Charlatães

Dia 23 de dezembro, antevéspera de Natal, abro o jornal na esperança de ler algo interessante e me deparo com um artigo do doutor Drauzio Varella, com o título: “Charlatães”.

Não é uma “redução ínfima” de uma metástase, mas a consciência de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28).

O médico famoso pelas suas reportagens no “Fantástico” vem a público para dizer: “Poucos se conformam com a finitude da existência e aceitam as restrições impostas pelas leis da natureza: milagres não existem, são criações do imaginário humano.

Se existissem, em meio século de atividade profissional intensa com pacientes graves, eu teria visto pelo menos um, ainda que fosse uma redução ínfima nas dimensões de uma metástase. Cem por cento das chamadas curas espirituais que tive a oportunidade de avaliar não resistiram à análise racional mais elementar”.

Com todo o respeito por quem tem 50 anos de experiência em sua profissão, discordo do doutor. Talvez o que está faltando para ele é entender o que é milagre. Não é uma “redução ínfima” de uma metástase, mas a consciência de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28).

Ou seja, até um aumento absurdo de uma metástase pode ser um milagre. Milagre, doutor Drauzio, não é só aquilo que resiste à “análise racional mais elementar”, mas o que Deus faz usando inclusive sua experiência profissional. Milagre é a vida. Milagre é um ser humano curar outro com seu conhecimento, é ajudar outros, é perceber que nossa finitude da existência não é fator de desespero, mas de esperança.


José Ernesto Conti
[email protected]

Aproveite as promoções especiais na Loja da Comunhão!