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sábado, 17 DE janeiro DE 2026

Afinal, casais que realmente se amam também brigam? Especialistas respondem

Entenda como lidar com a raiva e a discordância em relacionamentos e construir um relacionamento saudável

Por Patrícia Esteves

Nem sempre o silêncio é sinal de paz. No cotidiano dos casais, evitar toda e qualquer discordância pode parecer um sinal de harmonia, mas também pode esconder uma negação das diferenças e uma dificuldade em lidar com a complexidade do outro. A crença de que casais que se amam não brigam reforça uma expectativa equivocada sobre o amor conjugal.

Afinal, há desacordos inevitáveis em qualquer relação duradoura, e o que define a saúde do vínculo não é a ausência de conflitos, mas a maneira como eles são enfrentados.

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Conflitos mal resolvidos não apenas desgastam a relação, mas também comprometem a saúde emocional de todos os envolvidos. Em famílias com filhos, por exemplo, os efeitos se estendem para além do casal. Segundo a psicóloga Magali Leoto, do Ministério Fortalecendo a Família, “a briga é prejudicial quando acontece para atacar, se defender ou se justificar, e não para ouvir, entender e reconstruir”.

Ela observa que, em muitos lares, o padrão de confronto está centrado em despejar frustrações acumuladas, interromper o outro e recorrer a gritos ou sarcasmos como forma de pressão. Esses comportamentos podem ser considerados expressões das chamadas “obras da carne”, uma categoria bíblica que descreve atitudes movidas por impulsos desordenados.

A carta de Paulo aos Gálatas apresenta uma lista que inclui hostilidade, discórdias, ciúmes e acessos de raiva (Gálatas 5.19-21). Esses sentimentos, se alimentados, corroem o vínculo e abrem espaço para mágoas profundas.

A espiritualidade como ponto de partida

Muitos casais não percebem que o descontrole emocional frequente pode ter raízes espirituais. “A primeira providência que uma pessoa precisa tomar diante da raiva constante é orar”, explica o pastor Sérgio Leoto. Para ele, orar não significa apenas pedir calma, mas buscar discernimento sobre o que está por trás de reações desproporcionais.

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“Muitas vezes, esse descontrole aparece quando há uma atitude errada, uma vida dupla, ou uma resistência ao arrependimento. A pessoa se torna agressiva para desviar a atenção daquilo que não quer que seja revelado”, detalha. Nesse cenário, a confissão sincera tem papel central. “Mas, se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar”, lembra o pastor, citando 1 João 1.9.

Afinal, casais que realmente se amam também brigam? Especialistas respondem
Pastor Sérgio e Magali Leoto alertam para os riscos dos conflitos mal conduzidos e defendem o diálogo como caminho de cura e crescimento no casamento – Foto: Arquivo Pessoal

A reconciliação com Deus se reflete na reconciliação com o outro. E embora cada caso exija sensibilidade, é importante não negligenciar sinais de alerta que podem indicar algo mais grave.

Discernimento espiritual e vigilância emocional

A Bíblia alerta que há conflitos que não nascem apenas do temperamento humano, mas de forças espirituais que operam no invisível. “A luta não é contra carne e sangue”, enfatiza Paulo em Efésios 6.12, “mas contra os poderes espirituais do mal”. O pastor Sérgio lembra que, em alguns casos, o conflito pode ter uma dimensão espiritual mais densa, principalmente quando há opressão ou envolvimento com práticas que distanciam da vontade de Deus.

“Tem situações em que é necessário pedir a Deus discernimento para entender o que está por trás daquela explosão emocional”, diz. Esse olhar espiritual não dispensa o cuidado emocional e psicológico. Ao contrário, fé e ciência podem caminhar juntas.

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Atenção às causas clínicas e emocionais

Descontrole emocional pode ter também origem física ou psicológica, nem tudo é espiritual. Certos medicamentos, por exemplo, afetam diretamente o humor e a capacidade de autocontrole. Transtornos psiquiátricos não diagnosticados, históricos de abuso de substâncias ou mesmo desequilíbrios hormonais podem impactar negativamente o comportamento dentro do casamento.

Para Magali Leoto, “não se pode ignorar a possibilidade de que um problema de saúde esteja por trás da irritabilidade e da explosividade emocional”. Ela ressalta a importância de buscar avaliação médica. “Às vezes, a pessoa está passando por um tratamento, toma medicações, e nem se dá conta de como aquilo está afetando suas reações. O médico pode avaliar e, se necessário, encaminhar ao psiquiatra ou psicólogo”, explica Magali.

A atuação de profissionais da saúde mental é fundamental para ajudar o indivíduo a encontrar equilíbrio. A psiquiatria investiga as causas neurológicas e químicas, enquanto a psicologia trabalha aspectos comportamentais, relacionais e emocionais. “Deus pode usar esses profissionais como instrumentos de cura”, lembra Sérgio Leoto.

A discussão que edifica

Em contraste com os conflitos destrutivos, há “brigas” que geram frutos. O que diferencia uma da outra não é a existência do embate, mas a postura diante dele. Discussões que servem para ouvir, expressar sentimentos sem ataque, e buscar acordos, podem ser momentos de aprendizado e intimidade.

Magali observa que “quando os dois estão dispostos a crescer juntos, até mesmo uma diferença difícil se torna oportunidade de amadurecimento”. É nesse lugar que o lar se transforma. Não há mais um campo de batalha, mas um espaço de reconstrução. O segredo está menos em evitar as diferenças e mais em saber lidar com elas de forma madura, espiritual e respeitosa.

Quando a briga é totalmente prejudicial?

  • Atacar, defender-se e justificar-se.
  • Despejar queixas e frustrações acumuladas.
  • Expressar acusações, e não sentimentos.
  • Fazer apenas críticas destrutivas.
  • Contra-argumentar, em vez de ouvir o que o outro tem a dizer.
  • Interromper quando o outro fala.
  • Usar de gritos, gestos obscenos e xingamentos.
  • Persuadir o outro a aceitar sua opinião com manipulações.

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