Cadê a surpresa?

Afinal o que importava era a emoção, a surpresa, a expectativa de saber como ficaria aquele clique “batido” com a máquina.

Se Leonardo da Vinci pudesse ver o quanto nossa tecnologia avançou nos últimos anos, certamente diria diante de uma TV smart 8K, com som e imagens em alta definição: “Vivi la modernità”. Não quero ser saudosista, mas apenas relembrar a emoção que me rodeava quando as fotografias eram enfim “reveladas”. Posso citar a angústia quando, em uma viagem, eu não conseguia comprar uma bobina de 12 ou 36 poses. Uma verdadeira aventura! Divertia-me com os negativos, que hoje nem se usam mais.

Quem tinha uma câmera que rebobinava sozinha era chique, era rico. E se a objetiva se movesse para regular o foco? Na verdade, só descobri isso depois que vi as imagens embaçadas. Afinal o que importava era a emoção, a surpresa, a expectativa de saber como ficaria aquele clique “batido” com a máquina.

Hoje isso não existe mais. Evoluímos, temos cards, redes sociais, nuvem, e todos podem visualizar fotos antes de irem para o papel (opcional, claro!). Quanta tecnologia! Mas será que já estamos dependentes dessa modernidade express? Não temos mais surpresas, frio na barriga. Nada nos encanta, nada é segredo, tudo é possível e acessível pelos sites de busca. Eu me rendi, não faço mais apologia ao passado. Benditos sejam o progresso e os sentimentos editados no Photoshop.


Por Andrea Espindula

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