Conheça as histórias de transformação de internos ressocializados pela capelania prisional
Por Karina Garcia
Se a presença da capelania no sistema prisional oferece escuta e esperança, seus frutos aparecem na forma de histórias de transformação que atravessam os muros das prisões, onde cerca de 25 mil pessoas estão privadas de liberdade. Para quem acompanha o trabalho de perto, a mudança de comportamento, valores e identidade é concreta.
O pastor Pedro Gusmão atua há 22 anos no sistema prisional. Ex-chefe de segurança do antigo Instituto de Readaptação Social (IRS) e ex-delegado, ele testemunhou de dentro do sistema mudanças que o impactaram profundamente — ainda antes de sua conversão.

“Vi presos perigosíssimos se convertendo e tendo uma mudança radical de comportamento e de vida. Como eu ainda não era cristão, isso me impressionou muito”, relembra.
Hoje, segundo ele, o próprio Estado reconhece a capelania como uma das principais ferramentas de ressocialização. Existem alas conhecidas como “celas de igrejas”, com regras específicas e acesso condicionado ao bom comportamento. “O respeito ao sagrado aumentou, assim como o número de conversões”, afirma.
Pedro Gusmão acompanha histórias de internos que reconstruíram vínculos familiares, retornaram à sociedade e se tornaram profissionais, empresários e líderes comunitários. Para ele, o caminho é claro: “O único caminho é Jesus”.
De interno a capelão

Willian Pereira é uma dessas histórias. Ex-interno do sistema prisional, ele atribui sua transformação diretamente ao trabalho da capelania. Foi dentro da prisão que, segundo relata, teve um encontro com Jesus, acompanhado pelo pastor Pedro Gusmão.
Ressocializado, Willian hoje retorna às unidades prisionais não mais como custodiado, mas como voluntário. “Se não fosse esse trabalho, eu não teria tido um encontro com Jesus. Hoje vejo o mesmo processo se repetir com outros internos”, afirma.
Liberdade além das grades

A experiência de Luan César segue caminho semelhante. Ex-detento, ele conta que a mudança começou ainda dentro do presídio, durante os cultos realizados no banho de sol, onde ouviu uma mensagem que o marcou: a de que nem toda prisão é feita de grades, assim como nem toda liberdade está do lado de fora.
Segundo ele, foi nesse processo que compreendeu que a pior prisão que carregava era espiritual. Luan afirma que a vida no crime lhe prometia recompensa, mas entregou apenas destruição. Após a conversão, diz ter reconstruído sua identidade e hoje atua em um ministério e em uma casa de recuperação, acolhendo pessoas que vivem em situação de rua.
Transformação que confronta discursos
Ao falar sobre transformação, o pastor Sérgio Junger, que é capelão no sistema prisional, confronta um discurso cada vez mais comum na sociedade, inclusive entre cristãos: o de que “bandido bom é bandido morto”.
“O que mais me surpreende é ver mudanças reais em pessoas que já haviam sido descartadas socialmente. Bandido bom não é bandido morto. Bandido bom é bandido transformado”, afirma.
Apesar do ambiente hostil, Sérgio diz nunca ter vivido situações de risco. O maior desafio, segundo ele, não é a segurança, mas a falta de voluntários preparados. “A maioria vem de camadas mais pobres da sociedade. A classe média raramente ultrapassa as paredes dos templos”, observa.
Serviço
Quem deseja atuar na capelania prisional no Espírito Santo pode procurar o Grupo Interconfessional do Sistema Penal (Ginter), responsável pela capacitação e organização do trabalho:
E-mail: [email protected]
Telefone: (27) 3636-5832

