Carnaval e o tempo para Deus

Muitos cristãos conheceram o amor de Deus por meio de ações de evangelismo realizadas no Carnaval ou participando de retiros.

Se para o mundo é uma época de desfrutar dos prazeres da carne, para a Igreja, o período de Carnaval é um tempo de reflexão, de descanso, de estar na presença de Deus. É o momento de se retirar, mas de também proclamar o Evangelho da verdadeira alegria

Convidar preletores, alugar sítios, organizar gincanas, ministrações e estratégias evangelísticas. Está aberta a temporada de pré-Carnaval nas igrejas! Seja em retiro, culto na igreja local ou em impactos evangelísticos, não há dúvida de que se trata de um tempo especial e propício para salvação e avivamento.

Muitos cristãos conheceram o amor de Deus por meio de ações de evangelismo realizadas no Carnaval ou participando de retiros. Outros experimentaram um renovo no casamento, e há quem tenha vivido experiências tão profundas com Deus durante um retiro que guardam lembranças e marcas até hoje.

É um tempo precioso que, se bem aproveitado, faz com que a colheita dos frutos se multiplique durante todo o restante do ano. E as igrejas sabem bem disso. Tanto que muitas começam a planejar o período de quatro dias do Carnaval com até um ano de antecedência.

Assim acontece na Igreja Evangélica Batista de Linhares (IEBL), que tradicionalmente faz retiro com parte da membresia nas montanhas capixabas. “Já é tradição, todo ano fazemos retiro nas montanhas, em Domingos Martins. Levamos toda a estrutura da igreja”, contou o pastor Jair Delgado, responsável pelos jovens.

Para ele, o período de retiro no Carnaval é fundamental para os novos convertidos. “Principalmente para quem está começando a caminhada agora, é essencial tirar essa pessoa do ambiente que toma conta das ruas no Carnaval. Levamos pessoas não evangélicas, e todo ano há muitos frutos, com conversões e pessoas que passam a servir a Deus com mais ânimo.

No ano passado passamos 36 horas ininterruptas de oração, foi uma bênção. Neste ano o tema do retiro é ‘Identidade’, nossa expectativa é que muitos descubram quem são no Reino de Deus”, compartilhou o pastor.

Ele também destacou a comunhão entre irmãos que o retiro promove. “A pessoa que vai acaba percebendo como o povo que serve a Deus é feliz, que não é uma igreja engessada, que tem momento de lazer, de gincana, de esporte, de muita alegria, comunhão e descanso”, enfatizou o pastor, que está com as vagas esgotadas.

Os cerca de 300 jovens da IEBL, que estão inscritos para o retiro, vão para o sítio Paraju Paradise, que fica em Domingos Martins. Já é a segunda vez que a igreja vai para o mesmo local – há 10 anos de propriedade do empresário Délio Iglesias.

Programações locais

Foi o valor cobrado para alugar sítios um dos principais motivos que fez com que o pastor Elmir Dell Antonio, da Igreja Batista Filadélfia em Vitória, desistisse de fazer retiro e investisse na programação local com os jovens e adolescentes.

Com o tema COPA – um acróstico para Cristo, Obras, Paixão e Almas –, Elmir realizou uma conferência para os adolescentes e jovens no período do carnaval, sendo que no último dia teve trio elétrico na rua da igreja, com muita música, dança e festa.

Outras igrejas também participaram como a Bola de Neve, de Vila Velha (ES), grupos musicais como Atos 29, Stronger Link e P-37 maracaram presença. Mais de 400 pessoas participaram. “A maioria, em nossa igreja, prefere programação assim porque não queríamos deixar a cidade desguarnecida, espiritualmente, nesse tempo de Carnaval e entregá-la ao Rei Momo”, afirmou o pastor.

Programação parecida também teve na Missão Praia da Costa, em Vila Velha com a conferência de Carnaval. É tradicional na segunda-feira o bloco ir para a rua. E a igreja sai com cerca de 1.500 pessoas com 250 ritmistas na bateria de escola de samba pela orla de Vila Velha.

“Nossa estratégia é não sair da cidade e poder ajudar as pessoas desorientadas que vamos encontrar nas ruas.

Temos essa oportunidade para proclamar o Evangelho, com conferências abertas a todos e a abordagem na rua no dia do desfile.

Temos uma equipe de conselheiros que acompanha a bateria e pode ajudar quem se aproxima pedindo ajuda ou querendo saber mais sobre Cristo. Temos tido bons resultados”, disse o pastor Simonton Araújo.

Ele destacou que o benefício é instantâneo, tanto para quem recebe como para quem está ali para compartilhar do amor de Deus. “Ano passado mais de 100 pessoas procuraram os conselheiros. Fora aquelas pessoas que não se manifestaram, mas de alguma forma foram tocadas por Deus e se sentiram inclinadas a ir a uma igreja. As pessoas descobrem que o Evangelho não é chato, que é possível casar alegria com santidade, sem droga, sem prostituição”, afirmou Simonton.

Ter a igreja aberta à disposição para receber as pessoas é a proposta da Assembleia de Deus do Aribiri, em Vila Velha.

Apesar de não contar com nenhuma programação especial, o pastor Kemuel Sotero, titular da igreja, disse que o templo estará aberto no domingo, na segunda e na terça de Carnaval e que vai haver reunião de oração e cultos.

“Por ser uma época que as pessoas viajam muito, alguns até estão de férias, resolvemos não fazer retiro, deixar para a Semana Santa. Mas vamos ficar com a igreja aberta, para ser uma opção para as pessoas que ficam na cidade ou que vêm para visitar”.

Com uma média de 500 pessoas nos cultos de domingo, o pastor disse que prefere manter a igreja aberta para abrigar essas e outras pessoas que não vão ou não podem ir a um retiro de Carnaval.

Impactos

Cidades que promovem festejos de Carnaval, seja com trios elétricos, blocos de rua ou escolas de samba, são também palco de todo tipo de abuso e violência.

É sabido que muitos aproveitam esse período para a prática de crimes e são constantes os casos de violência física, com brigas e pancadarias; violência no trânsito, com pessoas que abusam do álcool e vão para a direção de um carro; e violências sexuais. Além dos casos de violação do patrimônio, com casos de furtos, roubos, vandalismos e depredações.

Para tentar conter essas ocorrências e ainda levar a mensagem da salvação ao folião, há um grupo que vai, todo ano, para as cidades que investem nas festas de rua para evangelizar. É o caso dos missionários da Jovens com uma Missão (Jocum), que este ano vão com um grupo de pelo menos 130 pessoas, entre missionários e membros de igreja da Grande Vitória, para Piúma, balneário no sul do Estado.

“Há mais de 10 anos fazemos esse trabalho, de ir atrás do perdido, daquele que está lá na massa, na multidão, para levar a salvação. É importante também apontar o caminho para o folião, falar com o que está correndo atrás do trio elétrico, é a oportunidade de falar com a massa”, disse Andrea Ribeiro, diretora-presidente da Jocum.

“A pessoa sente uma alegria tão grande ao participar de um evangelismo assim, de poder contribuir, compartilhar o Evangelho, que normalmente depois ela volta mais animada para sua igreja local, com mais ânimo para continuar evangelizando em seu bairro e comunidade. É um privilégio evangelizar. Deus deu isso pra gente, como poderíamos abrir mão disso?”, explicou.

São vários testemunhos de conversão no meio da folia do Carnaval. Desviados que retornam ao caminho e pessoas que depois procuram a igreja em suas cidades de origem ou no próprio local do evangelismo. Independente da estratégia escolhida e mais importante do que cada uma delas, é fundamental ouvir a voz de Deus para saber o que Ele tem para cada um nesse período. Saber que Deus pode encher a Sua igreja com a alegria verdadeira que o mundo tenta vender em quatro dias, mas que sempre termina com uma quarta de cinzas. Descobrir, nesse tempo, que é possível ir além e receber mais, mas também doar mais e compartilhar mais da vida de Deus em nós.

“O retiro transformou a minha vida”

Foi um retiro de Carnaval em 2008 o lugar ideal que Deus encontrou para mudar a vida da assistente administrativa Jaqueline Faben, 26 anos.

Ela não era evangélica, mas, por falta de opção, decidiu aceitar o convite de uma amiga para participar do retiro da Igreja de Nova Vida de Itararé, em Vitória.

“Eu tinha visitado a igreja evangélica apenas duas vezes e quando chegou o Carnaval eu fiquei sem lugar para ir.

Então, uma amiga minha insistiu muito para eu ir ao retiro, disse até que me ajudava, se eu quisesse. Como não tinha outro lugar para ir, aceitei”.

Mesmo reverente ao assistir aos cultos, Jaqueline contou que estava interessada mesmo em festa, piscina, diversão. Mas ao chegar lá, ela foi surpreendida. “As pessoas eram bem diferentes das dos lugares que eu frequentava, todos eram alegres, amigos. As pessoas se respeitavam, as brincadeiras eram saudáveis e aquilo me impactou muito. Então teve o culto de sábado à noite e eu chorei muito, me senti amada por Deus e  que realmente algo de novo poderia acontecer comigo. Era uma vontade de mudar de vida, de mudar de direção”.

Ela conta que por várias vezes achou que tudo que estava sentindo era só emoção, que iria passar assim que terminasse o retiro, mas não.

“No culto do domingo de Carnaval tinha algo diferente. Eu achava tão bonito as pessoas cantando que me deu uma vontade de cantar também, fui muito tocada por aquelas letras e na hora da Palavra, o pastor começou a pregar para todos, mas era como se Deus estivesse falando comigo, eram coisas que só eu e Deus sabíamos. Então, naquele dia, o convite era justamente para mudar o caminho, e eu decidi que queria aquilo de verdade. Eu fui na frente, nem sabia como se aceitava Jesus, não sabia o que fazer. Minhas pernas tremeram, eu caí de joelhos e só sabia chorar. Naquela hora passou um filme na minha cabeça, me arrependi de muitas coisas, e eu tenho certeza que naquele dia Deus marcou de verdade um encontro comigo, saí daquele retiro com uma vontade imensa de gritar para as pessoas que Deus estava vivo. E até hoje quando penso em desistir, eu me lembro daquele dia”.

Jaqueline passou a fazer parte da igreja, foi líder de jovens e até o ano passado organizou retiros de Carnaval. “O retiro foi muito importante para mim e eu acredito que pode ser para outros também”, contou.

Os retiros são uma opção para quem quer se divertir com segurança e conhecer mais a palavra de Deus. Foto: Arquivo Comunhão
Como surgiu o Carnaval?

A festa teve origem na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Os gregos realizavam, nesse período, seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica a partir do século XI, da Semana Santa, antecedida por 40 dias de jejum, à Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma.

A palavra “Carnaval” está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão “carnis valles”, que, acabou por formar a palavra “Carnaval”, sendo que “carnis” em latim significa carne, e “valles” significa prazeres. O Carnaval da Antiguidade era marcado por grandes festas, onde se comia, bebia e participava de celebrações e busca incessante dos prazeres.

A MATÉRIA ACIMA É UMA REPUBLICAÇÃO DA REVISTA COMUNHÃO. FATOS, COMENTÁRIOS E OPINIÕES CONTIDOS NO TEXTO SE REFEREM À ÉPOCA EM QUE A MATÉRIA FOI ESCRITA


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