Ministério Público investiga envolvimento de coronéis condenados pelo 8 de Janeiro em possível imposição de participação em evento dentro da Igreja, em Brasília
Por Cristiano Stefenoni
A Igreja Universal do Reino de Deus está no centro de uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) que apura a suposta obrigatoriedade de policiais militares participarem de um evento religioso dentro de um templo da denominação, em Brasília. O caso envolve três oficiais da Polícia Militar do DF condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e reacende o debate sobre os limites entre Estado e religião.
O promotor Flávio Milhomem solicitou a oitiva dos coronéis Fábio Augusto Vieira, Jorge Eduardo Naime e Marcelo Casimiro Vasconcelos. O pedido foi encaminhado à Corregedoria da PMDF, que, na última sexta-feira (09), solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para que os depoimentos ocorram presencialmente. A decisão cabe ao ministro Alexandre de Moraes, que ainda não se manifestou.
Os três oficiais foram condenados, por unanimidade, pela Primeira Turma do STF, em dezembro de 2025, por omissão nos atos de 8 de janeiro. No total, cinco policiais receberam pena de 16 anos de prisão e 100 dias-multa por crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e deterioração de patrimônio tombado. Dois outros PMs foram absolvidos. Apesar da condenação, os réus seguem em liberdade, cumprindo medidas cautelares.
Relembre o caso
A apuração é conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça Militar e investiga denúncia de que policiais teriam sido compelidos, em 2022, a comparecer à chamada “Formatura Geral” realizada na sede da Igreja Universal, na Asa Sul. Segundo o MP, a convocação teria partido do comando do 6º Batalhão da PMDF, sob responsabilidade do tenente-coronel Rodrigo da Silva Abadio, que chegou a ser alvo de pedido de afastamento e transferência enquanto duram as investigações.
São apuradas: suposta prática dos crimes de peculato; prevaricação; inobservância da lei, regulamento ou instrução; aplicação ilegal de verba ou dinheiro; abuso de confiança ou boa-fé; patrocínio indébito; usurpação de função, todos do Código Penal Militar, além da prática de improbidade administrativa prevista na Lei nº8.429/92.
Além da possível imposição de participação em evento religioso, o MP investiga se veículos oficiais, como ônibus da corporação, foram utilizados para transportar os policiais até a igreja. Entre os crimes apurados estão peculato, prevaricação, abuso de confiança, aplicação ilegal de recursos públicos e improbidade administrativa.
“Estado e religião não podem se misturar. O policial tem todo o direito de professar sua fé, mas não pode ser obrigado nem constrangido a participar de um evento religioso”, afirmou o promotor Flávio Milhomem em documento oficial.
A Polícia Militar do DF informou que a formatura ocorreu em espaço cedido, sem custos, pela Igreja Universal, devido à indisponibilidade de locais tradicionais, e que o momento religioso teve caráter ecumênico, como, segundo a corporação, é habitual nas cerimônias da PMDF. O caso segue sob investigação. Com informações do Metrópoles
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