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terça-feira, 9 agosto 2022

Capacitar líderes pode salvar sua igreja

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Em recentes pesquisas que fizemos por meio da Sepal/Envisionar, descobrimos algumas coisas intrigantes. Perguntamos para pastores de diversas denominações quais eram suas principais preocupações. Cerca de 75% apontaram como a número 1 a capacitação de líderes, isto de uma lista de mais de 15 itens. Tal resultado significa dizer que, de cada 100 pastores, 75 perdem o sono à noite por causa desse assunto.

Em segundo lugar, com 60% das indicações, está a preocupação de passar uma visão para a igreja e conduzi-la para atingir esse alvo. Em terceiro, com 40% das menções, vem o levantamento de recursos financeiros para a igreja.

Quando fizemos as mesmas perguntas para os líderes das igrejas, as respostas foram muito similares: 69% estão interessados em manter os ministérios e as equipes motivados. Para isso, precisam de líderes, razão pela qual 66% estão angustiados com a falta de capacitação de novos nomes. Além disso, 60% estão preocupados em manter o crescimento congregacional e 39% apresentam-se apreensivos com a questão das finanças na igreja.

No entanto, nossa pesquisa foi um pouco mais a fundo e perguntou em que os pastores investem seu tempo. O resultado é chocante. Numa lista de 20 itens, destacamos 11. Todos eles têm a ver com a atividade sacerdotal; no entanto, percebe-se que os pastores estão fazendo isso sem planejamento e acumulando todo o peso sobre os seus ombros.

Por exemplo, as oito primeiras opções que consomem quase todo o tempo do pastor têm a ver com doutrinar os membros, aconselhar, pregar, incentivar, visitar e ensinar. Em nono, aparece capacitar líderes e, em 11º , lançar uma visão para a igreja. Não há nenhum problema no fato de o pastor se dedicar àquilo para o qual foi chamado, porém, quando ele quer fazer isso sozinho para 100, 200 ou mil pessoas, aí vem o esgotamento.

Indagamos também por que as duas principais preocupações dos pastores aparecem apenas no fim da lista de atividades do dia a dia. A resposta não poderia ser outra. A maioria disse que é refém da rotina, que as pressões do dia a dia só aumentam, e que está buscando resultados imediatos. Só com esses dados já dá para tirar algumas conclusões.

Os pastores e líderes correm atrás de atividades de rotina e não param para pensar no longo prazo. Com isso, não conseguem elaborar e lançar uma visão para a igreja e ficam girando em torno do calendário anual. Os líderes se preocupam em manter o crescimento da igreja, mas sem visão o povo sofre. O pastor não consegue reduzir seu ritmo e com isso não chega ao item mais importante da sua lista de preocupações, que é capacitar novos líderes e dividir as responsabilidades. A consequência é que a igreja passa anos e anos patinando, até que o pastor se esgote, vá para outra igreja, e um novo ciclo comece. A salvação do ser humano está em Cristo, mas a salvação da igreja como organização, para cumprir sua missão, está numa liderança discipulada e capacitada. Esse foi o maior investimento de Jesus antes de começar a primeira igreja. Esse foi o investimento de Paulo antes de plantar diversas igrejas. Por isso, o próprio Paulo afirmou em Efésios 4 que “Deus deu apóstolos, evangelistas, profetas, pastores e mestres para a capacitação dos santos, para que eles trabalhem e a igreja cresça”.

Os pastores estão certíssimos em sua preocupação número um – capacitar líderes. Só precisam mudar a agenda e colocar isso como prioridade no dia a dia.

Josué Campanhã é escritor, palestrante, consultor e pregador ([email protected])

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