Carnaval, a alegria do inferno

Carnaval, a alegria do inferno

Tenho dificuldade de acreditar que um evangélico colocaria em risco o testemunho da sua vida em troca de uns pulinhos no meio da rua?

José Ernesto Conti 

A pergunta que sempre me fazem nessa época do ano: evangélico pode pular carnaval? Desde os tempos que Jesus andava por aqui, a questão dos costumes ou tradições, sempre foi relevante para seus discípulos e seguidores. Jesus teve que encarar a questão se podia colher espigas ou se podia curar no sábado, ou como deveria ser o relacionamento com mulheres, ou com as samaritanas, se poderíamos comer ou participar de celebrações com pessoas “impuras” como um cobrador de impostos.

Por diversas vezes quando questionavam suas atitudes frente aos costumes da época, Jesus desafiou seus seguidores a ir além do que esses costumes poderiam causar, quando esclarece que o que contamina o homem não é o que vem de fora, mas é o que vem de dentro.

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O Apóstolo Paulo garante que tudo que Deus criou é bom e recebido com ação de graças, nada é rejeitado (1 Tm 4:4-5). Ele vai além quando, descrevendo a igreja em Corinto (1 Co 6:12), afirma que todas as coisas nos são lícitas (permitidas), porém acrescenta duas condições importantes:

(a) nem todas me convêm;
(b) elas não podem nos dominar.

Aqui está o centro da questão do costume ou da tradição e antes de responder se podemos ou não pular o carnaval, devemos responder as duas questões que Paulo coloca na frente.

A primeira questão é importante. O “me convém” podemos entender da seguinte forma: algo que me é permitido, porém não me traz nenhum ganho. Ou perguntando de outra forma: dentro de um contexto cultural brasileiro onde a imagem do carnaval, além da alegria e das festividades, está associada a libertinagem, a bebedice, ao desregramento da sociedade, a imoralidade sob todas as formas, qual o benefício que o carnaval pode trazer para mim ou para minha igreja?

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Por mais que a Bíblia omita sobre essa questão específica (pular o carnaval), quando analisamos a questão bíblica do “convém”, não encontro uma base sólida para defender nosso direito de fazer esse tal algo “lícito”. Placar: 0 x 1.

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Mas ainda temos uma segunda pergunta. A questão agora é de domínio (quem está no controle). Essa palavra, apesar de nesta forma só aparecer aqui (exousiasthēsomai), podemos traduzir como: quem está mandando, ou quem está no controle?

Mais uma vez temos que usar o contexto cultural brasileiro, por exemplo, a música do Jorge Aragão, que deixa bem evidente que a liberdade do carnaval vai até quarta-feira (sic). Com tanta liberdade aflorando por todos os poros, embalado por uma música frenética de um trio elétrico, alguém pode dizer com sinceridade que tudo está no controle? Placar: 0 x 2!!

Tenho dificuldade de acreditar que um evangélico colocaria em risco o testemunho da sua vida em troca de uns pulinhos no meio da rua? Trocaria seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas? Fomos chamados para ser sal e luz em um mundo em trevas, não para trazer as trevas para dentro das nossas vidas ou de nossas igrejas.

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Temos que ser mais inteligentes que os filhos do mundo e não sermos influenciados por quem diz que podemos tomar posse destas coisas, pois tudo que Deus criou é bom. Quem ofereceu o mundo, foi o diabo. Jesus disse que seus seguidores teriam aflições que o mundo nos aplica diariamente. Seguir a Cristo é estar disposto a, se necessário, sofrer por aquilo que cremos e não sair imitando o mundo.

Quando um evangélico acredita que ele, só por ser evangélico, tem direito a fazer o que quiser, das duas, uma: ou ele não sabe o que é ser evangélico, ou ele não está disposto de deixar as coisas do mundo para viver na graça de Deus. Qualquer das duas opções, o levará seguramente para a “alegria do inferno”.

José Ernesto Conti é pastor da Igreja Congregação Presbiteriana Água Viva e engenheiro mecânico

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