nunes, da Igreja Batista Filadélfia em Vila Velha, no Espírito Santo, lembra que Deus não sente prazer na morte de seus filhos. “A vingança a que a Bíblia atribui a Deus não é esta. Deus é misericordioso, compassivo e tardio em irar-se. Paulo teve a chance aqui na terra de fazer suas escolhas. Agora, diante de Deus, será julgado por elas, mas só Deus pode fazer esse julgamento”. A questão da salvação, como lembra Nunes, vai além do nosso entendimento, pois somente o Senhor sabe quem foi salvo ou condenado, como diz a carta de Paulo aos Romanos (10:9): “Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”.

Mesmo o cristão sabendo que o nome de Deus é santo (Isaías 6:1-3), e que devemos respeitá-lo, já que a Bíblia também diz que ele é “fogo consumidor” (Hebreus 12:29), o verdadeiro seguidor de Jesus não pode desejar a morte de um semelhante. “A Bíblia é clara, o tempo da graça é agora e para todos. Deus amou Paulo Gustavo e lhe deu todas as chances de arrependimento. Ele é tão bom que nos deixa fazer escolhas na vida, mas também é tão justo que nos avisa que seremos julgados ou justificados por ela”, finaliza o apóstolo.

O pastor Alcemir Pantaleão, da Igreja Evangélica Peniel no Espírito Santo, acredita que neste momento, mais do que nunca, devemos exercer o que Jesus pregou, o amor, que supera todas as questões. “Não tenho em mim autonomia, nem direito, muito menos autoridade para julgar alguém. Creio na Palavra de Deus e ela me manda amar, e este é o princípio de Deus. Eu condeno veementemente a postura dessas pessoas”, afirmou.

Polêmica com oração pela morte do ator

Em abril, um pastor de Alagoas causou polêmica ao afirmar em suas redes sociais que estava “orando” para que Paulo Gustavo morresse. Apesar das desculpas após a repercussão negativa, o ato do pastor pode ser lembrado como um caso de falta de amor, empatia, além de intolerânci religiosa.

Em suas “desculpas” o pastor disse que estava defendendo a honra de Deus. “A minha insensatez foi tentar defender a honra de meu Deus, muitas vezes ultrajada de muitos modos, esquecendo-me que Deus não precisa de quem defenda a sua honra. Quão tolo eu fui! Por ter escrito a sandice que escrevi, mesmo sem no meu íntimo desejar a morte de ninguém, pois apesar de minhas fraquezas, sou um cristão convicto”, disse em nota.

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