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terça-feira, 3 DE fevereiro DE 2026

A fé que muda histórias: os frutos da capelania prisional

Batismo coletivo
Batismo coletivo em uma unidade prisional. Foto: Divulgação

Conheça as histórias de transformação de internos ressocializados pela capelania prisional

Por Karina Garcia

Se a presença da capelania no sistema prisional oferece escuta e esperança, seus frutos aparecem na forma de histórias de transformação que atravessam os muros das prisões, onde cerca de 25 mil pessoas estão privadas de liberdade. Para quem acompanha o trabalho de perto, a mudança de comportamento, valores e identidade é concreta.

O pastor Pedro Gusmão atua há 22 anos no sistema prisional. Ex-chefe de segurança do antigo Instituto de Readaptação Social (IRS) e ex-delegado, ele testemunhou de dentro do sistema mudanças que o impactaram profundamente — ainda antes de sua conversão.

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Pedro Gusmão
Pedro Gusmão é ex-delegado e atua na capelania há 22 anos. Foto: Arquivo pessoal

“Vi presos perigosíssimos se convertendo e tendo uma mudança radical de comportamento e de vida. Como eu ainda não era cristão, isso me impressionou muito”, relembra.

Hoje, segundo ele, o próprio Estado reconhece a capelania como uma das principais ferramentas de ressocialização. Existem alas conhecidas como “celas de igrejas”, com regras específicas e acesso condicionado ao bom comportamento. “O respeito ao sagrado aumentou, assim como o número de conversões”, afirma.

Pedro Gusmão acompanha histórias de internos que reconstruíram vínculos familiares, retornaram à sociedade e se tornaram profissionais, empresários e líderes comunitários. Para ele, o caminho é claro: “O único caminho é Jesus”.

De interno a capelão

Willian Pereira
Willian Pereira

Willian Pereira é uma dessas histórias. Ex-interno do sistema prisional, ele atribui sua transformação diretamente ao trabalho da capelania. Foi dentro da prisão que, segundo relata, teve um encontro com Jesus, acompanhado pelo pastor Pedro Gusmão.

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Ressocializado, Willian hoje retorna às unidades prisionais não mais como custodiado, mas como voluntário. “Se não fosse esse trabalho, eu não teria tido um encontro com Jesus. Hoje vejo o mesmo processo se repetir com outros internos”, afirma.

Liberdade além das grades

Luan César
Luan César

A experiência de Luan César segue caminho semelhante. Ex-detento, ele conta que a mudança começou ainda dentro do presídio, durante os cultos realizados no banho de sol, onde ouviu uma mensagem que o marcou: a de que nem toda prisão é feita de grades, assim como nem toda liberdade está do lado de fora.

Segundo ele, foi nesse processo que compreendeu que a pior prisão que carregava era espiritual. Luan afirma que a vida no crime lhe prometia recompensa, mas entregou apenas destruição. Após a conversão, diz ter reconstruído sua identidade e hoje atua em um ministério e em uma casa de recuperação, acolhendo pessoas que vivem em situação de rua.

Transformação que confronta discursos

Ao falar sobre transformação, o pastor Sérgio Junger, que é capelão no sistema prisional, confronta um discurso cada vez mais comum na sociedade, inclusive entre cristãos: o de que “bandido bom é bandido morto”.

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“O que mais me surpreende é ver mudanças reais em pessoas que já haviam sido descartadas socialmente. Bandido bom não é bandido morto. Bandido bom é bandido transformado”, afirma.

Apesar do ambiente hostil, Sérgio diz nunca ter vivido situações de risco. O maior desafio, segundo ele, não é a segurança, mas a falta de voluntários preparados. “A maioria vem de camadas mais pobres da sociedade. A classe média raramente ultrapassa as paredes dos templos”, observa.

Serviço

Quem deseja atuar na capelania prisional no Espírito Santo pode procurar o Grupo Interconfessional do Sistema Penal (Ginter), responsável pela capacitação e organização do trabalho:

E-mail: [email protected]

Telefone: (27) 3636-5832

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