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segunda-feira, 15 abril 2024

Perfil dos jovens: cada vez mais evangélicos

Dados de 2020 levantados pelo DataFolha indicam que cerca de 12,4 milhões de jovens entre 16 e 24 anos se declaram evangélicos

Por Rodolfo Capler

Durante os anos que realizei minha pesquisa de campo em oito escolas da rede pública de educação, no interior de São Paulo, a qual resultou no meu livro “Geração Selfie” (Editora Quitanda), me admirava o crescente número de adolescentes que se identificavam como evangélicos. Quando descobriam minha condição de pastor, não era incomum muitos mencionarem nomes de pregadores e cantores renomados ou compartilharem seus próprios pedidos de oração.

Mesmo aqueles que não seguiam a fé evangélica muitas vezes tinham laços familiares fortes com a igreja. Willian, de 15 anos, expressou esse sentimento ao conversarmos no pátio da escola: “Minha família toda é evangélica! Conheço todos os hinos”.

Essa imersão na fé evangélica me surpreendeu pela sua ampla aceitação na sociedade brasileira, refletida entre os estudantes. Dados de 2020 levantados pelo DataFolha indicam que cerca de 12,4 milhões de jovens entre 16 e 24 anos se declaram evangélicos, números próximos aos 13,7 milhões que se identificam como católicos na mesma faixa etária.

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Apesar de os católicos formarem a maioria da população geral, com 105,5 milhões de seguidores, os evangélicos, atualmente com 65,4 milhões, mostram um crescimento constante. Esse fenômeno sugere que a juventude do país tende a se inclinar cada vez mais para o evangelicalismo.

Os jovens que encontram refúgio nas igrejas evangélicas geralmente vêm de contextos socioeconômicos desfavorecidos, são negros ou pardos, moram em áreas periféricas e se alinham ao pentecostalismo. Diversos fatores explicam essa adesão à fé: a mensagem bíblica que se adequa à sua realidade sociocultural, os pastores pentecostais com sermões que empregam uma linguagem moderna e uma estética contextualizada, sem contar a pluralidade musical presente no Gospel, que contempla uma variedade de subgêneros populares. Além disso, a ênfase no indivíduo, característica marcante das gerações Y e Z, encontra eco nas mensagens evangélicas, fortalecendo esse vínculo.

O reconhecimento especial que as igrejas evangélicas recebem nas periferias e em locais isolados do Brasil também é fundamental para conectar a juventude à fé. Nesses contextos, elas não só oferecem suporte espiritual, mas também atuam como agentes de assistência social, oferecendo alimentos, apoio a dependentes químicos, cuidados de saúde e inclusão cultural para os mais vulneráveis. Esse engajamento com as necessidades comunitárias é um fator vital na crescente adesão dos jovens à fé evangélica.

Diante desse cenário, a questão que se impõe é se, nos anos vindouros, a juventude brasileira manterá sua identificação com a fé evangélica. Os indícios apontam que sim, antecipando um crescimento não apenas entre as classes mais baixas, mas também entre as mais altas, com consequências significativas tanto na cultura popular quanto na estrutura social do país.

Rodolfo Capler é teólogo, graduado pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo (FTBSP), pastor da Igreja Batista Alternativa, jornalista e autor dos livros “Geração Selfie”, “O país dos evangélicos” e “Projeto de Poder”. Como jornalista colaborou com a Revista Veja, produzindo matérias e reportagens sobre o segmento evangélico no Brasil.

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