Uma nova avaliação internacional revelou que cerca de 100 milhões de cristãos no mundo ainda não têm acesso a uma Bíblia. O relatório, divulgado pela Iniciativa de Acesso à Bíblia, analisou dados de 88 países e identificou mais de 30 nações com restrições “extremas” ou “severas” à distribuição das Escrituras.
Segundo os organizadores, entre eles a Sociedade Bíblica Digital e a Portas Abertas, a chamada “Lista de Acesso à Bíblia” mede obstáculos como censura governamental, perseguição religiosa, pobreza e infraestrutura limitada. “Embora existam muitos equívocos sobre o acesso à Bíblia em todo o mundo, a Lista de Acesso à Bíblia destaca as complexidades e nuances da questão”, disse Ken Bitgood, fundador e CEO da Sociedade Bíblica Digital, uma das parceiras fundadoras da iniciativa. “O acesso irrestrito à Bíblia não é um padrão universal.”
Países com maior restrição
A Somália lidera a lista como o país onde é mais difícil possuir ou distribuir uma Bíblia. O governo proíbe toda atividade cristã e pune a impressão, importação e até o armazenamento das Escrituras. O Afeganistão aparece em segundo lugar: sob o regime do Talibã, o simples ato de ler uma Bíblia no celular pode levar à prisão ou à execução.
O Iêmen, a Coreia do Norte e a Mauritânia completam as cinco primeiras posições. Nesses países, a posse de uma Bíblia é considerada crime grave, e as comunidades cristãs vivem sob constante vigilância. Na Eritreia — apelidada de “Coreia do Norte da África” — até mesmo a leitura privada é monitorada.
Escassez e censura global
Além das proibições religiosas, fatores econômicos também restringem o acesso à Palavra de Deus. O relatório destaca que milhões de fiéis jamais tiveram contato com uma Bíblia no próprio idioma ou em formato acessível. Em lugares como a China, o Paquistão e o Butão, a combinação de censura e baixa alfabetização agrava o problema.
Surpreendentemente, a lista também aponta desafios em países de maioria cristã. O Brasil aparece na 88ª posição — a última do ranking — devido à “extrema pobreza” em algumas regiões, o que torna a compra de uma Bíblia inviável para muitas famílias. “Mesmo quando disponível, o custo dos materiais impressos é elevado por causa dos impostos e da corrupção”, descreve o relatório.
A Armênia, primeira nação do mundo a adotar o cristianismo como religião oficial no século 4, aparece na 87ª posição do ranking à frente do Brasil. Embora 95% da população se identifique como cristã e não existam restrições à posse ou distribuição da Bíblia, o país enfrenta o que especialistas chamam de “crise silenciosa de escassez”.
O problema é atribuído a fatores como dificuldades econômicas, declínio da infraestrutura e redes de distribuição ultrapassadas. “Mesmo em um país onde o cristianismo faz parte da identidade nacional, o acesso efetivo à Palavra de Deus ainda é limitado para grande parte da população”, destaca o relatório.
Um desafio persistente
Para os pesquisadores, a falta de acesso à Bíblia não se deve à falta de interesse, mas às barreiras estruturais e políticas. “A fome espiritual moderna não é causada pela apatia, mas pelos obstáculos que impedem as pessoas de se aproximarem da Palavra de Deus”, afirmou Wybo Nicolai, cocriador da lista.
O estudo de 2025 contou com a participação de diversas organizações cristãs internacionais, incluindo Bible League International, Biblica, OneHope e Frontlines International. A pesquisa reforça o alerta de que a liberdade religiosa e o acesso às Escrituras permanecem ameaçados em grande parte do mundo. Com informações The Christian Post e Christian Daily


