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quarta-feira, 5 agosto, 2020

Ciclone: Mortes e rastro de destruição no Sul do Brasil

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Ciclone deixa rastro de destruição e mata 10 pessoas no Sul do País. Em Santa Catarina, 49 municípios relataram prejuízos. “Deus poupou mais vidas dessa tragédia”, relatou pastor Adilson Neves, de Brusque (SC)

Por Fabio Bispo e Lucas Rivas (AE) e Priscilla Cerqueira 

O ciclone bomba que atingiu o Sul do País matou ao menos dez pessoas e deixou um rastro de destruição na região. Nove pessoas morreram em Santa Catarina e uma no Rio Grande do Sul. Os ventos chegaram a 120 km/h, o equivalente a um furacão de categoria 1 na escala Saffir-Simpson.

Em Santa Catarina, foram registradas mortes em Chapecó (1), em Santo Amaro da Imperatriz (1), em Tijucas (3), Governador Celso Ramos (1), Ilhota (1), Itaiópolis (1) e Rio dos Cedros (1). Além de uma pessoa que segue desaparecida em Brusque.

O pastor Adilson Neves, da Igreja Shekinah, de Brusque (SC), que mora numa das regiões atingidas, relatou à Comunhão a situação dramática que presenciou durante a passagem do ciclone. Segundo ele, o fenômeno passou na tarde desta feira-feira, 30, com ventos que chegavam a 120 km.

“Estava no meio do ciclone, passou aqui em casa uma nuvem imensa, negra, com ventos fortes e chuva. Interrompeu internet, TV, energia elétrica, causou muitos danos materiais ela cidade e região inteira. Vários comércios e casas foram destelhadas com a força dos ventos. As pessoas correram para as lojas, fecharam as portas, as janelas, carros estacionados e pessoas correndo para se abrigar. Muitas arvores caíram, placas de propaganda, curtos em redes elétricas”, contou.

O pastor afirma que pelo menos 1,5 milhão de unidades consumidoras ficaram sem luz elétrica no estado. Além de muito estrago material. “Foi o maior dano na rede elétrica da região em toda a história. A situação poderia ter sido pior se tivesse acontecido de madrugada, mas Deus poupou mais vidas dessa tragédia. Tivemos muitos danos materiais, perda de alimentos e roupas, alguns moveis”, relatou.

Tempestade

A tempestade passou por todas as regiões deixando um rastro de destruição, com quedas de árvores, postes e destelhamento de residências. Mais de 1,5 milhão de pessoas ficaram sem energia elétrica. De acordo com relatório da Defesa Civil do Estado, foram registrados estragos em 83 municípios catarinenses até as 6h30.

No Oeste, a Defesa Civil em Xanxerê atendeu ocorrências em 15 municípios, enquanto em Chapecó o órgão registrou estragos em dez cidades do entorno.

As coordenadorias de Blumenau e Florianópolis atenderam ocorrências em nove municípios cada. Os ventos fortes, que chegaram a 110k/h, provocaram destelhamento de casas e escolas na região da capital. Em Palhoça, na Grande Florianópolis, 10 unidades de educação foram afetadas e um ginásio teve o telhado arrancado pela força do vento.

O Corpo de Bombeiros somou mais de 1,6 mil ocorrências atendidas entre terça e as 7h30 desta quarta. Mais de mil soldados ficaram empenhados nos trabalhos neste período, com o auxílio de 380 viaturas. Já a Centrais Elétricas de Santa Catarina, Celesc, está com 300 equipes trabalhando para retomar a energia.

O ciclone foi alertado pela Marinha, que comunicou ressaca com ondas de três e quatro metros no litoral gaúcho e catarinense.

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A nuvem chegou imensa e trouxe chuvas e os ventos vieram do mar e entrou pelo Vale do Itajaí (SC). Foto: Pastor Adilson Neves

‘Ciclone bomba’

O “ciclone bomba” que está passando pelo sul do país ocorre quando a pressão atmosférica no centro do ciclone de forma muito rápida. A meteorologista Estael Sias, da Metisul, diz que “quanto mais baixa a pressão atmosférica numa determinada área, mais tem elevação de ar e nuvens carregadas.”

O fenômeno acontece, geralmente, associado a contraste de temperatura. Há poucos dias, houve calor histórico e agora há incursão de potente massa de ar polar, ressalta Estael.
O evento é comum no inverno do Norte da Europa e no Nordeste dos Estados Unidos, onde recebe o nome de Nor’Easter.

No Atlântico Sul, é mais comum em latitudes mais ao Sul de onde está ocorrendo agora, mais frequente a sudeste do Rio da Prata, na costa da Argentina, ou no cinturão de baixas da Antártida. São estes ciclones que “sugam” ar muito frio e trazem queda de temperatura.

Isso explica a previsão para temperaturas negativas nas regiões mais altas das serras gaúcha e catarinense. A meteorologista alerta que nesta quarta-feira, 1º, o ciclone alcança a faixa leste de todo o sul do Brasil e se estendendo até o litoral paulista. Os riscos são vento forte e intensa sensação de frio.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, um operário morreu soterrado na Serra gaúcha nesta terça. A mortes aconteceu na cidade de Nova Prata, na região da Serra. A vitima, Vanderlei Oliveira, de 53 anos, foi soterrada após deslizamento de terra. Ele trabalhava em uma construção quando um barranco desmoronou.

Segundo a Defesa Civil Estadual do Rio Grande do Sul, 1.035 pessoas estão fora de suas residências em 16 cidades. Os municípios mais atingidos são Vacaria, com 520 pessoas desalojados, e Capão Bonito do Sul, com 400 moradores atingidos

Em Iraí, no norte do Estado, o vendaval destelhou ao menos 300 casas, afetando 250 famílias. Devido ao forte vendaval, quase 900 mil pessoas estão sem luz no Estado. A prefeitura de Porto Alegre já registrou a queda de 23 árvores, assim como de postes e fios.

Ao se deslocar para o oceano, o ciclone bomba deixou em alerta a região litorânea do Rio Grande do Sul. “O ciclone bomba é um centro de baixa pressão atmosférica de formação explosiva que têm queda da pressão em seu centro mais rápida que o normal”, explica a meteorologista Estael Sias.

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