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segunda-feira, 6 julho, 2020

Brasileira de 18 anos vence Feira mundial de Ciências

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A pesquisa de Juliana Estradioto, do Rio Grande do Sul, promoveu o aproveitamento de resíduos e criação de novo material e foi reconhecida nos EUA

Ainda faltam palavras para Juliana Davoglio Estradioto, 18 anos, descrever as sensações dos últimos dias. Com muito choro e gritos de “É Brasil”, ela subiu ao palco da maior feira internacional de ciências e engenharia para jovens cientistas pré-universitários como vencedora do primeiro lugar de uma das principais categorias do evento.

A premiação da Intel Isef (International Science and Engineering Fair) 2019 foi realizada na última sexta-feira (17) em Phoenix, Estados Unidos. Durante quatro dias de competição, 1.800 jovens pesquisadores de todo o mundo, com idades entre 15 e 19 anos, apresentaram projetos para uma comissão avaliadora de peso, formada por cientistas vindos de vários países.

O projeto desenvolvido por Juliana venceu a categoria de ciência materiais e envolve o aproveitamento de resíduos que sobram do processamento da macadâmia – que seriam jogados fora — para a produção de um material orgânico (membrana biodegradável) capaz de se transformar em embalagens e até curativos, substituindo qualquer material sintético.

“Parece mentira. Às vezes eu me belisco para ver se é verdade. É muito difícil representar o Brasil nesta feira. É mais difícil ainda vencer. São projetos legais do mundo inteiro e eu venci em primeiro na minha categoria. Olha, ainda estou sem palavras. É muito indescritível”, contou a jovem, que retornou ao Brasil no domingo (19).

Juliana Estradioto conquistou a primeira colocação em uma das categorias da competição. Foto: Reprodução

“Quando falaram Osório, o nome da minha cidade, eu ainda pensei ‘deve ter outra cidade do mundo chamada Osório. Não deve ser verdade’.

Quando subi no palco, o cara que estava apresentando começou a rir da minha cara. Eu só chorava. Eu realmente achava que seria impossível ganhar”, lembrou.

A pesquisa de Juliana começou a ser realizada no ano passado, quando cursava o último ano do ensino médio técnico em administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, no campus Osório.

Ao longo de um ano, ela e sua orientadora, a professora Flávia Twardowsky, fizeram vários testes para verificar se a casca da noz poderia ser usada em algo sustentável, econômico e que tivesse relevância social. Segundo Juliana, 75% do processamento da macadâmia resulta sobras descartadas no lixo por não terem utilidade para as indústrias.

Ao final da pesquisa, concluída recentemente, Juliana conseguiu encontrar indícios de que a casca da macadâmia pode ser usada como uma espécie de alimento para bactérias, que são capazes de formar material orgânico (tipo um tecido) ao se desenvolverem.

Além da ajuda de sua orientadora, Juliana faz questão de destacar que o seu projeto só foi possível, pois recebeu bastante apoio de outras instituições. Uma delas é o Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que cedeu o laboratório para que ela pudesse fazer os testes necessários.

*Com informações de Uol


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